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Sem recursos para rodovia

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Novo acesso seria na altura de João Ferreira
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Novo acesso seria na altura de João Ferreira

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Quatro anos depois do anúncio da construção do acesso ao Aeroporto Regional da Zona da Mata, ligando a BR-040 à MG-353, o projeto ainda não saiu do papel. Mesmo tendo sido incluída na dotação orçamentária de anos anteriores, não há previsão de quando a estrada, com destino ao segundo maior aeroporto do estado, se tornará realidade, já que o Governo ainda está na fase de busca de recursos. O contrato de 30 meses com a Camter Construções e Empreendimentos S.A, empresa que executaria o novo acesso, expirou no último mês de maio, sendo prorrogado por igual período, mas nem mesmo a firma tem informações sobre o possível início das obras. Se as intervenções não acontecerem neste prazo, a Secretaria Estadual de Transportes e Obras Públicas (Setop) terá que refazer todo o processo de licitação. Diante da perspectiva de a Azul Linhas Aéreas começar a operar no aeroporto a partir de agosto e do futuro transporte de cargas, que poderá contar com cargueiros de até 200 toneladas, a preocupação em relação à indefinição da estrada aumenta, visto que todo o tráfego irá desembocar na MG-353 – rodovia com geometria antiga, sinuosa, sem acostamentos – e cair dentro de Juiz de Fora, atravancando ainda mais o trânsito urbano.

O assunto repercute em todas as esferas. Prefeitos de cidades como Rio Novo e Goianá, região onde o sítio aeroportuário está instalado, clamam pelo novo acesso, assim como empresários da região. O tema também foi uma das principais discussões no último dia 20, na Assembleia Regional da Zona da Mata, organizada pela UFJF. Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, pede o início imediato das obras do novo acesso. "Não há problemas de desapropriação, já estão com o licenciamento ambiental, as condicionantes ambientais podem ser cumpridas juntamente com o desenvolvimento das obras, a empresa que fará o acesso está com tudo homologado, o projeto está pronto, só falta a ordem de serviço. O governador Antonio Anastasia (PSDB) nos informou que está em fase de recolhimento do dinheiro, mas não podemos mais esperar. O início imediato das obras é prioritário para o desenvolvimento econômico sustentável de nossa região e, consequentemente, de todo o Estado de Minas Gerais. Sem o acesso, teremos um aeroporto perneta." Presidente da Associação Comercial de Juiz de Fora, Aloísio Vasconcelos também é enfático. "O aeroporto tem tudo para começar, mas, sem estrada, é inviável, principalmente o transporte de passageiros."

Antônio de Moura Varotto (PPS), prefeito de Rio Novo, também cobra uma resposta concreta do Governo. "Vimos participando de todas as discussões, e, em maio do ano passado, após a Supram (Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) conceder a licença ambiental, a expectativa era de que houvesse um início imediato das obras, entretanto, até hoje nada. Para que o aeroporto funcione e as empresas consigam se manter, é preciso que a estrada saia do papel, ou que pelo menos invistam na MG-353, para aumentar sua capacidade viária. O traçado da via tem mais de 50 anos, não há acostamento, e o tráfego de veículos pesados é imenso. Sem obras, passageiros e cargas não chegarão a tempo."

Presidente da Associação da Microrregião do Vale do Paraibuna (Ampar), Marcílio Vieira Pacheco questiona a falta de reflexões sobre a acessibilidade ao aeroporto. "Antes de se construir, teriam que ter pensado em como chegar no local, se existia ou não morros ao redor. Agora ele está pronto e não pode ter nada que atrapalhe seu funcionamento. A região inteira está na expectativa da solução dos problemas."

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Em visita a Juiz de Fora, no último dia 11, o governador Anastasia disse que a liberação da ordem de serviço do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) para o início das construção da rodovia, com custo estimado de R$ 50 milhões, só depende do recolhimento dos recursos financeiros, já em andamento. "(A obra) é uma das nossas prioridades. Pretendemos inaugurá-la no curso do nosso mandato."

 

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Prejuízo para vias já saturadas da cidade

Sem rotas alternativas, todo o fluxo de veículos de várias cidades da Zona da Mata, como Viçosa, Ubá, Piraúba, Rio Pomba, Visconde do Rio Branco, e o tráfego vindo do Aeroporto Regional, precisam passar por dentro de Juiz de Fora. Carros de passeio e caminhões pesados são obrigados a trafegar pelos bairros Grama, Bandeirantes e Santa Terezinha até chegar à Avenida Brasil, trecho considerado, pela Settra, um dos mais saturados da cidade atualmente. A maior parte deste fluxo é direcionado para a região Central da cidade até a Avenida Independência, de onde os automóveis seguem para o Salvaterra para acessar a BR-040.

Acidentes com carretas já são frequentes em vários pontos, sobretudo na serra entre os bairros Grama e Bandeirantes e no Bairro Santa Terezinha. Além das ocorrências, as retenções e o trânsito lento são certos, sobretudo em horários no início da tarde e da noite. Francisco Campolina, presidente da Fiemg – Regional Zona da Mata, diz que a situação ainda pode piorar com o início de operação do aeroporto. "Hoje temos centenas de ônibus que cortam Juiz de Fora oriundos de cidades cujos habitantes utilizam a MG-353. Em agosto, a Azul Linhas Aéreas deve começar a operar com dois voos diários, e, consequentemente, terão mais dois coletivos cortando a Rio Branco ou dezenas de táxis para levar os usuários ao aeroporto. Imagina daqui quatro, cinco meses, quando começarem as operações de aviões de carga, cada um enchendo uma média de cinco carretas. Elas terão que descer pela Serra de Grama e desembocar em Santa Terezinha. Será mais um entrave para o trânsito de Juiz de Fora. Por isso, para a cidade, a região e os usuários do aeroporto, a estrada é de suma importância."

Em 2007, quando foi feito o anúncio do acesso ao aeroporto, o consultor e especialista em transporte e mobilidade urbana José Ricardo Daibert já fazia o alerta. "A cidade recebe o tráfego que chamamos de través, ou seja, aqueles veículos que utilizam as vias da cidade, mas não têm o município como destino. Como as principais rodovias que circundam Juiz de Fora não são interligadas por anéis rodoviários, os carros têm que, necessariamente, passar pelas vias centrais. Com o aeroporto, a tendência é de que a situação se agrave. Além disso, não há infraestrutura rodoviária para fazer funcionar o sistema logístico do aeroporto regional", explicou Daibert, fazendo referência também à MG-353.

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