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Aliados lançam Tarcísio a vice do PT

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Considerado o vice dos sonhos da pré-candidata do PT à Prefeitura de Juiz de Fora, Margarida Salomão, o ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB) sinalizou a aliados disposição para encarar a empreitada. A aposta é de que, ancorado no prestígio do seu nome, seja possível demover a pré-candidatura a prefeito do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB) e, dessa forma, antecipar para o primeiro turno um possível confronto entre o PSDB, do prefeito e candidato à reeleição, Custódio Mattos, e o PT, de Margarida Salomão. "É um ato de desprendimento dele (Tarcísio), dada a sua história política, e pode implicar em algo muito forte para a cidade", confirmou o ex-vice-prefeito João César Novaes (PMDB), um dos arquitetos da possível aliança, que deve reunir, além de PT e PMDB, o PSB e o PCdoB. "Encontrei-me com o governador (de Pernambuco), Eduardo Campos (PSB), e falei da disposição de abrir mão da minha pré-candidatura em favor de uma aliança com o PT. Deixei claro nosso total desapego com a possibilidade também de abrir mão da indicação do vice, caso o PMDB venha para a aliança. Principalmente se o vice for o Tarcísio", declarou o deputado federal Júlio Delgado (PSB), que é filho do ex-prefeito.

A vinda do ex-prefeito de forma definitiva para a disputa na condição de candidato a vice vai depender de Bruno e do PMDB. A avaliação de João César é de que o nome de Tarcísio será apresentado como opção ao diretório peemedebista apenas no caso de o deputado recusar o convite para conduzir a aliança. "A nossa primeira aposta continua sendo a busca pela unidade, tendo Bruno como articulador da aliança com o PT, cabendo a ele a indicação do vice, que não precisa ser necessariamente o Tarcísio." Com o deputado mantendo sua candidatura ao Executivo, a opção de ter o ex-prefeito como segundo nome da chapa encabeçada pelo PT será apresentada para avaliação dos membros do diretório. "Precisamos levar para o filiado do PMDB uma proposta real (de composição). Temos avaliações de pesquisas de que a presença de Tarcísio na chapa tem um peso muito significativo", explicou João César. Além do reforço na candidatura de Margarida, ele ressaltou a importância da presença do ex-prefeito na coligação para os peemedebistas. "Seria a garantia do espaço do PMDB em uma construção conjunta."

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Para o presidente do diretório local do PT, Rogério Freitas, a possibilidade de composição com o PMDB, PSB e PCdoB contemplaria as determinações da cúpula do partido para as eleições de 2012. "Temos recomendação para caminharmos com os partidos da base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Uma aliança nessa direção é o desejo da maioria dos petistas de Juiz de Fora." Seu entendimento é de que, confirmada a ampla coligação, será possível derrotar os tucanos e mudar o modelo de gestão."Somente com a ampla unidade entre os partidos podemos fazer a necessária transformação do nosso município." Questionado quanto à hipótese de ter Tarcísio como candidato a vice do PT, o dirigente reagiu com entusiasmo. "Caso se confirme, seria a notícia mais surpreendente e alvissareira para o cenário político de Juiz de Fora. Para nós, do PT, uma honra muito grande."

Ala de PMDB defende chapa pura

Ter o ex-prefeito como candidato a vice não é prerrogativa apenas do PT. A avaliação é do vereador Júlio Gaspatette (PMDB), que defende a composição de uma chapa pura do PMDB com o ex-prefeito como vice de Bruno Siqueira. "Temos um candidatura a prefeito colocada hoje de forma irreversível, que é a do Bruno. Respeitamos muito o PT, mas não podemos agora admitir qualquer possibilidade de indicarmos um candidato a vice. Isso não faz o menor sentido." Para o vereador, o desprendimento de Tarcísio ao colocar seu nome para compor uma chapa majoritária na condição de segundo nome pode reforçar ainda mais o partido. "Se ele (Tarcísio) quer ser vice, que seja do PMDB. Formaríamos uma composição forte que só aumentaria a nossa disposição para vencer a disputa."

Gasparette alegou que, como o ex-prefeito sempre foi homem de partido, sua permanência ao lado de seus correligionários seria o caminho natural. "Tenho um profundo respeito pelo Tarcísio. É um político sério, muito respeitado e com uma experiência muito grande. Se ele se juntar ao projeto de candidatura própria do PMDB, com certeza, representará uma contribuição muito grande." Caso o ex-prefeito coloque seu nome para a disputa , o vereador disse que outros nomes ligados a ele, como João César Novaes, seriam bem-vindos na chapa. "São peemedebistas históricos que conhecem o partido e sabem da importância da candidatura própria em uma eleição."

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O argumento de Gasparette, que é compartilhado por todos defensores da candidatura de Bruno, envolve o clamor do partido pelo retorno ao Executivo. O vice-presidente do PMDB local, Paulo Gutierrez, chegou a falar em fechar as portas do diretório, caso o projeto de voo solo seja abortado. Segundo ele, a ausência de candidato a prefeito hoje provocaria o esvaziamento da chapa proporcional com a consequente redução da bancada na Câmara Municipal. Fora isso, na sua avaliação, os filiados sentiriam-se traídos e deixariam de frequentar o partido. Por fim, ele ponderou até em relação ao futuro político de Bruno. "Houve o comprometimento do Bruno com o projeto que é do PMDB. Se acabarmos com tudo agora, na reta final, como fica sua situação? Não podemos fazer isso. O PMDB é grande hoje porque sempre honrou seus compromissos e sempre disputou as eleições."

Para tentar evitar um embate que aprofunde a cisão, a ordem entre os peemedebistas favoráveis à candidatura de Bruno é atrair os demais correligionários para o projeto de candidatura própria. Nesse sentido, já foram despachados interlocutores para forçar o diálogo com João César e outros caciques de mesma estatura. Mesmo o deputado Júlio Delgado teria sido sondado quanto à possibilidade de aproximação. As conversas ainda estão em curso e devem se estender até as convenções.

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