
Alunos de Jesuítas se preparam para o exame
São cerca de nove meses de preparação até o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova que integra os processos seletivos de 167 instituições públicas de ensino superior em todo o Brasil. Mas, nos próximos dias 22 e 23, os mais de 5,3 milhões de inscritos na edição 2011 do teste do Ministério da Educação (MEC) terão que apresentar, em 180 questões e uma redação, o conhecimento acumulado não só no último ano de estudos, mas em toda a vida escolar, cobrado de forma contextualizada e interpretativa. Depois, serão mais dois meses para direcionar os esforços a conteúdos específicos e a um formato de avaliação mais tradicional, seja no vestibular da UFJF ou de outras universidades. Com a variedade de modelos de ingresso disponíveis este ano, conhecer a matéria e estar atento ao que acontece no mundo é a receita para conseguir boas notas, seja qual for o formato do teste.
Alunos do 3° ano do ensino médio do Colégio dos Jesuítas, Alvaro Henrique de Almeida Delgado, 17 anos, Andressa Oliveira Soares, 17, e Lia Rezende Domingues, 18, concorrem a uma vaga na UFJF em medicina, direito e comunicação social, respectivamente, pelo Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism). Porém, os três também se preparam para o Enem, necessário para a candidatura às cadeiras distribuídas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e para concursos de outras instituições. A prioridade de Alvaro é permanecer na cidade, porém, o adolescente tentará o ingresso nas universidades federais de Minas Gerais (UFMG) – que adota o Enem como primeira fase – e de Ouro Preto (Ufop) – onde a única forma de seleção é o Sisu, com base na nota do exame nacional. "O Pism me dá segurança, pois já sei o que esperar, mas a preparação para o Enem e para outros vestibulares ao mesmo tempo acaba sendo complicada. Estamos no meio de um processo de transição de modelos, então o que nos resta é saber a matéria, de qualquer jeito."
Para Lia, que sonha em conseguir uma vaga no curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) ou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – instituição que utilizará apenas o Sisu -, o preparo para os módulos I e II do Pism, realizados em 2009 e 2010, torna-se um importante aliado na reta final. "Estudamos dois anos de acordo com os moldes mais tradicionais e, agora, podemos dinamizar os estudos para encarar o Enem", comenta, acrescentando que procura se informar sobre atualidades pela internet e assistindo a telejornais.
Já para Andressa, que também tentará relações internacionais na PUC-Rio, com a nota do Enem, e na Universidade de São Paulo (USP), o foco agora são as matérias que não foram vistas nos dois primeiros anos do ensino médio. "Quero passar para a USP, e tem gente de São Paulo estudando há três anos especificamente para isso. Como tive uma boa base no 1° e 2° anos, agora posso focar naquilo que ainda preciso aprender para tirar essa diferença."
Para o diretor do Centro de Estudos sobre Ensino Superior e Políticas Públicas para Educação da UFMG, Jacques Schwartzman, a crescente consolidação do Enem como passaporte para o ensino superior tem exigido aos estudantes uma bagagem de conhecimento cada vez maior. "Hoje o aluno de ensino médio tem que estar afinado com o que pede o Enem e com o que pedem as universidades, o que vai minando a carga de conteúdos exigidos. Cria-se um adicional de tipos de saberes, provocando uma sobrecarga de conhecimento, o que é um problema", atesta.
Escolas redividem turmas
Voltado para os programas de ingresso da UFJF, o Curso Pré-Vestibular Popular (CPV) da universidade precisa aliar o ensino de conhecimentos gerais e atualidades exigido pelo Enem ao conteúdo específico cobrado na segunda etapa local para atender adequadamente aos 180 alunos matriculados. "Entendemos o Enem como uma prova que precisa de conteúdo sim, que não é inteiramente contextualizada, como prega. Então existe uma preocupação em não esquecer o conteúdo, independente do formato da prova", explica a coordenadora do CPV, Letícia Couto Bicalho.
Para o professor de biologia do cursinho popular Norberto Emídio de Oliveira, os dois modelos podem contribuir um com o outro. "Mesmo focando conteúdo específico, utilizar exemplos do dia a dia em sala de aula ajuda a acabar com o paradigma de que é preciso decorar. É necessário conectar a matéria com coisas do interesse dos alunos para despertar o interesse." No CPV/UFJF, o ensino é voltado para a abrangência do Enem até a véspera da prova. Após o teste, as turmas são redivididas por área de conhecimento, e os alunos, preparados para a segunda etapa da UFJF, de exames específicos.
A metodologia é a mesma adotada pelo Colégio Cristo Redentor (Academia de Comércio). "Após o Enem, os alunos que farão vestibular passam a ter aulas apenas das disciplinas específicas da área de conhecimento escolhida", explica o professor de química da escola Carlos Eduardo (Dudu) Nogueres. Ele lembra que os candidatos que optaram pelo Pism, que acontece em dezembro, estão em certa vantagem, pois têm mais tempo para estudar conteúdo menor. "Assim como o Pism já faz, o Enem vai valorizar, cada vez mais, a preparação gradual do aluno nos três anos do ensino médio."
O professor e coordenador de geografia do Colégio dos Jesuítas, Wilson Ferreira Pereira Júnior, acredita que trabalhar com o programa do Pism no ensino médio facilita a assimilação de conteúdo para o Enem no 3° ano. "São programas muito próximos, já que o Pism também trabalha muito com atualidades, contextualizações e interpretações. Mas, para aqueles que optam pelo vestibular, temos sempre a preocupação de focar mais especificidades conceituais, o que, ao ser aproximado da realidade atual, também fica mais fácil de ser abordado e absorvido."

