“Foi interessante ver as 7,7 milhões de pessoas que fizeram o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pensando sobre a persistência da violência contra a mulher”, declarou o professor de história do Granbery, Thiago Barroso. Não foram só os candidatos ao exame que refletiram sobre o assunto. No domingo e ontem, as redes sociais foram invadidas por postagens que traziam o tema à tona e ressaltavam a importância da discussão do assunto em sociedade. “A redação já era esperada. O Enem cobra muito questões sociais e culturais, o que gera um certo desconforto para muitos. Mas é importante que esses temas sejam trabalhados. A violência contra mulher é algo que precisa ser conversado. As estatísticas são terríveis. Na semana do Enem mesmo, a Tribuna noticiou o caso de uma mulher que foi trancada, violentada e torturada por três dias”, completa o docente.
Os cursinhos também foram unânimes ao eleger as questões de química, contidas na prova de Ciências da natureza e suas tecnologias, como as mais difíceis. “Os alunos classificaram as questões de química e física como acima da média em termos de cobrança de conteúdo. Português e matemática estavam em um padrão razoável de dificuldade”, comenta o coordenador do ensino médio do Colégio Vianna Júnior, João Luiz Ribeiro de Oliveira. Para ele, o exame deste ano fugiu do padrão Enem. “O Enem está se modificando e pegando o conteudismo do vestibular tradicional. As provas de química e física foram bastante conteudistas, semelhante ao que é feito no vestibular da USP (Universidade de São Paulo). É claro que ela ainda tem a função avaliativa de habilidade e competências, mas está muito mais pautada no conteúdo.”
Já o professor de sociologia do Colégio Equipe Matheus Ferreira afirma que o exame “vem se ajustando, buscando a melhor forma e acertando”. “Nós (os professores) conversamos sobre o Enem e pudemos observar que o exame deu uma modificada em relação aos outros anos. O domínio das linguagens esteve muito presente em todas as áreas, não só a linguagem escrita, mas as outras formas de texto, como a visual. As questões sociais foram muito bem trabalhadas. O Enem foi muito bem elaborado e atendeu as necessidades tanto de metodologia, pedagogia quanto da sua função social.”
Abstenções
Neste ano, o Enem teve o menor índice de abstenções desde 2009, com 25,5% de faltosos. No ano passado, esse índice foi de 28,9%. Minas Gerais teve um percentual de 26,1% de abstenção. No total, foram 743 estudantes eliminados do Enem. Conforme o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, 677 candidatos foram desclassificados por uso de equipamentos inadequados e 63 no detector de metais. Há ainda três casos de publicação indevida das provas em redes sociais. A Tribuna entrou em contato com a coordenadora do Enem no município para saber os casos na cidade, contudo, ela disse ser orientada a não passar informação.
Os gabaritos oficiais do Enem serão divulgados até amanhã. As provas do exame, em formato digital, estarão disponíveis a partir da próxima sexta-feira, na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A expectativa do Ministério da Educação é divulgar as notas na primeira semana de janeiro, quando também deverá sair o edital com as vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
