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Por favor, ressuscitem Keynes!

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Aí está a China, maior concorrente – e maior credora – dos Estados Unidos à beira de perder o topo do controle econômico financeiro do mundo, pela imposição do dólar como principal moeda básica do mercado. Esta mesma China vem sugerir a criação de um fundo de reserva mundial, com uma moeda única e democrática, para estabelecer o real e necessário equilíbrio entre as nações produtoras e consumidoras do mundo! Parabéns, China!
A estúpida e hipócrita frase de que “o dinheiro é um mal necessário” tem sido de perversa valia para agiotas, demagogos e populistas, que fazem “tudo pelo social”, a fim de se locupletarem com as verbas que controlam. Marcuse e São Tomás de Aquino foram veementes em suas dialéticas de bem-estar social, justificando que cabe ao homem impedir que seu semelhante o miserabilize: o direito de cada um começa onde termina o direito do outro.

A moeda única, mais do que uma necessidade da China para fazer concorrência ao dólar, é um compromisso dos verdadeiros economistas com a democracia financeira e com a mais elevada distribuição de rendas, único meio de acabar com a maior desgraça criada pela economia criada para os ricos: a miséria solapante e desumana. Uma vez que os economistas, depois de David Ricardo, Adam Smith e Thomas Robert Malthus apenas vieram – com raríssimas exceções – para tripudiar a instituição do dinheiro, como necessidade básica e benéfica para o progresso e riqueza das nações, fica o dilema atual: riqueza para poucos e miséria para muitos?!

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E não faltou a indispensável presença moral e social do fantástico economista John Maynard Keynes, que abandonou a conferência que criou o Tratado de Versalhes por achá-lo um acinte à perdedora Alemanha, incapaz de pagar o exorbitante preço que lhe cobravam os vencedores da Primeira Grande Guerra. E depois de escrever obras sobre o nobre uso da moeda, em 1944, comparecer à Conferência de Bretton Woods, sendo um dos criadores do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) – já se preocupando com o fim social prevalente na criação e no uso da moeda, inclusive sob controle de entidades que perduram.

Numa população mundial de mais de sete bilhões de habitantes, existem mais de 30% de seres humanos em condições de miséria! Mais importante do que o exemplo do euro, ao tentar unificar a economia europeia; do que a defensiva inglesa, mantendo a independência de sua libra esterlina; do que os States, tentando manter a dolarização da economia; ou do que a China sugerir uma moeda de fundo de reserva mundial, para repetir a estória do “dólar furado”; é a economia supraideológica, suprapartidária, supranacionalista, mas essencialmente civilizatória, igualitária e humanista assumir as rédeas do futuro dessa espécie, que acabará se autoconsumindo em nome do poder, da riqueza para alguns e da miséria para a maioria. É a espécie humana colocada no caldeirão da morte pelas lutas e pelos preconceitos entre as numerosas raças que a constituem!

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