O último dia de propaganda eleitoral na televisão foi marcado pelo tom emotivo e pela proximidade entre a explanação dos dois candidatos. Tanto Bruno Siqueira (PMDB) quanto Margarida Salomão (PT) retomaram as principais ideias desta campanha, agradeceram os eleitores, os militantes e colaboradores, e citaram, ainda que brevemente, as propostas que mereceram mais destaque neste pleito. Contudo, uma visível diferença entre os dois formatos não pode ser desconsiderada.
Enquanto Margarida foi quem conduziu o próprio horário televisivo, abrindo mão da participação dos apresentadores, mas permeando sua fala com a de diversos apoiadores, Bruno abriu espaço para ser apresentado pela própria equipe. Os jornalistas, técnicos e profissionais de mídia da campanha foram os responsáveis por retomar o que foi feito – e com quais propósitos – nesses últimos dois meses. Apesar do mesmo propósito no último momento de aparição televisiva – que tem o interesse de agradecer, mas também de conquistar um ou outro voto por meio da emotividade – foi a condução diferente que fez saltar aos olhos a mensagem de que ideias próximas podem levar a caminhos divergentes, dependendo do que for priorizado.
A primeira mensagem foi contada, na noite de ontem, por uma ex-funcionária de Margarida, que destacou a preocupação da ex-patroa com a situação das creches e da educação em tempo integral. O objetivo de ampliar a participação popular também veio à tona quando a petista profetizou: "Que o Centro chegue à periferia e que a periferia esteja à vontade no Centro." O foco na saúde, redução de impostos, promoção de emprego e desenvolvimento sustentável também foram permeados, seja na fala do vice José Roberto Maranhas (PSB), da jornalista e historiadora Rosani Martins – que é cega e recebeu o diploma das mãos de Margarida enquanto reitora da UFJF -, seja na da irmã da candidata, Regina Salomão, ou da ex-ministra Marina Silva.
Já a caminhada de Bruno foi outra na noite de ontem (26). Coube a ele dar os primeiros passos e entregar o bastão a quem o ajudou na campanha. Os companheiros de equipe, por sua vez, o repassaram aos músicos responsáveis por reinventar o jingle peemedebista. Uma comparação foi inevitável. Ainda que a inspiração não tenha sido essa, o momento final do último programa do PMDB fez lembrar o famoso projeto musical "Playing for change" (Tocando por mudança), que, depois de reunir som e imagem de artistas tocando individualmente, cada um de uma parte do mundo, a mesma canção, virou documentário, CD, DVD e muito sucesso. Resguardando as diferentes proporções das duas propostas, as imagens justapostas de diversos músicos cantando e tocando individualmente, cada um de um local da cidade, o jingle de Bruno, não podiam soar outra coisa senão a analogia com o bem-sucedido projeto internacional.
