
Em assembleia nesta sexta-feira (27), professores votaram pela manutenção do movimento
Após 72 dias de greve dos professores da UFJF e 47 do movimento relativo aos funcionários técnico-administrativos da instituição, os docentes não aceitaram a proposta de reajuste e plano de carreira oferecida pelo Governo federal nesta semana e, em assembleia realizada ontem pela Associação de Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), decidiram manter a paralisação local. Eles reforçaram as reivindicações da categoria, seguindo o movimento nacional. Já os funcionários aguardam uma proposta do Executivo e têm assembleia marcada para o próximo dia 30, conforme informações do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino de Juiz de Fora (Sintufejuf). Enquanto o embate não se resolve, os impactos inerentes a qualquer paralisação já se tornam patentes não só na universidade, mas também no Colégio de Aplicação João XXII e no Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste). Atraso nas formaturas, modificação do calendário acadêmico, interrupção de projetos de extensão e de pesquisa, além de impossibilidade de acesso a equipamentos públicos, como bibliotecas e laboratórios são alguns dos agravantes. Se no princípio de agosto tradicionalmente ocorre o início do segundo semestre letivo, com entrada de calouros aprovados para as segundas turmas, desta vez, não há definição nem de quando as aulas do semestre anterior serão retomadas e o primeiro semestre letivo encerrado.
O pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, esclarece que "prejuízos decorrentes de uma greve longa ainda são restritos à necessária modificação do calendário acadêmico. Assim, quando o movimento estiver concluído, o Conselho Setorial de Graduação irá se reunir em sessão extraordinária para redefinir as datas de término do primeiro semestre letivo de 2012 e início e término do segundo semestre". Conforme o pró-reitor, devido à quantidade de dias que a paralisação atinge, o ano letivo "irá invadir o período tradicionalmente reservado ao recesso de verão" e, por isso, é provável que o próximo semestre só termine nos primeiros meses de 2013.
Assim como pondera Magrone, o presidente da Apes, Rubens Luiz Rodrigues, esclarece que, somente depois que a greve for encerrada, a questão da reposição de aulas será discutida. Segundo Rubens, o movimento "é resultado da irresponsabilidade do Governo em não cumprir o acordado em agosto de 2012 e ter protelado ao máximo a discussão sobre o plano de carreira".
Impactos
Apesar de boa parte dos acadêmicos – inclusive pelo posicionamento do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – ser favorável ao movimento, que luta por melhores condições salariais, de carreira e trabalho, eles já reconhecem alguns prejuízos. Uma mestranda da área de humanas, 27 anos, gostaria de aproveitar o período sem aulas para estudar em casa e adiantar a pesquisa que desenvolve, no entanto, sem poder fazer empréstimo de livros e usar a infraestrutura da universidade, não consegue prosseguir com o objetivo.
Aprovados para os cursos técnicos e no vestibular do IF Sudeste também não puderam fazer matrícula no instituto federal, e a última informação do comando de greve é que as aulas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que ocorrem na unidade e recomeçariam no próximo dia 30, não serão retomadas. Já as colações de grau que ocorreriam ainda este mês ficarão para o próximo semestre, e os formandos ou já formados aprovados em concursos, em cursos de pós-graduação e com previsão de contrato de emprego, precisam de autorização do movimento grevista para ter acesso a diploma, certidão ou à colação antecipada. Em relação às inscrições para as seleções dos cursos de mestrado e doutorado, a Secretaria de Comunicação da UFJF informa que, mesmo com a indefinição de datas e início das aulas, a abertura de editais está mantida.
Estudantes que integram as empresas juniores da UFJF também lamentam não poder atuar na jornada convencional. Segundo o aluno da Faculdade de Administração Marcus Berberick, 23, que também é consultor da empresa júnior Campe, "a maior dificuldade é que as faculdades estão fechando mais cedo, então, as empresas também precisam reduzir o horário". Segundo ele, as reuniões internas que ocorriam sempre à noite, precisaram ser transferidas de turno.

