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Cartórios e setor de eventos registram aumento no número de casamentos em JF

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Quando se fala em casamento, a palavra ‘espera’ está sempre presente: a espera pelo grande dia, pela noiva, pelo momento de dizer ‘sim’. Mas o que os casais que planejaram se casar em 2020 não sabiam era que a espera pelo grande dia poderia ser mais longa. Em razão da pandemia de Covid-19, muitos matrimônios foram adiados. Entretanto, após um período de queda expressiva no número de casamentos, os cartórios brasileiros registraram crescimento de 27,61% nas uniões matrimoniais nos dez primeiros meses de 2021. Em Juiz de Fora não foi diferente: entre janeiro e outubro, a quantidade de casamentos aumentou 3% nos cartórios da cidade. Apesar de a porcentagem ser menor em comparação ao índice nacional, o setor de eventos já observou procura 30% maior nos itens relacionados às festas de casamento.

Conforme dados do Portal da Transparência do Registro Civil, 1.911 casamentos civis foram realizados nos dez primeiros meses deste ano em Juiz de Fora. No mesmo período de 2020, o número de matrimônios foi de 1.855. O aumento na quantidade de casamentos na cidade foi notado já em janeiro, quando foram registrados 217 casamentos, enquanto que, em 2020, antes mesmo do começo da pandemia no Brasil, foram 211 matrimônios. O maior crescimento em comparação com o ano passado, entretanto, ocorreu em abril e em maio.

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Empresária Alessandra Pasqualini notou que procura por vestidos de noiva foi crescendo conforme flexibilizações foram adotadas na cidade (Foto: Fernando Priamo)

Rielen Carolina Mathias e Rodrigo Costa estão entre os casais que ainda aguardam o melhor momento para comemorar sua união. No mês de maio de 2021, eles remarcaram a data de seu casamento pela terceira vez, para 11 de dezembro. O casal se casou no civil em outubro de 2019, e há dois anos estão planejando o casamento na igreja e a festa. “Foi muito assustador, perdi vários fornecedores com as remarcações”, relata Rielen, que planeja, mesmo seguindo todos os protocolos sanitários, fazer o casamento apenas para a família e amigos próximos. Com o avanço da vacinação, Rielen conta que se sente mais segura e com menos medo de ter que fazer uma nova remarcação.

O casal decidiu se casar na Igreja do Rosário, e a festa será feita em uma granja. Entretanto, inicialmente, todo o evento tinha sido planejado para acontecer à noite, mas devido às medidas de restrição impostas, a celebração foi remarcada para ocorrer a partir das 16h. Apesar da espera e das mudanças, o casal está muito ansioso e alegre. “Finalmente vamos poder ter nosso sonhado grande dia, depois de quatro remarcações”, comemora a noiva.

Para sindicato, aumento tem relação com avanço da vacinação

De acordo com o presidente do Sindicato dos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Minas Gerais (Recivil), Genilson Gomes, a alta retomada dos casamentos ocorre em razão do avanço da vacinação no país. “Em alguns cartórios a demanda aumentou bastante, e as agendas estão lotadas, o que é muito bom para o Recivil, já que além de estimularmos o casamento, também dependemos muito dessa celebração para nos manter, pois são poucos os atos pagos que são feitos nos registros civis. A realização de poucos casamentos criaria até uma dificuldade na manutenção dos trabalhos e, consequentemente demissões de funcionários e mudanças de estrutura”, afirma Genilson.

Ele ressalta que as celebrações nos cartórios continuam respeitando os protocolos de segurança sanitária, como o limite de pessoas na cerimônia, o distanciamento, a exigência de máscaras e a distribuição de álcool em gel.

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Boom de casamentos e retomada do mercado

Nas igrejas onde tradicionalmente são realizados mais casamentos em Juiz de Fora, como a da Paróquia Nossa Senhora da Glória, a Catedral Metropolitana, a da Paróquia Santa Cruz e a Igreja São Mateus, entre outras, foram feitas mais de 235 remarcações de cerimônias para 2021 ou 2022, conforme aponta o levantamento realizado pela assessoria da Arquidiocese de Juiz de Fora. Apenas na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, local em que Rielen e Rodrigo decidiram se casar, foram remarcados 11 casamentos.

Rielen e Rodrigo se casaram no civil em 2019, e há dois anos planejam festa, já remarcada três vezes (Foto: Arquivo Pessoal)

Com esse boom de casamentos remarcados para os próximos meses, o setor relacionado a eventos, que ficou praticamente parado durante toda a pandemia, retoma com uma intensa demanda. O aumento da procura por vestidos e adereços de noiva, por exemplo, foi observado pela sócia da loja Véu de Noiva, Alessandra Pasqualini. Segundo ela, na medida em que houve flexibilizações com relação a pandemia, a procura pelos vestidos se intensificou, e a loja registrou um crescimento de 30% nas vendas nos últimos meses.

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“Sofremos muito com a pandemia, nossa área de festas foi a mais atingida financeiramente, lutamos muito para continuar com a empresa”, afirma a empresária. A loja de Alessandra está há dez anos no mercado e, neste momento, a equipe notou uma mudança no comportamento das escolhas para casamentos. Agora, a tendência é realizar a celebração no mesmo local da festa.

Readequação

Também por conta das mudanças no comportamento e exigências dos consumidores e com o aumento da demanda pelos serviços de cerimonial, a empresa Realizza Cerimonial precisou se readequar. “Foi um recomeço diferente, nunca na história passamos por isso. Tivemos que nos adaptar ao novo e passar segurança aos nossos clientes, mostrando, com responsabilidade, o cumprimento de todos os protocolos de segurança municipais estabelecidos”, afirma a assessora de eventos da empresa, Lenízia Giovana.

Desde o início da pandemia, o setor de eventos foi diretamente afetado, com mudanças de planos para os eventos, festas adiadas ou canceladas. No entanto, em julho deste ano, a assessora observou um aumento de cerca de 30% na demanda, e a maior diferença nos pedidos foi com relação ao número de convidados, que diminuiu. Segundo Lenízia, atualmente, a busca por casamentos mais intimistas, com apenas familiares e poucos padrinhos e madrinhas, é maior.

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