Há 30 anos, a Polícia Militar de Minas Gerais passou a incluir mulheres em seu efetivo. Em Juiz de Fora, a presença feminina ocorreu cinco anos mais tarde, em 1986. A cidade foi a primeira do interior do estado a ter soldados femininos. Amanhã, uma cerimônia irá comemorar os 25 anos da mulher como membro da corporação. O evento será realizado na sede do Sesc, no Bairro Nova Califórnia, na Cidade Alta, às 8h. Na programação, estão previstos café da manhã, abertura com o comandante da 4ª Região da PM, coronel Ronaldo Nazareth, homenagens, gincana, premiação, sorteio de brindes e confraternização. A expectativa é de que 140 policiais da região participem das comemorações. De acordo com a assessora de comunicação do 2º Batalhão da PM, capitão Kátia Moraes, que fez parte da primeira turma de formação de soldados na cidade, com 50 mulheres, no início, as pessoas nos quartéis ainda não sabiam lidar com a novidade. Eles perguntavam se iríamos fazer os mesmos tipos de exercício. A minha turma foi sempre unida e fazíamos questão de fazer tudo o que os homens faziam. Não queríamos proteção só pelo fato de ser mulher, relembrou a militar, afirmando que a primeira turma deixou como legado a questão da força de vontade. Abrimos as portas para outras turmas e, de lá para cá, aquela reserva inicial foi superada. Tanto que temos coronéis femininos na ativa, no comandando de batalhão, destaca a capitão, que recentemente esteve no subcomando do 2º BPM, responsável por 700 militares. Da primeira turma de Juiz de Fora, ainda estão na ativa cinco policiais, tendo as demais cumprido suas missões e, depois de 25 anos de carreira, passaram à reserva. Atualmente, na 4ª Região da PM, que abrange os municípios de Juiz de Fora, Ubá, Muriaé e Leopoldina, são 220 policiais femininas.
Sensibilidade
A presença da mulher na corporação trouxe mais leveza e melhor flexibilidade no trato com a comunidade, fazendo dos quartéis locais mais agradáveis, mais dinâmicos e, com o comportamento da policial, as tarefas são executadas com a maior excelência, pontua Kátia Moraes. Ela destaca que, atualmente, não há diferença no trabalho da policial feminino para o masculino, tanto que já existem, em Minas, mulheres como copiloto de helicópteros da PM. As mulheres trabalham no policiamento de choque, dirigem e comandam as viaturas. Temos vantagens sobre os homens na hora de lidar na rua e com o público pelo fato de a mulher ser mais sensível, ter um lado materno, sabendo chegar com mais tranqüilidade na ocorrência. Mas, quando preciso, sabemos usar a força física. No caso do atendimento de uma vítima de violência doméstica, temos uma facilidade maior. A mulher fica com receio de contar o que houve para um homem. Quando é uma policial, ela consegue se abrir mais e tem um diálogo melhor.
