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Prefeituras usam planta no combate ao Aedes aegypti

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Desde o ano passado, municípios de várias regiões do país têm utilizado uma planta chamada crotalária no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, do chikungunya, do zika vírus e da febre amarela. A ação é baseada na teoria de que a crotalária atrairia a libélula, que é um predador natural do vetor. Além de se alimentar do mosquito adulto, a larva da libélula também se alimenta da larva do mosquito. No entanto, apesar de muito difundida, principalmente por algumas prefeituras, pesquisadores afirmam que não há comprovação do controle do Aedes aegypti pela crotalária.

Na cidade de Dracena, no interior de São Paulo, a Prefeitura distribuiu, no início do ano passado, sementes da crotalária para que a população plantasse em seus quintais. O chefe de agricultura da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Dracena, Bruno Crepaldi, conta que foi verificado redução do número de casos de dengue na cidade. Até abril deste ano, foram confirmados 92 casos da doença. No mesmo período do ano passado, haviam 1.128 pessoas infectadas pelo vírus. “A maioria das casas tem crotalária no jardim. Vimos que aumentou a presença da libélula na cidade. A ação foi muito positiva.”

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Contudo, Bruno destaca que a medida foi uma ação complementar ao serviço de combate ao vetor no município, que contou com aplicação de veneno e larvicidas. Outras cidades que também utilizaram a crotalária nas ações de combate à dengue são Andradina (SP), Xiguara (PA), Sorriso (MT), Birigui (SP), Boa Vista (RR), Caratinga (MG), São Miguel dos Campos (AL), Paulicéia (SP), Limoeiro (AL), Palma Sola (SC), Cajazeiras (PB) e Nova Santa Rosa (PR).

Conforme o professor de zoologia da UFJF, Fábio Prezoto, não existe comprovação científica de que a crotalária ajude no combate ao Aedes aegypti. “Muitos municípios, principalmente do Nordeste, distribuíram as sementes da crotalária. Mas, na verdade, esses municípios estão com casos de dengue superior a anos anteriores.” Ele explica que a libélula realmente é predadora de insetos, mas que ela não é abundante no ambiente urbano. “A libélula pode ser predadora dos insetos que vão até a crotalária, mas esse não é o caso do Aedes aegypti, que está dentro das casas. A libélula não vai até as casas.”

O pesquisador também explica que a libélula se reproduz em ambientes aquáticos grandes, de água limpa. “Se nesse ambiente a larva da libélula encontrar a larva do Aedes, ela pode ser uma predadora. No entanto, esse não é o ambiente que o Aedes gosta de se reproduzir. Ele gosta de água limpa parada em pequena quantidade. A pessoa pode plantar 200 crotalárias no quintal de casa, mas se não houver um espaço grande de água limpa, não irá atrair a libélula.”

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