Ícone do site Tribuna de Minas

Um olhar para os catadores

Toda segunda, voluntárias saem às ruas para ajudar catadores de materiais recicláveis (Foto: Leonardo Costa)
Toda segunda, voluntárias saem às ruas para ajudar catadores de materiais recicláveis (Foto: Leonardo Costa)
PUBLICIDADE

Um grupo de Juiz de Fora vem encontrando espaço para exercer a solidariedade nos depósitos que recebem os materiais coletados pelos catadores de recicláveis. Sem vínculos políticos ou religiosos – elas se denominam apenas cristãs -, sete amigas de diferentes idades e ocupações saem de suas casas todas as segundas-feiras à noite para ajudar os profissionais que retiram o sustento do lixo. A ação ficou conhecida como “Ronda da Graça”, em referência à assistente social Maria das Graças Soares Aleixo, de 64 anos, que desde a adolescência atua em projetos sociais e, há 14 anos, dedica atenção especial aos catadores de materiais recicláveis. “Sempre me coloquei no lugar do outro. Comecei aos 12 anos fazendo campanha do quilo em Três Rios (RJ). De lá para cá, nunca mais parei de ajudar ao próximo”, diz Graça.

A escolha por esse público se deu porque, apesar da importância ambiental, econômica e social, é um grupo de trabalhadores desvalorizado, com muitos integrantes vivendo em condição de rua. Por isso, semanalmente, as mulheres percorrem os três depósitos que recebem os materiais nas ruas Floriano Peixoto, Francisco Maia e 31 de Maio. Elas vão a esses locais justamente nos horários em que os trabalhadores chegam para vender os materiais coletados ao longo de todo o dia. Nas mãos, as voluntárias levam lanches, roupas, agasalhos e cobertores.

PUBLICIDADE

“Depois dos depósitos, vamos ainda em alguns cantos e esquinas onde muitos catadores dormem, porque entregam seus materiais de manhã”, explica a defensora pública Ana Lúcia Leite, 49, uma das voluntárias do projeto. Mais do que ajuda material, as amigas levam palavras de conforto e ainda tentam resolver problemas pontuais que os trabalhadores enfrentam em casa ou nas ruas, onde a maioria dorme.

“Na medida em que dividimos o pão, eles também compartilham a vida deles com a gente. Os catadores são pessoas muito especiais, mas são invisíveis, embora o trabalho deles seja de alta relevância para a sociedade”, resume Ana Lúcia.

 

Como ajudar?

PUBLICIDADE

Os recursos dos materiais doados vêm das próprias voluntárias. Mas o grupo também recebe doações de cobertores, agasalhos, roupas masculinas, além de materiais para o lanche e dinheiro. As voluntárias da “Ronda da Graça” pretendem ainda vender uma tela doada pelo artista plástico Marcelo Horta. O dinheiro da venda será revertido para a campanha que ajuda os catadores de papel. Quem puder e quiser ajudar com a doação de materiais ou tiver interesse em adquirir a tela pode fazer contato pelo telefone 8862-6590.

Sair da versão mobile