Ícone do site Tribuna de Minas

PM retira mulher e dois filhos de cárcere privado

moradora do caicaras ii em jf foi levada para hps onde ficou internada enquanto as criancas foram acompanhadas por conselho tutelar e entregues a uma tia

moradora-do-caicaras-ii-em-jf-foi-levada-para-hps-onde-ficou-internada-enquanto-as-criancas-foram-acompanhadas-por-conselho-tutelar-e-entregues-a-uma-tia

Moradora do Caiçaras II, em JF, foi levada para HPS, onde ficou internada, enquanto as crianças foram acompanhadas por Conselho Tutelar e entregues a uma tia
PUBLICIDADE

Moradora do Caiçaras II, em JF, foi levada para HPS, onde ficou internada, enquanto as crianças foram acompanhadas por Conselho Tutelar e entregues a uma tia

PUBLICIDADE

Mulher e os filhos estavam sem comida, presos no segundo andar de imóvel desde terça-feira (Fotos Leonardo Costa/26-08-15)

Uma mulher de 24 anos foi encontrada em cárcere privado junto com os dois filhos, um de 3 anos e o outro de 2 meses de idade, no Bairro Caiçaras II, na Cidade Alta. Conforme a Polícia Militar, a mulher também foi vítima de tortura praticada pelo companheiro e precisou ser internada no HPS, enquanto as crianças ficaram sob os cuidados de uma tia. Outro episódio de violência contra mulheres foi registrado ontem, em Matias Barbosa. Na cidade vizinha, uma adolescente de 16 anos e sua mãe, 37, foram baleadas pelo ex-namorado da garota, que não aceitava o fim do relacionamento. As duas foram trazidas para o HPS. Os casos chamam atenção para a triste realidade com a qual a mulher é tratada e, mesmo havendo amparo legal, ainda são necessárias políticas públicas para tentar reduzir este quadro de violência. A situação pode ser ainda mais grave já que, para a delegada de Mulheres, Ione Barbosa, o silêncio das vítimas continua sendo o principal obstáculo para protegê-las.

No caso do Caiçaras II, a PM encontrou as vítimas após um cunhado da mulher constatar a situação. De acordo com o sargento Carlos Luiz Gomes, quando os policias chegaram ao local, ouviram a mulher pedir socorro e arrombaram a porta. “Encontramos uma situação desumana: um ambiente insalubre. A casa estava toda suja de sangue, louças e objetos quebrados e espalhados pelo chão. A mulher estava ferida, o bebê caído no chão e a criança de 3 anos chorava muito. Os três estavam presos na residência desde ontem (terça-feira), quando o companheiro da mulher a agrediu e os trancou”, comentou o policial, acrescentando que eles foram deixados sem comida, e que o homem saiu dizendo que voltaria para matar a companheira.

PUBLICIDADE

Conforme o sargento, a mulher tinha ferimentos na cabeça e perfurações pelo corpo. Ainda durante as agressões, um objeto foi enfiado na barriga da vítima. “Já o bebê estava com sinais de que poderia ter sido agredido na cabeça por algum objeto. O Samu foi acionado e removeu a mulher até o HPS. As crianças também foram para o hospital junto com o Conselho Tutelar”, disse o militar. A mulher ficou internada sob os cuidados do Setor de Traumatologia. O suspeito fugiu quando percebeu a viatura policial no bairro. A ocorrência foi registrada como tortura, e, até o fechamento desta edição, os policiais faziam buscas pelo homem. Conforme o membro do Conselho Tutelar Sul/Oeste, Eliseu Alvim, uma tia das crianças, irmã da mãe, ficou responsável por elas. Ainda conforme o conselheiro, nenhuma denúncia relacionada à família havia chegada ao conselho até então, e eles nunca foram atendidos pelo órgão.

Suspeito preso após crime em Matias

Mais cedo, uma dupla tentativa de homicídio, ocorrida no início da tarde de ontem, chocou a população de Matias Barbosa, distante cerca de 20 quilômetros de Juiz de Fora. Mãe e filha, de 16 e 37 anos, foram baleadas pelo ex-namorado da adolescente, 23, que, segundo a Polícia Militar, não teria aceitado o fim do relacionamento. Conforme a PM, o suspeito, morador da região Sudeste de Juiz de Fora, saiu pela manhã de ônibus em direção a Matias Barbosa. Como conhecia a rotina da adolescente, ele teria aguardado por toda a manhã até que ela saísse do trabalho.

PUBLICIDADE

Por volta de meio-dia, ela saiu do emprego e se encontrou com a mãe. Neste momento, o jovem disparou quatro vezes em direção às duas. O crime aconteceu em uma praça no Centro, próximo à Escola Municipal Lucy de Castro. Segundo a ocorrência policial, a violência ocorreu na hora da entrada e saída de alunos do colégio. Três disparos atingiram a adolescente, dois no tórax e um no antebraço, enquanto a mulher foi baleada no tórax. As vítimas foram socorridas e levadas para a Policlínica de Matias Barbosa, e, em seguida, transferidas para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora.

Diversos policiais militares de Juiz de Fora foram deslocados para Matias para ajudar nas buscas do jovem. Uma viatura da Rotam conseguiu localizá-lo escondido em um quarto nos fundos de uma casa no Bairro Maria Célia, em Matias Barbosa. A arma utilizada no crime, um revólver calibre 38, também foi apreendida. Quatro munições tinham sido deflagradas, e uma estava intacta. Ele foi preso em flagrante e levado para a delegacia de Matias, onde prestava depoimento até a noite de ontem. Conforme informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, até o fechamento desta edição, a adolescente passava por procedimento cirúrgico, já a mulher estava na sala de urgência, e seu estado era considerado estável. Ela permanecia lúcida e orientada.

150 mulheres recebem medidas protetivas em JF

Segundo a delegada de Mulheres, Ione Barbosa, hoje em Juiz de Fora há cerca de 150 mulheres sendo beneficiadas com medidas protetivas. Porém, apenas um terço destas medidas vira inquérito policial. “Isto significa que, apesar de a mulher nos procurar e pedir este apoio, ela não representa legalmente contra o agressor. Ou seja, ele não pode ser punido pelos crimes que cometeu contra a vítima.” Ione comentou ainda que o último feminicídio na cidade aconteceu em junho, quando Verônica da Silveira Peregrino, 38 anos, foi encontrada morta dentro de casa, com duas facadas nas costas, no Condomínio Neo Residencial, no Bairro Parque Serra D’Água, na Cidade Alta.

PUBLICIDADE

Para ela, as denúncias que chegam até a delegacia não refletem a situação real do município. “É grande o número de mulheres que nos procuram, porém, ainda há muitas violentadas que não buscam ajuda, seja por medo ou por dependência econômica ou psicológica do companheiro. Muitas têm medo do que o homem possa fazer caso elas quebrem o silêncio. São casos bastante delicados, em que não denunciar pode acabar em crimes bárbaros”, disse a delegada, acrescentando que a maioria dos episódios que chega à delegacia especializada é de ameaça.

Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Cristina Castro, é preciso fortalecimento de políticas municipais e de instrumentos de proteção à mulher, como o conselho. “No entanto, esses instrumentos por si só não resolvem se não houver medidas preventivas. Temos que discutir a questão de gênero para conseguir mudar a mentalidade das pessoas. O ideal é que seja discutido na escola, onde a representação de estereótipos acontece de forma acentuada. Em um evento, perguntei quem pedia para os meninos irem jogar bola e para as meninas ajudarem a arrumar a cozinha depois do almoço. A maioria levantou a mão. O problema é que as mulheres também reproduzem o machismo.”

Algumas ações concretas que o conselho propõe são relacionadas à questão da emancipação financeira da mulher. “Às vezes, as mulheres se submetem à violência porque não têm para onde ir com o filho. Nós já propomos algumas ações, como o programa Minha Casa, Minha Vida dar prioridade às mulheres vítimas de agressão e o incentivo para que empresas as contratem.”

PUBLICIDADE

Casa da Mulher

A delegada Ione Barbosa atentou que qualquer mulher que for vítima de violência doméstica deve procurar a Casa da Mulher. No local, além do trabalho policial, há atendimento multidisciplinar, com psicólogos e assistentes sociais. No espaço também funciona a Delegacia Especializada de Atendimento. O endereço é Rua Uruguaiana 94, Bairro Jardim Glória. Informações podem ser obtidas pelo telefone 3690-5559.

* colaborou Kelly Diniz

Sair da versão mobile