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Imóvel era vendido por até R$ 2 mil em golpe

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Dois homens de 38 e 22 anos foram detidos
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Dois homens de 38 e 22 anos foram detidos

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Dois homens de 38 e 22 anos foram detidos pela Polícia Civil, na tarde desta quinta-feira (27), suspeitos de vender imóveis do programa "Minha casa, minha vida", no Residencial Miguel Marinho, próximo ao Bairro Ponte Preta, na Zona Norte. Cada casa, avaliada em R$ 50 mil, segundo a investigação, era vendida pelo valor que variava de R$ 1.500 a R$ 2 mil. Segundo a polícia, mais de uma dezena de pessoas teriam sido enganadas, ocupando os imóveis de forma irregular. Com o suspeito mais velho, foram apreendidas duas armas de fogo, que seriam utilizadas para intimidar os moradores do condomínio. Com a dupla também foi recolhido cerca de R$ 700. O delegado Carlos Eduardo Rodrigues, responsável pelo caso, disse que o esquema vinha sendo investigado há cerca de um mês. Um dos investigadores chegou a se passar por um comprador e conversou com um dos suspeitos, que teria mostrado como o negócio funcionava. Nesta quinta os policiais tiveram a informação de que uma mulher, de 26 anos, estaria no local a fim de fechar o negócio com os suspeitos. Eles aproveitaram a ocasião para prender os dois envolvidos em flagrante.

Ainda conforme o delegado, o homem mais velho já teria trabalhado como servente para a empresa que construiu o condomínio e foi demitido. "Ele conhecia todos os imóveis e sabia exatamente quais os que ainda estavam desocupados. Se comportava como corretor e afirmava aos interessados que tinha condições de conseguir toda a documentação para regularizar a situação. Também afirmava que, para aquelas famílias com criança, a ocupação era tranquila, já que a Caixa Econômica não fazia a remoção, quando havia filhos pequenos na casa", ressaltou o delegado.

O segundo detido, que atualmente trabalha para construtora responsável pelo residencial, seria quem, dentro do esquema, captava possíveis compradores dos imóveis. Ambos foram levados para a delegacia, no Bairro de Lourdes, para prestarem depoimentos. Até o fechamento desta edição, os suspeitos ainda eram ouvidos. A mulher, 26 anos, que iria fechar o negócio, e uma outra, 28, que teve seu imóvel invadido; também iriam prestar esclarecimentos. O delegado Carlos Eduardo Rodrigues afirmou que, a princípio, a ocorrência tratava-se de crime de estelionato, mas que ainda iria apurar a responsabilidade de cada envolvido e que já tinha feito contato com a gerência regional da Caixa Econômica Federal a fim de saber quais procedimentos seriam adotados. "Dependendo do que for concluído no inquérito, o caso será encaminhado para Polícia Federal." O delegado também destacou que a construtora informou que, no último mês de maio, foram constatados que 12 imóveis haviam sido ocupados de maneira irregular.

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A mulher que iria comprar o imóvel contou que já era moradora do Residencial Miguel Marinho e que nesta quinta iria fechar o negócio para o pai dela. "Meu pai já tinha ido lá e visto uma casa, mas ela já tinha morador. Então ontem (quinta) voltei para ver o novo imóvel que nos tinha sido oferecido. Quando estávamos lá, a polícia chegou. Ele (o suspeito) cobrou R$ 1 mil pela casa e falou que a água e a luz podíamos pegar com a vizinha, fazendo um "gato". Ainda orientou que se alguém da Caixa chegasse, era só falar que tinha criança que não iam me tirar lá." Já a mulher de 28 anos, moradora do Bairro Francisco Bernardino, também na Zona Norte, contou que teria sido sorteado, na última terça-feira, para ficar com um imóvel e que nesta quinta ao chegar ao residencial deparou-se com uma família morando na casa que seria dela. "Eu já tinha assinado o contrato. Quero justiça. As pessoas que estavam no meu imóvel já moravam lá há seis meses e disseram que não iriam sair", lamentou a vítima, acrescentando que o suspeito chegou a levá-la para ver outro imóvel. "Ele queria que eu ficasse com esse outro, mas estava todo danificado, com rachaduras. Agora não sei o que vou fazer, pois já entrei a casa que morava de aluguel."

A assessoria de comunicação da Emcasa informou que a fiscalização da ocupação dos imóveis do residencial é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, ficando a Prefeitura de Juiz de Fora responsável pelo cadastro das famílias e pelo sorteio das casas, além de oferecer a infraestrutura para o loteamento. Informou ainda que vem sendo realizadas reuniões entre a Caixa, a Prefeitura e a Polícia Militar a fim de traçar soluções para o problema da invasão nos condomínios do programa "Minha casa, minha vida". Ainda segundo a assessoria da pasta, não existe outra forma de aquisição desses imóveis que não seja por meio de cadastro e sorteio.

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