
Prefeito Bruno acompanha a visita do representante do Governo federal a uma residência terapêutica no Bairro São Geraldo
A cidade de Juiz de Fora pode se transformar em polo formador de profissionais na área de saúde mental, conforme avaliou ontem o coordenador nacional de Saúde Mental do Ministério Público, Roberto Tykanori, que esteve no município para visitar um residência terapêutica e realizar uma palestra sobre a importância do fim dos hospitais psiquiátricos. O representante do Governo federal conheceu a residência terapêutica que funciona no Bairro São Geraldo, na Zona Sul da cidade, onde os pacientes desfrutam de um ambiente mais humanizado e contam com uma área verde. Segundo ele, Juiz de Fora, nos últimos dois anos, fez uma mudança profunda na forma organizacional desse tipo de assistência. “Hoje é a comemoração da finalização dessa etapa de transformação, porque não temos mais neste município a ideia de internação em hospital psiquiátrico de longa permanência”, enfatizou Tykanori.
Conforme ele, a cidade possui uma importante rede de serviços de cuidados aos pacientes, que compreende, não apenas a assistência clínica, mas também as residências terapêuticas que já estão em funcionamento. “É uma transformação importante, porque, nesse período, as equipes de trabalho vêm demonstrando a transformação dos pacientes em um espaço relativamente curto, quase milagrosa, já que uns, que não falavam, agora falam; outros não andavam e agora andam. Instituições, como Prefeitura, Ministério Público e Secretaria de Saúde, se articularam de forma decisiva para essa transformação, o que faz de Juiz de Fora uma cidade exemplar dentro do Brasil.”
Roberto Tykanori asseverou que pretende transformar o município em polo formador nesse campo de atuação nos próximos anos. “Objetivamos que profissionais de outros municípios venham para Juiz de Fora com o propósito de aprender, em todos os níveis, seja no institucional, no sentido de aprender a articulação das leis, seja no plano clínico, no cuidado do dia a dia com cada pessoa em tratamento.”
Estrutura que se assemelha a um lar
Atualmente, Juiz de Fora conta com 22 residências terapêuticas, onde são acolhidos pacientes antes internos de hospitais psiquiátricos. Depois da implantação das residências terapêuticas, essas pessoas, que passavam a maior parte do tempo em um leito hospitalar, tiveram sua realidade transformada pela nova linha de cuidado, com uma estrutura que se assemelha a um verdadeiro lar. Cada residência abriga, no máximo, dez pacientes, garantindo, desta forma, conforto, atenção e acolhimento social. As casas têm o resguardo de cuidadores e de uma equipe multiprofissional.
O Ministério da Saúde já havia sinalizado a liberação de recursos financeiros para a criação de 16 novas residências terapêuticas em Juiz de Fora, que vão poder abrigar mais de 200 pacientes psiquiátricos. No total, serão empregados R$ 3 milhões para as instalações dessas novas unidades. Todavia, ontem, Tykanori afirmou que a data para a liberação da verba ainda não pode ser prevista. “Essa é uma questão difícil de comentar, porque não temos o orçamento de 2015 aprovado.”
Resgate da cidadania do paciente
O prefeito Bruno Siqueira (PMDB) acompanhou a visita do representante do Ministério da Saúde e destacou a importância do trabalho que vem sendo feito na cidade acerca da saúde mental. “Juiz de Fora virou referência nesse trabalho, pois estamos tirando as pessoas do ambiente hospitalar e transferindo-as para ambientes confortáveis e prazerosos, como as residências terapêuticas. Em cada uma delas, temos dez pessoas em tratamento, enquanto no hospital seriam 200. Esse trabalho é mais humano e mais consciente no que diz respeito à recuperação dessas pessoas para o convívio com a sociedade”, avaliou Bruno.
O chefe do Executivo municipal apontou que, a partir das novas residências terapêuticas que serão instaladas, as pessoas que se encontram atualmente no Hospital Ana Nery serão transferidas para essas novas unidades. “O tratamento hoje no Ana Nery é muito melhor do que era, mas temos de avançar. Hoje ele recebe as pessoas que estavam no Hospital Casa de Saúde Esperança, mas nossa expectativa é que não haja mais hospitais para esse tipo de tratamento.”
Para o secretário de Saúde local, José Laerte Barbosa, o trabalho até aqui foi difícil, mas superado. “Precisamos de apoio político, das famílias envolvidas, dos trabalhadores da área e da sociedade para que, juntos dessa gestão, todo o processo transcorresse sem dificuldades. Depois de muita discussão, os transtornos foram superados, o que fez a cidade se transformar em modelo para o Brasil. Temos uma rede substitutiva ao hospital, que é humanizada, descentralizada, cheia de equipamentos, como estes que são as casas terapêuticas. Elas acolhem pacientes que passaram anos internados em hospitais. Além delas, temos leitos em hospitais gerais para atender o paciente em crise e os Caps (Centros de Atenção Psicossocial). Esse trabalho resgata a cidadania.”

