
Márcio Macedo mostra poeira nos utensílios domésticos
Moradores da Cidade do Sol, na Zona Norte, fizeram um bloqueio na Rua 1, próximo à antiga Facit, na tarde de ontem. Por cerca de três horas, a passagem de caminhões em direção ao bota-fora existente no local foi impedida pela comunidade, que está revoltada com a área, transformada em um verdadeiro lixão. O problema começou há três meses. Diariamente centenas de caminhões passam pela via, que já está com o calçamento deteriorado. A circulação dos veículos pesados estaria provocando rachaduras nas casas, além de aumentar a probabilidade de doenças respiratórias, como bronquite e alergias.
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O tráfego foi interrompido por volta das 14h, e o bloqueio se manteve até as 17h30, quando um representante da Empav se comprometeu a encaminhar as solicitações dos moradores à pasta. A situação havia sido denunciada pela Tribuna na última quarta-feira, quando especialistas afirmaram que o despejo irregular de plásticos, papéis, madeira e até eletrônicos estaria levando riscos ambientais ao córrego que corta a região e problemas sanitários à população. O Poder Público autorizou apenas o transbordo de terra e resíduos da construção civil para aterrar a área.
Uma fila de pelo menos 20 caminhões se formou até o cruzamento da via com a Avenida Juscelino Kubitschek. A Polícia Militar esteve no local. A necessidade de asfaltamento e calçamento, a colocação de bocas de lobo e o abastecimento de água, que segundo os moradores, não chega a todas as residências, também foram reivindicados. "Aqui passam 25 caminhões por hora, são 300 por dia. Os muros ficam muito trincados pelo fluxo de caminhões. Na minha casa, são cinco pessoas. Quando a casa cair, posso morar na sua?", indagou o aposentado José Meireles, 53 anos, a um representante da Empav que teria atendido sua reclamação por telefone. E acrescentou: "Nossas crianças precisam começar a morrer para tomarem providência?"
A doméstica Neide Aparecida Marques, 44, relata que o fluxo de veículos de carga pesada impede a entrada de caminhões de lixo, que acabam por não chegar na casa das pessoas. "Eles passavam três vezes por semana. Agora, somente uma. Isso vai durar até quando?" Os questionamentos não param. Outros moradores apontam para alternativas de via para a Rua 1, como pela BR-267. De acordo com o diretor-técnico da Empav, José Walter, tanto as reivindicações como as alternativas de vias serão levadas para análise da pasta. "Existe um projeto de urbanização na região, que prevê água, esgoto e asfalto. Já está previsto, para a próxima semana, o início da drenagem de água para a canalização." Ainda conforme Walter, não há prazo para o fim do aterro. A expectativa é de que o despejo se encerre com o preenchimento total do buraco, onde se formou um lago. Indignada, a cabeleireira Editeia Meireles disse que de nada adiantam reuniões se os problemas não forem sanados. "Não aguentamos mais. Já fizemos abaixo-assinado e entramos em contato com a Prefeitura. Antes de asfaltar, queremos que os caminhões parem de passar." Os manifestantes não descartam a possibilidade de fazer um novo bloqueio.
Drama familiar
Pais de uma menina de 10 anos e de um menino de 3, o acabador Márcio David Macedo, 28, e sua mulher, a operadora de caixa Jaqueline Nogueira, 28, reclamam, principalmente, dos problemas respiratórias dos filhos por causa da poeira. "Meu filho passou a ficar alérgico e a ter bronquite asmática. Não temos mais remédio." Segundo eles, o excesso de velocidade e o fluxo dos veículos não permite que as crianças brinquem na rua. "As roupas ficam sujas, as paredes estão trincadas e é muito barulho. Até às 16h de sábado temos caminhões trafegando", disse Macedo. O acabador explicou que teve que parar de fazer uma obra na parte superior de sua residência, por causa do medo das rachaduras.

