Uma descoberta feita por uma equipe de pesquisadores da UFJF foi reconhecida internacionalmente e se tornou referência no tratamento da Pancreatite Aguda Leve (PAL). O procedimento habitual orientava a reinserção paulatina de alimentos, já o novo estudo mostrou as vantagens de uma reintrodução imediata da dieta normal. O resultado é a redução no tempo de internação dos pacientes, sem oferecer riscos à sua recuperação.
Este ano, o Colégio Americano de Gastroenterologia, por meio de um dos mais importantes jornais da área médica no mundo, o American Journal of Gastroenterology, publicou as normas internacionais para o tratamento da pancreatite, já prevendo as modificações propostas pelo estudo dos especialistas de Juiz de Fora. A PAL é uma inflamação no pâncreas que provoca fortes dores abdominais, podendo se estender até as costas. Na maioria dos casos, é provocada pelo excesso de álcool ou por cálculos biliares, uma formação de detritos duros como pedra na região da vesícula.
O novo tratamento foi descoberto pelo Núcleo de Pesquisa em Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da UFJF, liderada pelo diretor da faculdade, Júlio Chebli. Ao longo de quatro anos, os pesquisadores avaliaram a dieta e a recuperação de 210 pacientes com PAL. Eles foram divididos em três grupos. Um deles recebeu a alimentação tradicional, que se inicia com líquidos, depois passa para alimentos pastosos e, por fim, é introduzida a dieta normal com gorduras. Para o segundo grupo foi prescrita dieta pastosa seguida da reintrodução da alimentação completa. Já o terceiro grupo, que representava o alvo da pesquisa, recebeu uma realimentação completa desde o princípio do tratamento. Observamos que se realimentarmos precocemente o paciente com dieta normal, ele se recupera mais rápido e vai embora para casa mais cedo, com segurança, conta Chebli.
Gestão hospitalar
Além dos benefícios para o paciente, Chebli explica que a descoberta, que já foi colocada em prática no Hospital Universitário (HU), causa impacto significativo na gestão hospitalar e otimiza os recursos. A média verificada no HU é de um dia a menos de hospitalização. Isso significa redução dos custos para o tratamento de cada paciente e um leito liberado para quem está esperando na fila. Se levarmos em conta o número de doentes internados pelo SUS no Brasil, um dia a menos de leito reduzirá significativamente a taxa de ocupação. O estudo estima que a nova abordagem clínica provoca uma economia média anual de 80 dias de leito para o HU.
O diretor conta que a pesquisa não teve grande custo, e o resultado foi muito produtivo. Além de projetar a UFJF em âmbito internacional, Chebli ressalta a importância do estudo para a quebra de paradigmas. É reconfortante ter um experimento com aplicabilidade na prática. É bom poder contribuir de alguma forma com a evolução da medicina.
