Delegada Cristiane Maciel participou do debate
A partir de segunda-feira, os exames de direção veicular voltam a ser realizados também em horário diurno, às 17h. O anúncio foi feito na tarde dessa segunda-feira (28), pela delegada chefe do Setor de Habilitação de Juiz de Fora, Cristiane Maciel, durante audiência pública na Câmara Municipal, que debateu o alto índice de reprovação nos testes de rua realizados em Juiz de Fora. A Tribuna já havia mostrado que, em abril, quando os exames passaram a ser exclusivamente noturnos, 81% dos 2.937 candidatos avaliados não passaram no teste direcional. Somente 571 alunos (19%) conseguiram conquistar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Antes de abril, a média era de 23% a 26% de aprovação.
A mudança, adotada pelo ex-delegado regional, Marcus Vinícius de Paiva, seguia Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público (MP) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG), para que os examinadores, que são policiais civis, pudessem desenvolver sua atividade fim, cumprindo as 40 horas semanais. Desta maneira, os exames eram realizados fora do expediente deles. Entretanto, a medida desagradou os candidatos. As constantes reclamações incitaram a solicitação de audiência pública, pelo vereador José Mansueto Fiorilo (PDT).
Na matéria divulgada pela Tribuna no último dia 19, tanto alunos quanto instrutores foram unânimes ao afirmar que a exame exclusivamente em horário noturno prejudicou o desempenho nas provas. Ontem, na audiência, a delegada explicou que a alteração foi necessária para cumprir o acordo com o MP, mas reforçou que a mudança afetou o índice de aprovação. "Com inclusão só de exames noturnos, em abril, o índice de aprovação abaixou, porque a avaliação à noite realmente dificulta para o candidato. Mas reavaliamos a situação, junto com o atual delegado regional e vamos mesclar provas diurnas com noturnas", confirmou Cristiane. Os testes passam a acontecer às 17h, 18h e 19h.
O delegado regional da Polícia Civil, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso, também presente na Câmara, ressaltou o compromisso de, além de incluir o horário diurno, tentar padronizar os procedimentos dos examinadores. "Realmente o exame é subjetivo, mas tentaremos resolver a questão através de conversas com a equipe, na busca de padronizar os procedimentos." Para o delegado, o alto índice de reprovação está associado ao rigor na prova, que não pode ser deixado de lado. "Estamos avaliando futuros motoristas que precisam estar preparados para dirigir nas vias e evitar acidentes."
A delegada ainda foi além. "O exame obedece a legislação, e o examinador tem que pontuar os erros, há inclusive faltas eliminatórias que impedem o candidato de prosseguir a prova. Isso eu cobro da banca, que siga o manual de procedimentos e o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Todo candidato sai da prova, com o boletim "Bom senso", sabendo o que errou. Se quiser questionar o resultado ou tratamento de um examinador ou até de um instrutor, precisa ir à delegacia e formalizar a denúncia."
Aprendizado
Para as autoridades, o alto índice pode estar relacionado não aos exames, mas ao sistema de ensino, já que, hoje, na cidade, o índice de aprovação dos Centro de Formação de Condutores gira em torno de 18% a 23%, muito abaixo dos 60% exigidos pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). "Isso mostra que alguma coisa está errada no ensino também. Tem candidato chegando para fazer prova sem saber onde liga o farol. É preciso que as autoescolas reavaliem o processo de ensino. Por enquanto, o Detran em Minas ainda não está cobrando o índice de 60%, mas, daqui a pouco, vai cobrar, e os CFCs de Juiz de Fora não terão como cumprir a determinação", afirma a delegada.
