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Módulo II do Pism 2021 tem o triplo de abstenção comparado à edição anterior

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Realizado sob a sombra da pandemia de coronavírus, o módulo II do Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) aconteceu entre sábado (26) e domingo (27) em cinco municípios de aplicação. Mesmo com a extensa lista de protocolos sanitários, a edição do vestibular fica marcada pela alta abstenção: a taxa de faltosos ficou em 19%, mais que o triplo do índice de 5,57% referente ao mesmo módulo no Pism 2020. A Tribuna conversou, nesta segunda-feira (28), com professores e alunos envolvidos no processo seletivo para avaliação das provas.

Nos dois dias de certame, não foram registradas ocorrências de destaque nos locais de prova, de acordo com a UFJF. Além de Juiz de Fora e Governador Valadares, cidades que sediam os dois campi da universidade, também receberam o Pism os municípios de Muriaé, Petrópolis (RJ) e Volta Redonda (RJ). Eram esperados 12 mil candidatos, de modo que cerca de 2.280 estudantes não compareceram.

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O cenário de pandemia gera o alto índice de abstenção, segundo o pró-reitor de Graduação da UFJF, Cassiano Caon Amorim, que acredita que a crise financeira e o receio com a possibilidade de contaminação nos locais de prova levaram ao número de 19% de ausência. “A gente acredita que essa ausência se dê, justamente, por essa limitação que muitas famílias têm em função da pandemia. Nós temos muitos estudantes que advém de escolas públicas, de famílias vulneráveis economicamente. Isso pode ser um fator. O outro fator que a gente avalia é o receio de estudantes de fazer provas em salas com outros candidatos, de talvez não conhecer os protocolos de biossegurança”, explica.

Apesar da alta abstenção, o final de semana de provas ocorreu como o esperado pela universidade. “São duas situações que nós estamos, atualmente, muito atentos: o cumprimento daquilo que é corriqueiramente necessário em qualquer processo de seleção e, agora, no momento que estamos de pandemia, o cumprimento das regras de biossegurança (..). A gente observa que transcorreu conforme nós planejamos”, aponta Amorim. Segundo o pró-reitor, o planejamento para o Módulo I do Pism, que acontece nos dias 10 e 11 de julho, segue “atento a questões específicas” do exame, como o maior número de inscritos.

Os cadernos de prova e os respectivos gabaritos dos dois dias foram disponibilizados no site da Coordenação Geral de Processos Seletivos (Copese). As notas do módulo II serão publicadas juntamente com as do módulo I, no dia 22 de setembro.

Dos 12 mil candidatos esperados, cerca de 2.280 estudantes não compareceram (Foto: Leonardo Costa)

Provas tranquilas, analisam especialistas

Para o coordenador de cursos pré-vestibulares do Colégio Apogeu, Tiago Bernardes, a banca examinadora do Pism não “pesou a mão” nas provas do módulo II, com questões que variaram entre os níveis fácil e mediano. A postura, segundo ele, condiz com a realidade atípica de pandemia. “Foi dentro do que a gente esperava que a banca fosse coerente com o que os alunos viveram em 2020 e 2021, com o não encerramento de um ciclo que estava atrasado. O que gerou, para outros alunos, ainda mais ansiedade, insegurança”, analisa.

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Já o professor de História do Colégio dos Jesuítas Pedro Pereira considera que a atual edição manteve determinadas características presentes nas provas anteriores, como a cobrança na capacidade de leitura e interpretação das fontes históricas, além do diálogo com temas contemporâneos. O professor também destacou as perspectivas de liberdade em três das questões. “Os temas sobre a história brasileira também foram diversamente abordados e em diálogo com os movimentos sociais afro-brasileiros contemporâneos”, complementa, lembrando outra das questões do caderno de História.

Estudantes avaliam exames

As provas foram críticas e abordaram assuntos atuais. Essa é a avaliação da estudante Liz Cabral, aluna do Colégio Apogeu que testou os conhecimentos nos dois dias de prova. “Quanto ao conteúdo, considerei a prova deste ano bem objetiva e conteudista e, nos assuntos voltados às matérias de Humanas, encontramos uma prova bem crítica, abordando assuntos atuais falados no dia a dia”, aponta. Ela fez o exame na Escola Estadual Professor Lopes, no Bairro Benfica, Zona Norte, e relata que os protocolos sanitários foram cumpridos. “A escola respeitou todas as recomendações sanitárias, o que me deixou muito mais segura para a realização da prova”, celebra.

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Já a estudante Giovanna Marinho Duarte, aluna do Colégio dos Jesuítas, lembrou dos “meses de preparação” e da ansiedade para ultrapassar mais uma etapa. “Matemática foi meu ponto fraco, são tantos temas e fórmulas que temos que aprender e, na avaliação, muitos não foram abordados, aparecendo questões complexas e difícil realização. Minha matéria preferida da prova foi Geografia, a união de temas da atualidade e o conteúdo trabalhado em sala foi bem feito”, aponta. No Instituto Federal (IF), localizado no Bairro Fábrica, Zona Norte, local de prova da estudante, os protocolos também foram seguidos à risca, segundo ela.

Módulo I do Pism preocupa

Na avaliação do coordenador do Apogeu, Tiago Bernardes, o alto índice de abstenção tem a ver com a insegurança dos estudantes, que, com pouco acompanhamento, não se sentiram preparados para as provas. O fator insegurança pode, inclusive, ter efeito ampliado nos candidatos do módulo I do Pism, de acordo com o coordenador. “Eu fico muito temeroso com relação ao Pism I, porque são alunos ainda emocionalmente imaturos. Alunos de primeiro ano, que estão fazendo a prova pela primeira vez. Fico com muito medo de, por ser o Pism I, eles desistirem ou não estarem devidamente prontos para o que está por vir”, analisa Bernardes, que acredita na possibilidade de abstenção ainda maior no primeiro estágio de provas. “Como é tudo novo (para os estudantes), a grande maioria pode desistir”, sentencia.

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