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Reprovação em exame chega a 85%

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Alunos hoje fazem 45 horas aula. Mas, no próximo ano, curso terá mais cinco aulas em simulador
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Alunos hoje fazem 45 horas aula. Mas, no próximo ano, curso terá mais cinco aulas em simulador

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Dos 3.131 exames de rua realizados no mês passado, apenas 475 candidatos receberam permissão para dirigir carros de passeio em Juiz de Fora. Isso significa que somente 15% dos concorrentes conseguiram o documento. O índice de 85% de reprovação foi o maior deste ano, que já mantinha uma média de aprovação baixa, em torno de 18,7%. A situação é considerada crítica, já que o percentual de habilitados vem caindo a cada ano no município. Em 2011, a média de pessoas que passou no exame de rua em igual período deste ano era de 21%.

Ciente desta queda, o coordenador da Banca Examinadora da 1ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran-Juiz de Fora) e delegado regional, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso, destaca que um estudo foi iniciado para detectar possíveis problemas. "Vamos fiscalizar os instrutores, as condições dos veículos e o índice de aprovação em cada centro de formação de condutores (CFC). Cada examinador passará por uma avaliação individual, para verificar se existem discrepâncias. Algumas medidas administrativas já estão sendo tomadas."

Para quem pretende conquistar a carteira, as exigências devem ficar ainda maiores para o próximo ano. O Departamento Nacional de Trânsito (Detran) determinou que os concorrentes tenham mais tempo de curso em um simulador de direção. De acordo com a nova resolução, publicada no começo do mês pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a partir de julho de 2013, serão acrescidas às 45 aulas do curso teórico, outras cinco com duração de 30 minutos cada. Esta nova carga horária será ministrada no equipamento que, além de ser homologado pelo Detran, precisa ser adquirido por cada autoescola. A nova grade passa a ser imprescindível para que o aluno efetue o exame de legislação e obtenha a permissão para praticar as aulas de direção.

 

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Nas ruas

Nos exames de direção, em Juiz de Fora, várias alterações foram feitas este ano, na tentativa de mudar o quadro. Entre elas, a presença de dois examinadores no veículo na hora do teste e o fim da prova prática no período noturno. A realização dos exames à noite aconteceu de maio até meados de junho, mas, diante do grande número de reprovados, o Detran decidiu rever a decisão e voltou com os testes apenas para o período da manhã. Em outubro, a mudança já estava em vigor. No entanto, não houve melhora nos índices. Pelo contrário, a reprovação bateu recorde.

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Na visão do examinador de trânsito e membro da banca examinadora Leonardo Lesse Leal, o problema se deve a um conjunto de fatores. Ele cita a falta de atenção do candidato, que deixa de observar, por exemplo, os espelhos retrovisores e de sinalizar a manobra. E ainda a falta de controle do veículo e, principalmente, o nervosismo. Para ele, falta preparo adequado à condução satisfatória de um veículo, como habilidade, técnica, controle emocional e capacidade de o condutor manter seguro a si próprio e a terceiros. "A maioria dos examinadores observa, nos exames realizados, que grande parte dos candidatos está condicionada a realizar apenas as possíveis exigências do exame de direção. Ou seja, quase todos aprendem apenas as situações previstas na avaliação e não sabem de fato dirigir, ocasionando erros primários frente aos imprevistos corriqueiros presentes no trânsito, o que coloca em risco a sua segurança e a dos demais condutores e passageiros", comenta Leonardo.

Um dos diretores da Autoescola Catedral, Willians Ferreira Gomes, atribui o índice de reprovação ao insuficiente número de aulas práticas. "Com 20 aulas práticas, o candidato não está apto para a prova, mas, mesmo assim, insiste em prestar o exame para ver como é. A necessidade de treinar mais acaba pesando no bolso. Caso não tenha condições, acaba interrompendo o aprendizado e, ao retornar às aulas, em alguns casos, o instrutor precisa começar do zero, atrapalhando o processo."

Reprovada duas vezes, a estudante Gabriela Furtado, 18 anos, se sentiu psicologicamente pressionada pelo examinador durante o exame. "A forma com que ele falou me deixou nervosa. Acho que eles deveriam nos tranquilizar, ou, ficarem quietos. Falar somente na hora de passar o resultado."

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O especialista em transporte Guilherme Facio ressalta que o índice de aprovação em Juiz de Fora está bem abaixo do nacional. Ele atribui o alto grau de exigência à topografia da cidade, que permite a cobrança de controle de embreagem e baliza entre dois carros. "O candidato que tira carteira em Juiz de Fora está bem mais preparado para dirigir."

 

 

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Opiniões divergem sobre o simulador

A exigência do simulador ao final do curso teórico, a partir de julho do ano que vem, já é debatida entre instrutores e alunos nas autoescolas. Há quem defenda que, com o equipamento, o índice de aprovação possa vir a aumentar. "O equipamento é um carro sem as rodas. Por meio dele, o candidato conhecerá o tempo e a velocidade para a troca de marchas, partida e a circulação no tráfego, sobretudo em condições adversas, como chuva e neblina, o que deixará o aluno mais preparado para as aulas práticas", explica o instrutor do CFC Saep e consultor de trânsito Sebastião Pires de Camargos.

Já para o instrutor de trânsito da Autoescola Catedral Fausto Ferreira Damasceno, o simulador terá uma função mais didática que prática. "A realidade na rua é diferente. O toque ao volante no simulador, por exemplo, é mais sensível do que em um carro comum. O equipamento permitirá que o candidato entenda um pouco mais sobre as infrações, mas não vai deixá-lo apto para o trânsito."

"Ainda não sabemos como será a aplicação, mas entendo que irá acrescentar em alguns pontos, como o conhecimento dos dispositivos, dando mais noção sobre o funcionamento de um veículo", afirma o diretor de ensino do CFC Minas Gerais, José Luiz Magalhães Stroppa.

Para o coordenador da Banca Examinadora da 1ª Ciretran Juiz de Fora e delegado regional, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso, "uma alteração na legislação vigente, com o aumento na exigência mínima de aulas práticas de direção, para pelo menos 30 aulas, seria mais eficaz".

As aulas no simulador não serão exigidas para os atuais candidatos à CNH, porém, eles se mostram favoráveis à nova exigência. "O primeiro contato com o carro chega a assustar e, com a noção adquirida pelo simulador, acredito que a pessoa comece melhor as aulas. Vejo que, na prática, a situação é completamente diferente", comenta o estudante de arquitetura Rodrigo Salles, 19 anos.

Para quem nunca dirigiu, como é o caso do estudante de análises de sistema Mateus da Rocha Fernandes Veiga, 18, o simulador iria ajudá-lo a ter noção de direção e deixá-lo mais preparado para as aulas práticas. A assistente administrativa Síntia Alves do Nascimento, 35, concorda, mas ressalta a necessidade de uma revisão no número de aulas práticas. "O simulador vai ajudar quem nunca dirigiu, entretanto, surtiria mais efeito se houvesse a inversão do número de aulas, ou seja, mais aulas práticas do que teóricas."

As autoescolas têm até 30 de junho de 2013 para se adequar. Antes desta data, quem concluir o curso teórico não precisará passar pelo simulador, embora as autoescolas tenham a opção de antecipar a inclusão do equipamento, orçado em R$ 45 mil, equivalente a um carro comum, adaptado para a aprendizagem.

 

 

 

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