A decisão do Ministério da Educação (MEC) de cancelar o Enem para 639 alunos do Colégio Christus, de Fortaleza (CE), e a possibilidade de anulação do exame em todo o país, conforme foi solicitado pelo Ministério Público Federal do Ceará, abriu espaço para questionamentos em relação à segurança na distribuição da prova. O MEC reconheceu que um simulado feito pela escola, duas semanas antes do Enem, continha oito questões idênticas ao exame nacional. Segundo especialistas, a principal consequência da falha é a perda de credibilidade do exame. É impossível que fatos como este, que estão se tornando recorrentes, não influenciem os conselhos de graduação das instituições de ensino, opina o pró-reitor de graduação da UFJF, Eduardo Magrone. No ano passado, o Enem foi suspenso e precisou ser refeito em todo Brasil, após problemas na impressão que prejudicaram parte dos candidatos.
Para o coordenador da área de humanas do Cave, Marcos Vinícius Siqueira Dutra, quem mais tem a perder são os alunos que podem ser submetidos ao estresse de uma nova prova. O Governo está tentando fazer algo grandioso, sem conseguir arcar com toda a estrutura. Ainda segundo o professor, a forma como se deu a expansão da adoção do exame como porta de entrada das universidades também é questionável. Parece que foi um processo muito mais político do que educacional, com muito mais negociação entre o governo e as instituições do que uma discussão ou constatação de que é a melhor forma de seleção.
Já na opinião do coordenador de pesquisa do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caed) da UFJF, Tufi Machado Soares, a dimensão do transtorno é pequena e a tende a ficar localizada, apesar da repercussão nacional. O MEC já aprimorou bastante a segurança e a distribuição do teste, inclusive em função de problemas anteriores. O impacto, desta vez, é menos extenso, e poderia ser menor ainda, se o número de opções no banco de questões fosse maior e a escolha dos itens que entram para a prova obedecesse a critérios mais rigorosos.
