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Filósofo defende limites no uso da tecnologia

renata carbogin e o filho jose felipe 6 anos tem um trato primeiro o estudo depois o game

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Olavo Prazeres
Renata Carbogin e o filho José Felipe, 6 anos, têm um trato: primeiro o estudo, depois o game
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Depois da escola, que acaba às 17h, o videogame está liberado. Desde que a manhã seguinte seja dedicada aos estudos. É este o trato que a jornalista Renata Carbogin tem com o filho José Felipe, 6 anos. “É complicado fazer com que ele se interesse pelos deveres, porque as crianças desta geração, nos momentos de lazer, têm acesso a vários aparelhos tecnológicos, que oferecem uma infinidade de coisas: jogos, vídeos…, e a escola ainda continua muito ‘analógica’. São realidades diferentes e, muitas vezes, conflitantes”, conta a mãe. Com um olho no caderno e outro no Nintendo DS 3D (videogame portátil), José Felipe também reconhece a distância entre a maneira como se relaciona com os dispositivos eletrônicos em casa e na escola. “Tem aula de informática no colégio, mas nunca preciso usar o computador ou o tablet para fazer dever”, conta ele.

Em entrevista à Tribuna (por e-mail, reforçando o uso das mídias eletrônicas na vida pessoal e profissional da sociedade), o filósofo francês Pierre Lévy, especialista em cibercultura (e autor de livro homônimo) acredita que estamos vivendo o início de uma grande transformação cultural, que impacta diretamente a maneira como o conhecimento é construído. “O fato de as informações serem acessadas por meio de um smartphone, de um tablet ou de um PC, ao invés de por uma folha de papel impressa, por uma tela de televisão ou de cinema ou por um telefone tradicional, é secundário. Para os jovens, o digital não representa uma nova mídia, mas sim a mídia ‘normal’, a que eles conhecem, e é imediatamente disponível”, observa Lévy.

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A naturalidade e a destreza com que José Felipe – que ainda está aprendendo a ler- maneja o tablet corrobora com a visão do filósofo, demonstrando que as gerações mais jovens de fato têm uma relação distinta com os processos de aprendizagem. Para a mãe do garoto, seria importante que as escolas incorporassem essa realidade às práticas pedagógicas, algo que ela procura fazer em casa. “São coisas simples, como perguntar a ele as letras que estão aparecendo no jogo, uma palavra em inglês que ele já aprendeu na aula, mas que permitem que a tecnologia trabalhe a favor da educação escolar”, diz ela.

Para Pierre Lévy, a iniciativa de Renata é fundamental para que tecnologia e ensino/aprendizado caminhem juntos, e a prática deve ser estendida aos professores. “A educação está em desenvolvimento constante. As novas formas de comunicação e as redes sociais, quando bem utilizadas, podem favorecer a aprendizagem coletiva e a circulação das ideias. Hoje, se você é alfabetizado, pode se comunicar com o mundo todo a um custo muito baixo, e também pode receber informações de qualquer lugar do planeta.” Neste processo em contínuo andamento, com novas ferramentas disponíveis à construção do saber, os papéis dos pais, professores e dos próprios alunos também passam por transformações.

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