A dificuldade de visibilidade foi constatada pela Tribuna, primeira equipe a chegar ao local do acidente com o bimotor, às 8h. Veículos que trafegavam pela área precisaram ligar o farol devido a essas condições. A dona da pousada atingida, Ana Marta Martoni, reforça a baixa visibilidade na área e diz que estava no computador no momento do acidente. "Estava tudo branco por causa da cerração. De repente tremeu tudo e vimos uma bola de fogo. Quem não estava acordado acordou com o estrondo. Quando olhamos para fora, vimos que o quiosque próximo à piscina havia sido atingido e constatamos que um avião caiu. Por sorte não atingiu a estrutura da pousada, que estava cheia, com 58 hóspedes." Um dos hóspedes é o representante comercial Everton Nunes, 35 anos, que veio de Fortaleza a trabalho e agora está com medo de voltar de avião. "Foi um barulho horrível. E, depois do acidente, vimos pedaços e peças do bimotor para todo lado."
Morador da região, o engenheiro Nicolau Falabella, 60, assistia aos jogos olímpicos pela televisão quando houve a queda. "Ouvi alguns estalos e depois um estrondo. Aí já percebi que poderia ser avião. Também imaginei que não fosse de nenhuma linha comercial de passageiros, porque moro aqui há muito tempo e sei que nesse horário não há voos convencionais."
Um pedreiro, 45, que preferiu não se identificar, diz que trabalhava em uma obra próxima à cabeceira da pista do Serrinha e que viu o avião descendo. "Havia muito nevoeiro, mas não parecia que estava pousando. a impressão era de que estava caindo."
Eletricidade e trânsito
Como a região ficou sem luz e telefone em decorrência do acidente, a administradora Ana Paula Vieira Mistruzzi, 45, viveu momentos de apreensão. O pai dela, de 86 anos, fez uma traqueostomia e, por isso, precisa receber alimentação por sonda, utiliza uma cama elétrica e também necessita de energia para que consiga aspirar. Sem luz desde 7h50, ela solicitou providências da Cemig ou que alguma ambulância removesse o idoso do local, já que a residência dela ficou isolada com a interdição das vias de acesso à Rua Décio Guanabarino. Um funcionário da Cemig verificou a situação e no fim da manhã disponibilizou um gerador para garantir segurança ao acamado. Na tarde de ontem, a companhia de eletricidade começava a restabelecer a eletricidade.
De acordo com o assessor de comunicação da 4ª Região da Polícia Militar, major Sérgio Lara, o acesso ao local do acidente precisou ser impedido para facilitar as buscas e impedir a aglomeração de curiosos. Devido às interdições, houve retenções de veículos na região do Aeroporto.
