Até o final do ano, Juiz de Fora deverá ter seu primeiro laboratório de biologia molecular para atendimento à população. Sob a responsabilidade da Faculdade de Farmácia e Bioquímica e do Hospital Universitário (HU/UFJF), a unidade contará com equipamentos para a realização de exames CPR em tempo real, ferramenta que permite diagnóstico mais específico e preciso de doenças como hepatites B e C, HIV e leucemias, além de ser utilizado para testes de DNA para confirmação de paternidade, por exemplo. Conforme o vice-coordenador da faculdade, José Otávio do Amaral Corrêa, hoje até mesmo os laboratórios particulares da cidade, nestes casos, enviam os materiais coletados dos pacientes para análise em Belo Horizonte, o que implica em até 50 dias de espera pelos resultados. A estimativa é de que a unidade local reduza este prazo para, no máximo, dez dias, e tenha capacidade para atender a cerca de 300 pessoas por mês.
Oitocentos mil reais, provenientes de recursos próprios da UFJF, já estão garantidos para a compra de equipamentos – o que consumirá cerca de R$ 550 mil – e obras de adaptação do atual Laboratório de Análises Clínicas. O projeto feito pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo será submetido à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na próxima semana, a fim de que o serviço possa ser credenciado ao SUS. Paralelamente, correm os preparativos da licitação para a aquisição da aparelhagem. A nossa expectativa é de que o serviço já esteja sendo oferecido à população até o final deste ano, afirma José Otávio.
O professor ressalta que a técnica amplia as possibilidades de diagnóstico. A maioria das doenças é pesquisada por meio de antígenos – parte do micro-organismo – ou anticorpos – defesa que o corpo produz. Com as técnicas atuais, se a quantidade de antígeno no sangue for muito pequena, a doença não é identificada. Ou se o sistema imunológico ainda não produziu ou não consegue produzir anticorpos, também não detectamos. O PCR é hoje a técnica mais sensível, porque pega pequenas quantidades de DNA ou RNA em uma amostra biológica e as amplifica, permitindo encontrar e quantificar o material que está sendo procurado, explica. Um paciente com hepatite C, por exemplo, depende estritamente dessa ferramenta, pois é a única que permite identificar o genótipo do vírus e a carga viral, o que vai determinar a droga utilizada e o tempo de tratamento.
Parceira
Por meio de parceria com a Defensoria Pública Estadual, o novo laboratório ainda poderá ajudar a reduzir a demanda do Judiciário, ao realizar exames de DNA para confirmação de paternidade sem que seja necessária a obtenção de mandado judicial. A intenção é que possamos requisitar os testes diretamente à UFJF, sem passar pela Justiça, o que implica na abertura de mais um processo e em uma demora de cerca de dois anos até a obtenção do resultado, ressalta a defensora Ana Lúcia Marcolino.
