O segundo debate na televisão com a participação dos seis candidatos à Prefeitura de Juiz de Fora foi marcado por tentativas de esquivamento, pelo menos entre os três concorrentes que lideram as pesquisas, Margarida Salomão (PT), Bruno Siqueira (PMDB) e Custódio Mattos (PSDB). Realizado pela TVE, o debate que ocorreu na noite de ontem permitiu interação entre os que disputam o pleito, mas nem a possibilidade de escolher para quem perguntariam ou quem deveria realizar comentários foi capaz de agitar as discussões. O confronto direto foi evitado pela maioria e só ocorreu motivado por Marcos Aurélio Paschoalin (PRP) e Victória Mello (PSTU), que direcionaram as provocações mais enfáticas a Margarida e Custódio, respectivamente.
Enquanto Bruno preferiu direcionar pergunta e oportunidade de comentário a Laerte Braga (PCB), que privilegiou o discurso ideológico, Custódio mirou Bruno, seu principal adversário à chance de ir para o segundo turno. Apesar do direcionamento, o tucano preferiu as críticas indiretas e usar a estratégia de defesa para responder a comentários negativos feitos no programa eleitoral do peemedebista. Custódio também declarou que algumas propostas dos concorrentes são "irrealizáveis", desagradando o candidato do PMDB, que foi direto ao ponto: "O candidato colocou no plano de governo da eleição passada as suas propostas e não as realizou. O nosso programa de governo é viável e será implementado em Juiz de Fora nos próximos quatro anos."
O clima esquentou quando Paschoalin iniciou ataques a Margarida. Ao ser perguntado sobre quais eram as propostas para a cultura, o candidato escapou do assunto e disse que a petista teve contas aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) durante a gestão como reitora da UFJF e acrescentou que entrou com processos contra ela devido a situações envolvendo o vestibular. "Em vez de ouvir a voz do povo, que é a voz de Deus, ela ignorou tudo que eu disse", reforçou Paschoalin. Em resposta, Margarida foi dura: "Defendo o direito de cada um a seu delírio. Mas quando acontece o abuso de uma mentira delirante, precisamos repudiar". Ela ainda acrescentou que todas as ações movidas por ele "foram indeferidas pela Justiça Federal".
Victória dirigiu pergunta a Custódio, criticando o preço da passagem e questionando por que o então prefeito não licitou o transporte público na atual gestão. Antes de responder, o tucano se defendeu dizendo que Juiz de Fora tem uma das passagens mais baratas entre as 50 maiores cidades do país. Depois, culpou a ação movida pelo deputado estadual Durval Ângelo (PT) no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que, segundo Custódio, foi responsável por dificultar os trâmites do processo referente aos estudos de avaliação do transporte coletivo local.
