A sede da Associação Municipal dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis de Juiz de Fora (Ascajuf), localizada na Avenida Brasil, no Bairro Santa Teresa, Zona Sudeste de Juiz de Fora, e destruída por um incêndio no último sábado (25) não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, conforme a corporação.
O galpão, de cerca de 400 metros quadrados, foi destruído pelo fogo, que consumiu nove mil litros de água durante o combate e cerca de 20 mil no rescaldo. As chamas atingiram todo o imóvel, e o material reciclável existente em seu interior entrou em combustão. Ainda houve apoio de caminhões-pipa da Cesama e do Demlurb e de equipes da Guarda Municipal. Ninguém ficou ferido. O laudo pericial deverá apontar as causas do ocorrido.
O presidente da entidade, Werley Aparecido Pereira dos Santos, conhecido como Portela, garantiu à Tribuna que estava providenciando o documento e que os extintores de incêndio no local estavam em dia. “O AVCB demanda recursos, e a gente não tinha ainda para pagar o projeto e fazer, mas estávamos correndo atrás”, conta.
Interdição
Nesta segunda-feira (27), após avaliações preliminares feitas no fim de semana, a Defesa Civil da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) vistoriou o imóvel, e a equipe de engenharia do órgão constatou comprometimento total da estrutura, além de grande deformação nas paredes, que estão em risco iminente de colapso. O galpão, portanto, foi interditado.
Em nota, a PJF lamentou o incêndio no galpão da Ascajuf e afirmou estar “ao lado da associação para dar total apoio aos catadores que atuam no local”. A Prefeitura afirmou, ainda, que na reunião que acontece semanalmente entre as associações e a PJF será elaborado um plano de ação para que os catadores que atuam na Ascajuf possam continuar exercendo seu trabalho. A PJF reforçou que os resíduos seguirão sendo destinados igualmente entre as associações.
Entidade busca se reerguer
Dois dias depois do incêndio, a Ascajuf tenta se reerguer. Nesta segunda-feira, o presidente da entidade contou que os dez associados e sete prestadores de serviço vão trabalhar temporariamente em uma associação parceira de recicláveis no Bairro Distrito Industrial, na Zona Norte.
“Vamos nos realocar lá para o pessoal não ficar sem renda e sem trabalho”, disse Portela, acrescentando que o objetivo da Ascajuf não é só gerar emprego ligado à reciclagem, como também aumentar a vida útil do aterro sanitário. “Coletamos, fazemos a triagem e armazenamos o material para ser vendido. Comercializamos cerca de 30 toneladas por mês”, detalhou. Só no primeiro semestre, foram 180 toneladas de produtos reaproveitáveis, recolhidos em escolas, condomínios e outros locais, que deixaram de ir para o lixo.
“Sabendo da importância do seu trabalho para toda a população, Portela disse que vai aguardar a realização da perícia da Polícia Civil, marcada para a próxima quarta (29), para definir os próximos passos. Ele espera conseguir recuperar parte do maquinário e lamentou o furto do motor de uma prensa, ocorrido na madrugada de segunda-feira. Como uma das paredes do galpão colapsou e foi abaixo com o calor, o local ficou exposto.
Na presidência da Ascajuf há dois meses e há oito anos na associação, que existe há 14, Portela avalia que a entidade é um patrimônio municipal e garantiu que todo esforço será feito para o espaço voltar a funcionar.

