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Juiz de Fora enfrenta epidemia de dengue

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Com 2.229 pessoas infectadas, Juiz de Fora passa por uma epidemia de dengue, chegando ao ápice de certificar 676 casos da doença somente na segunda semana de maio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que municípios com incidência superior a 300 casos por cem mil habitantes estejam em situação de alta transmissão de dengue. Ainda há casos sendo investigados. No mesmo período do ano passado, o município havia confirmado 573 infestações. Na região, além de Juiz de Fora, Além Paraíba, Chácara, Lima Duarte, Miradouro, Palma, Rio Pomba, Guarani e Rochedo de Minas estão em situação de epidemia. No estado, foram 43 mortes pela doença, sendo seis em Uberlândia e cinco em Uberaba. Na região, somente Viçosa registrou óbito por dengue.

O subsecretário de Vigilância em Saúde de Juiz de Fora, Rodrigo Almeida, enfatiza que a cidade vem registrando queda crescente nas notificações. Segundo o subsecretário, na comparação entre o pico, em maio, e a primeira semana de junho, quando a cidade confirmou 158 casos, houve uma queda de 72%. Nesta semana, foram 30 notificações. “Passamos por uma epidemia, mas estamos numa situação totalmente controlada. Além da entrada do frio, demos início ao fumacê em um momento propício, quando a cidade estava com muitos casos e mais mosquitos voando. As cidades que não usaram o UBV não tiveram essa queda drástica que JF teve”, conta Almeida.

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Para manter a situação sob controle, após a finalização do fumacê em 1º de julho, a Secretaria de Saúde irá disponibilizar dois caminhões para realizar mutirões da dengue em pontos estratégicos e em bairros onde houve grande quantidade de notificações. “Os agentes irão aos bairros fazer a fiscalização e, se verificar muito entulho, o mutirão será acionado para realizar o recolhimento imediatamente. Em agosto, pretendemos realizar o mutirão nas regiões aos sábados.”

A situação de epidemia também foi confirmada pelo epidemiologista Rodrigo Daniel de Souza. Segundo ele, “o problema maior pode ter passado. Mas os ovos, que são muito resistentes aos ambientes, estão aguardando o momento para eclodir. Se tivemos esse alto número só no verão, a gente pode esperar mais focos para o próximo verão, se nada for feito.”

 

Descumprimento

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Juiz de Fora, que hoje vive uma epidemia, em pleno inverno, descumpriu normatizações do Ministério da Saúde, levando o Ministério Público a propor um Termo de Ajustamento de Conduta. Conforme o promotor de Defesa da Saúde, Rodrigo Barros, a Prefeitura se recusou a assinar o termo, alegando não ter condições de aumentar o número de agentes de endemias. “Estamos avaliando se vamos entrar com uma ação civil pública para obrigar o Município a cumprir com as determinações. Essa deficiência de fiscalização, com certeza, impactou para se chegar a atual situação.”

No início de maio, a Tribuna mostrou que Juiz de Fora estava despreparada para enfrentar o mosquito da dengue. Desde então, a situação de recursos humanos é a mesma. Dos 354 agentes necessários para combater o Aedes aegypti, a cidade conta apenas com 150.

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População apoia multa para locais com focos

Os proprietários de bens móveis onde forem encontrados focos do mosquito da dengue poderão ser multados em R$ 700. A lei, publicada na última quarta-feira, visa a pressionar a população a tomar as medidas necessárias para combater o Aedes aegypti. Conforme o autor da lei, o vereador Chico Evangelista (PROS), apesar de punitivo, o projeto tem cunho preventivo. “A multa é uma forma de exigir que as pessoas cuidem dos seus bens. Campanhas educativas foram feitas, mas não estavam atingindo o seu objetivo. Tem que haver essa prevenção para que o mosquito não se prolifere e chegue na situação em que estamos hoje.”

O morador do Bairro Nossa Senhora de Lourdes João Wagner Siqueira é um dos defensores da lei. “Só assim a população irá se conscientizar. Muitos deixam os terrenos baldios sem cercar. Outras pessoas vão e jogam lixo no local. É o paraíso para o mosquito. Eu tenho um terreno grande e mantenho limpo. Não encontraram foco nenhum lá. Dá para cuidar, basta a pessoa ter consciência.” O morador do Bairro Teixeiras Waldevis Gomes também é a favor. “Você coloca em risco não só a sua vida, mas também das pessoas que residem no entorno.”

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