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35% dos furtos de carro ocorrem na área Central

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De 54 casos entre furtos e arrombamentos de veículos registrados pela Polícia Militar de janeiro a junho deste ano, 35% aconteceram na região Central da cidade, seguida pelas zonas Sudeste e Sul, que acumularam 18% e 17% respectivamente (ver quadro). No Centro, as ruas Floriano Peixoto, Fernando Lobo e Halfeld são aquelas que merecem mais atenção dos donos de automóveis e motocicletas, porque concentraram a maior incidência de crimes no semestre. No caso dos bairros da região Sudeste, a maioria dos registros foi no Costa Carvalho, Vila Ideal, Poço Rico e Botanágua. Na Zona Sul, o mais visado foi o Alto dos Passos. Os números deixam em alerta as forças de segurança pública, já que esta modalidade de crime pode abastecer o mercado clandestino de peças usadas e ainda contribuir para a clonagem de automóveis. Segundo as polícias Militar e Civil, os carros tipo mil são os mais cotados pelos bandidos, porque gozam de maior aceitação no comércio ilegal.

Chamam atenção as ocorrências em que houve rastreamento dos suspeitos pela Polícia Militar. Dos 18 casos em que ocorreram empenho de policiais, em 55,5%, ou seja, em dez foram realizadas prisões, resultando em 11 detidos encaminhados à Delegacia de Polícia Civil. O perfil das pessoas presas mostra que o autor deste tipo de crime prefere agir sozinho e tem idade entre 19 e 35 anos. Em apenas três registros, houve a apreensão de adolescentes envolvidos com os furtos.

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As motocicletas, que se tornaram motivo de preocupação das forças de segurança pública devido a sua utilização em assaltos, aparecem em 19% das ocorrências como o principal alvo dos criminosos. No que diz respeito à recuperação de veículos, foram 19 registros nos seis primeiros meses de 2011. O delineamento dos casos de furtos e arrombamentos de veículos, nestes primeiros seis meses, foi realizado pela Tribuna a partir do estudo de 54 boletins de ocorrência confeccionados pela PM.

De acordo com o comandante da 30ª Companhia da Polícia Militar, capitão Yoshio Yamaguchi, a região Central é onde se aglutina um grande volume de veículos estacionados; consequentemente, acumula o maior índice de furtos. Embora o levantamento realizado pela Tribuna tenha apontado que a maioria dos crimes tenha sido registrado no período da noite e da madrugada, somando 54% dos casos, Yamaguchi afirma que não há como a PM aferir qual o horário em que os furtos mais acontecem. Segundo ele, a vítima estaciona e sai para fazer alguma atividade e, quando retorna, descobre que seu automóvel foi levado. "O veículo pode ter sido estacionado na parte de manhã e, quando o dono volta à noite, não está lá. Por isso, não temos uma base para apontar o período noturno como o de maior incidência. Pode-se afirmar, sim, que é quando temos o maior número de registros, exigindo mais cuidado do proprietário." Quanto às vias com maior número de furtos, o capitão aponta que há concentração de veículos estacionados nelas, além de menor circulação de pessoas em alguns períodos do dia, o que funciona como atrativos para a ação criminosa.

 

Furtos de automóveis são praticados sob ‘encomenda’

A localização dos suspeitos é fator primordial para o combate ao crime e, consequentemente, sua diminuição. Embora praticado de forma solitária, o furto de veículo, como atesta a PM, em geral, é cometido por pessoas especializadas com a finalidade de entregar o produto "encomendado" para o desmanche. Já nos casos de arrombamento de veículo, a questão do consumo de drogas, principalmente, o crack, funciona como potencializador, porque o arrombador comete o delito para manutenção do vício. Nesta situação é que surge a participação de adolescentes, que não estão ligados a nenhuma organização e arrombam a fim de cometer pequenos furtos, como o de bolsas e aparelhos de som no interior do automóvel.

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Segundo o capitão Yoshio Yamaguchi, "o que a experiência nos mostra é que existe uma habilidade por parte de quem comete o furto de veículo, uma vez que o autor age de forma a não chamar a atenção. Se há um patrulhamento em determinado local e se o criminoso não for conhecido do meio policial e não levantar suspeitas, fatalmente, ele terá êxito, sem despertar a atenção da PM e de qualquer pessoa na rua, porque sua prática é tão bem treinada e de tanta destreza, que faz se passar pelo proprietário do carro". Nos casos em que a motocicleta é o alvo dos bandidos, o militar descarta a ligação do furto deste tipo de veículo para seu uso posterior em roubos. Como ele pontua, na maioria dos casos de prisão de pessoas em assaltos com motocicleta, o veículo está legalizado. "Isso acontece porque os criminosos não querem chamar a atenção, uma vez que circulam pelos bairros e poderiam despertar suspeitas da polícia em uma abordagem."

Atuação conjunta

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Embora seja a região da cidade que mais aglutina crimes de furto de veículos quando comparada com outras zonas da cidade, a área Central apresenta índices de queda. Conforme levantamento da 30ª Companhia da PM, o Centro apresentou uma diminuição na incidência desta modalidade de crime. Segundo os dados apresentados pelo comando da unidade, em 2010, de janeiro à primeira quinzena de julho, foram 49 registros. No mesmo período deste ano, o acumulado ficou em 36. Nos casos dos arrombamentos, no ano passado, a corporação registrou 189 contra 145 este ano.

Como aponta o capitão Yamaguchi, a redução foi motivada pela atuação da PM em conjunto com a Polícia Civil, que identificou flanelinhas que podem ser utilizados como testemunhas em casos de furtos nas ruas em que atuam. "Eles foram cadastrados e, quando ocorre um furto ou arrombamento, o registro é lançado para a Polícia Civil, que aciona o flanelinha até a delegacia para colher informações sobre o que poderia ter acontecido no local onde seria o ‘responsável’ pela guarda dos automóveis".

 

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Rota do desmanche envolve cidades de Minas e do Rio

Para a Polícia Civil, o furto de veículos é um crime organizado que faz parte de uma grande rede, que ultrapassa os limites de Juiz de Fora e que abastece o mercado clandestino de venda de peças automotivas. De acordo com o titular do Grupo Tático Operacional (GTO) de Patrimônio da 1° Delegacia Regional, Marcelo Faria, nesta organização, existe o ladrão, o receptador e o mercado, onde cada um desempenha seu papel fundamental para a prática criminosa. Ele aponta que, geralmente, o desmanche do veículo furtado não acontece em Juiz de Fora, embora a prática já tenha sido registrada no município. "O carro furtado é enviado para outro município, como forma de dificultar sua localização e identificação dos autores", afirma o delegado, acrescentando que as cidades de Ubá e Barbacena, em Minas, e Três Rios, no estado do Rio, também fazem parte da rota do desmanche. "Atualmente, muitas das peças que mantêm o mercado juiz-forano vêm dessas cidades." Conforme Faria, uma das maiores preocupações dos criminosos diz respeito a apagar todos os indícios identificadores do automóvel. "Eles adquiriram uma técnica com a qual conseguem suprimir todos os sinais de identificação. Por isso, o trabalho de coleta de informação por parte da Polícia Civil é de suma importância para se chegar à autoria desses crimes", pontua o delegado, lembrando que são realizadas fiscalizações em oficinas e estabelecimentos de venda de peças usadas como forma de inibir a receptação.

Quando registra-se o furto, destaca Faria, o procedimento adotado pelo GTO Patrimônio é lançar, junto à Base de Informação Nacional (Bin), o cadastro de impedimento do veículo. "Assim, quando a placa deste carro ou moto for consultada por algum motivo, irá constar que se trata de veículo produto de crime. Depois de feita esta constatação, tem-se início a investigação para identificação dos autores e recuperação do veículo, caso seja possível, para sua restituição ao dono." O delegado faz um alerta aos proprietários: "Deve-se agir de forma preventiva, já que não se deve ter a ideia de que os órgãos de segurança pública são seus garantidores. É necessário adotar medidas de autoproteção e ter cautela com os locais onde estacionar seu veículo." O capitão Yoshio Yamaguchi tem a mesma opinião. Para ele, os casos estão diretamente ligados à questão do descuido do dono do veículo, que deixa de adotar medidas de segurança, como trancar o automóvel e instalar alarme. "Além disso, há casos em que foram detectados a questão do golpe do seguro."

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