O caso da adolescente de 17 anos que teria sido estuprada durante uma festa de recepção a calouros no Campus da UFJF, no dia 13 de abril, continua em aberto. Mesmo quase seis meses após a ocorrência, ainda não há suspeitos, tanto na investigação conduzida pela universidade quanto no inquérito aberto pela Polícia Civil. De acordo com a assessoria de comunicação da polícia, o caso será encaminhado à Justiça nos próximos dias. Na universidade, a sindicância foi instaurada imediatamente após o acontecimento, mas não houve conclusão após o prazo estabelecido de 60 dias.
Segundo a assessoria de comunicação da instituição, a comissão se reuniu diversas vezes e ouviu várias pessoas. Com o retorno das aulas após a greve, no dia 12 de setembro, um processo disciplinar foi instituído. A universidade informou que, durante o período de paralisação, a investigação foi impossibilitada, devido à dificuldade em contatar professores, técnicos e alunos. Ainda conforme a assessoria, o novo prazo para a conclusão do processo é de 60 dias, podendo ser prorrogado por igual período. A Tribuna tentou conversar com integrantes da equipe de apuração do processo, mas não foi possível entrar em contato, pois tanto o andamento dos trabalhos quanto a identidade dos membros é de caráter sigiloso.
Na ocasião do crime, a instituição baixou uma portaria, suspendendo temporariamente os eventos festivos que não estejam diretamente ligados às atividades acadêmicas. A previsão era de que a decisão fosse mantida até a definição de novas normas sobre o uso do campus, com aprovação do Conselho Superior (Consu), composto por representantes de todas as categorias da UFJF. Até o momento, a proibição continua em vigência.
Família da estudante busca justiça
Entre os familiares da estudante, residentes no interior de São Paulo, predomina a sensação de impunidade. Esperamos que haja justiça. Estamos acompanhando o caso muito de perto, nosso advogado vai com frequência a Juiz de Fora, relata o pai da garota. O pior é que, no fundo, acho que não vai dar em nada, ligo para a delegacia e nunca há novidade. Na universidade, a mesma coisa. É desanimador e revoltante. Mas é nosso papel não desistir, completa o empresário. Tudo isso trouxe muito sofrimento à nossa família. Minha filha emagreceu uns 20kg, minha esposa está em depressão. São danos irreparáveis.
Em Vitória (ES), caso semelhante registrado neste mês foi rapidamente solucionado. Uma jovem de 19 anos foi estuprada durante uma festa de música eletrônica, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Segundo relato da vítima, um homem armado a rendeu enquanto ela procurava um banheiro e a violentou. Pouco depois, um segurança do evento flagrou o suspeito conduzindo a moça, com uma arma apontada para sua costela. O homem foi preso em flagrante e a jovem, encaminhada para exames.
Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, um dos fatores que dificulta a penalização ou mesmo indicação de suspeitos e, por consequência, atrasa a investigação, é o fato de a vítima não reconhecer seu agressor. Indagada pelos investigadores, a jovem teria se relatado incapaz de apontá-lo caso fosse posta frente a frente com suspeitos em potencial.
