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Motorista admite discussão com idoso

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O dono do veículo que teve a placa anotada por testemunhas, na noite da última terça-feira, durante uma briga no trânsito, admitiu ontem para a Tribuna que discutiu com o idoso que atravessava a Rua Halfeld, na esquina com a Rua Tiradentes, negando, porém, ter agredido o bancário aposentado. O homem de 37 anos afirmou que era ele quem estava ao volante e disse que o desentendimento foi iniciado após o impasse entre a passagem do carro e a travessia do pedestre. Segundo o condutor, o desentendimento foi motivado ainda porque considerou que o idoso teria agido com abuso de autoridade. Uma testemunha localizada pelo jornal garantiu ter presenciado o momento da discussão entre os dois, afirmando que o motorista estava fora de si. Ela também assistiu ao vídeo obtido pela equipe de reportagem, no qual um veículo do mesmo modelo e cor que o denunciado no boletim de ocorrência estaciona na Avenida Olegário Maciel, de onde um condutor salta correndo e segue em direção à Halfeld, às 21h37, segundos antes do momento em que o idoso diz ter sido golpeado com um chute no peito. Para a testemunha, trata-se da mesma pessoa que discutiu com o pedestre na via pública, embora o dono do veículo afirme que o carro flagrado pelas câmeras de vigilância não era o dele.

Só a forma como o motorista falou com o idoso já caracterizava uma agressão. Ele colocou o corpo para fora do carro e começou a agredir o senhor verbalmente. Estava fora de si, descontrolado. O idoso respondia, porém de uma forma mais branda. O motorista estava muito mais desrespeitoso do que ele. O seu tom de voz me assustou. Achei uma falta de respeito, um absurdo. Não sei o motivo da discussão, mas ele não tinha porque tratar um idoso assim. Não me lembro muito as coisas que ele falou, mas a forma agressiva como falou acaba sendo uma ameaça, comentou a mulher, que prefere ter o nome mantido em sigilo.

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Já o condutor do veículo disse desconhecer o motivo pelo qual estaria sendo apontado em ocorrência policial como autor da agressão, garantindo que não houve vias de fato. Ele disse que era coronel, achei que agiu com abuso de autoridade, informou o motorista, dizendo que, após o episódio, foi embora. Já o idoso, que não é militar, afirma que usou a palavra coronel para dizer ao condutor que tinha proventos condizentes com o salário de um coronel e, segundo ele, mostrar ao rapaz que tinha recursos financeiros para processá-lo. O caso que mobiliza a opinião pública desde que veio à tona, na última quinta-feira, foi encaminhado ao delegado da região central Leonardo Bueno Procópio, da 7ª Delegacia de Polícia Civil.

De acordo com o delegado, o idoso será chamado, na próxima semana, para comparecer à delegacia, a fim de representar contra o agressor. Apesar do artigo 95 do Estatuto do Idoso (lei 10.741) estabelecer que os crimes contra pessoas maiores de 65 anos são de ação penal pública incondicionada, ou seja, devem ser apurados independente de representação da vítima, a lei faz alusão aos crimes previstos na própria legislação, como discriminação, desassistência, maus-tratos, abandono,entre os quais não está incluída a lesão corporal.

De acordo com o promotor da Saúde, Rodrigo Barros, a lesão corporal é um crime condicional à representação da vítima. Neste caso, o Ministério Público depende da representação da vítima para fins de apuração, explicou o promotor. Já a vice-presidente da OAB em Juiz de Fora, Valquíria Valadão, voltou a garantir que um advogado da entidade será designado para acompanhar o caso.

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