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JF tem primeira morte por dengue este ano

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Foi registrada, em Juiz de Fora, a primeira morte em decorrência da dengue em 2011. O servente de pedreiro Leonardo José Gomes dos Anjos, 31 anos, morreu, por volta das 19h de quarta-feira, no Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, após ter sido internado, dois dias antes, com grave insuficiência renal e pulmonar. Conforme consta no boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), o caso já está entre as 12 suspeitas de óbito por febre hemorrágica da dengue sob investigação em Minas. Uma morte pelo tipo mais grave da doença já havia sido confirmada há duas semanas, na cidade de Recreio, na Zona da Mata, a 136 quilômetros de Juiz de Fora. A Secretaria de Saúde do município foi notificada e informou que o caso está sendo investigado.

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De acordo com a esposa de Leonardo, Ingrid Janice Marciano Gervaso, o servente teria começado a se sentir mal há uma semana, na Quinta-feira Santa, quando o casal e os filhos estavam em Piúma (ES). Ele teve febre alta e se queixava de dor no corpo. O quadro foi piorando e, no sábado, quando procuramos um posto de saúde, ele já estava tossindo e expelindo uma secreção escura. Não conseguimos fazer todos os exames no dia e nem encontramos um médico particular que o atendesse. No domingo, ainda na cidade capixaba, Leonardo reclamou de fortes dores abdominais.

Chegando em Juiz de Fora, por volta das 23h30, foi internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Luzia. Ele ficou na UPA a madrugada toda e, na segunda-feira, seria transferido para a UTI do HPS, mas não havia vaga. Por volta das 23h30, ele foi levado para a maternidade, já entubado e inconsciente, diz a esposa. Na terça-feira, ele já não respondia à hemodiálise e respirava com ajuda de aparelhos. No dia seguinte, o quadro se agravou, e o paciente não resistiu, falecendo no início da noite.

Segundo Ingrid, os médicos teriam dito que Leonardo pode ter contraído uma versão branda da dengue antes do feriado, curada sem maiores complicações. Ao ser novamente infectado, ele teria sido acometido por uma versão mais grave. Ainda segundo a esposa de Leonardo, o diagnóstico de dengue hemorrágica havia sido dado pelos médicos da maternidade ainda na segunda-feira. No atestado de óbito, constam, como causas da morte, síndrome do choque da dengue, dengue, síndrome febril e insuficiência renal aguda.

Evolução da doença

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De acordo com o infectologista Rodrigo Daniel de Souza, a evolução para febre hemorrágica pode ocorrer desde o primeiro episódio de dengue, porém o risco é maior em infecções subsequentes. O organismo tenta combater o vírus, mas, como o sorotipo é diferente, a defesa é feita de forma errada, o que aumenta as chances de hemorragia, explica. Ele lembra, ainda, que a dengue hemorrágica – caracterizada pela fragilização dos vasos sanguíneos e perda da parte líquida do sangue – ocorre em quatro estágios, sendo o mais grave a síndrome do choque. Quanto mais tempo demorar o socorro à suspeita de dengue e o início da hidratação, mais chances de haver complicações.

Além de Juiz de Fora, com 902 notificações, e Recreio, com 647, outras quatro cidades da Zona da Mata permanecem entre os 20 municípios mineiros com mais casos de dengue: Rio Novo – que acumula 1.061 notificações -, Leopoldina, Matias Barbosa e Cataguases. Segundo o boletim da SES, o estado contabilizava, até a última quarta-feira, 30.284 pessoas contaminadas pelo vírus, sendo 64 com complicações.

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Vítima morava em frente à casa com acúmulo de lixo

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Leonardo José Gomes dos Anjos morava na Rua Pedro Paulo Pinheiro, no Bairro Santa Cândida, Zona Leste. A casa fica em frente a um imóvel do qual toneladas de entulho são retiradas pelo Demlurb periodicamente, há mais de 15 anos. Contudo, os moradores afirmam que o serviço não impede que o material se acumule, já que a proprietária do imóvel, uma aposentada de 72 anos, sempre volta a recolher material descartado e depositá-lo no terreno.

Em novembro do ano passado, a Prefeitura informou que havia uma liminar da Justiça que permitia a entrada de servidores que atuam na limpeza municipal no imóvel para retirar os entulhos. Na época, era planejada uma ação conjunta entre diversos órgãos, para que uma solução do problema pudesse ser traçada.

A família de Leonardo acredita que o depósito de detritos possa ser um agravante na proliferação do mosquito da dengue. Todo esse lixo acaba nos expondo mais a riscos de pegar doenças, diz a esposa da vítima, Ingrid Janice Marciano Gervaso. De acordo com a comunidade, três moradores da rua já contraíram a moléstia.

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Segundo o diretor de operações do Demlurb, José Fabiano de Resende, na última limpeza realizada na casa, há cerca de cinco meses, foram retiradas 20 toneladas de lixo e entulho. Porém, atualmente não há requerimentos para ação no local. Ele acredita que a construção de um muro alto ao redor da residência tenha tirado a visibilidade do material acumulado no imóvel.

Fumacê

Os trabalhos de pulverização realizados pelo carro fumacê, utilizado para eliminar o Aedes aegypti em sua fase adulta, visita mais 34 bairros até domingo. Os moradores devem deixar as janelas abertas, cobrir gaiolas de passarinhos e manter-se nos fundos das casas, caso tenham problemas respiratórios. A lista com os bairros e horários das visitas está disponível no site www.pjf.mg.gov.br.

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