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Sopa dos Pobres pede ajuda para manter atendimento

a presidente da entidade vanda coelho lamenta baixas nas doacoes desde o ano passado olavo prazeres10 03 16

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O relógio marca o horário da refeição. Por volta das 11h, a fila começa a se formar em frente ao antigo prédio do Tiro de Guerra, que fica na Rua Santo Antônio, região Central de Juiz de Fora. Ali funciona, há quase 85 anos, a Sociedade Sopa dos Pobres, que serve almoço gratuito a pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social. Aquele prato de sopa, para boa parte dos frequentadores, é o único alimento disponível durante o dia. A rotina, porém, pode ser suspensa a qualquer momento, pois a entidade, que atende diariamente uma média de 180 pessoas, vem enfrentando dificuldades financeiras para manter os serviços, em virtude dos gastos com água, luz e telefone, além do custeio com os funcionários.

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“Desde junho do ano passado, começamos a ter baixas em nosso caixa e nas doações. Em dezembro, nosso saldo foi zero. Já passamos por muitas dificuldades, mas atualmente está bem maior. Tínhamos muitos associados, mas parte já faleceu e e outra, por conta da crise, deixou de contribuir”, explica Vanda Fonseca Coelho, presidente da Sopa dos Pobres. Segundo ela, a despesa mensal da entidade, incluindo todos os custos com manutenção e com funcionários, chega a R$ 13 mil.

A presidente da entidade Vanda Coelho lamenta baixas nas doações desde o ano passado (olavo prazeres/10-03-16)

Vanda conta que a Sopa dos Pobres possui hoje um déficit mensal de R$ 7 mil, que, por um tempo, chegou a ser coberto com reservas financeiras da casa, mas as mesmas estão próximas do fim. “Não queremos tomar medidas extremas, como dispensar trabalhadores ou, até mesmo, fechar as portas. Por isso estamos na busca por novos associados e parcerias com empresários, além do povo de Juiz de Fora, que sempre foi solidário e filantrópico”, ressalta.

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A rotina de trabalho na Sopa dos Pobres começa cedo. Por volta das 8h, a equipe já está de prontidão para organizar as doações que chegam e preparar as refeições que serão servidas. Nos cinco dias de funcionamento, em quatro são servidos a sopa e em um deles um cardápio diferenciado. Em todas elas são ofertados pães, que são doados por um dos associados e, em quatro dias da semana, doces como sobremesa, encaminhados pela Fábrica de Doces Brasil, uma das poucas empresas parceiras da casa.

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Distribuição dos alimentos acontece de segunda a sexta-feira há quase 85 anos (olavo prazeres/10-03-16)

A nutricionista Mariá Reis Franco explica que as refeições são balanceadas com proteínas, vitaminas e carboidratos. “Tentamos manter este padrão dentro do que recebemos. Há sempre legumes, carne, arroz e macarrão. Quando recebemos algo de diferente, como no caso da feijoada, servimos junto com o arroz”, pontua. No dia em que a Tribuna esteve na entidade, os alimentos que estavam na dispensa eram provenientes de uma campanha feita por um associado. Conforme a estimativa da equipe, daria para servir o almoço por até três semanas.

História

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A caminhada da Sopa dos Pobre começou em 1910, quando o casal Ludgero e Alcides Guimarães Moreira fundaram a sociedade. A ideia surgiu nos preparativos para a comemoração do aniversário de 15 anos da filha Dulce Guimarães, única mulher entre os filhos do casal, que consistia na distribuição de lanches às crianças de rua da cidade. A instituição inicialmente funcionava aos sábados. O casal e mais três colegas saíam na parte da manhã pelas ruas em busca de comerciantes que pudessem contribuir com os alimentos para produzir o almoço. A distribuição aos sábados continuou até 1931, quando a instituição foi registrada e passou a funcionar durante toda a semana.

A Sopa dos Pobres funciona hoje com cinco funcionários e conta com a colaboração de 13 voluntários. A entidade é mantida apenas com contribuições em dinheiro e de gêneros alimentícios, que chegam por meio da população da cidade. A distribuição da sopa acontece de segunda a sexta-feira, das 11h ao meio-dia. Não há restrição ao número de vezes que a pessoa pode se alimentar. A casa recebe outros tipos de doações, como roupas e móveis, que são encaminhados aos assistidos. Os alimentos não utilizados na produção das refeições, como leite, também são repassados aos usuários.

‘Estar neste mundo com sabedoria’

Em quase 85 anos de funcionamento pleno na cidade, a Sopa dos Pobres faz a diferença na rotina de várias pessoas, como Wanderley de Oliveira Bernardo, 47 anos, frequentador assíduo da casa por mais de dez anos. Durante o dia, ele ganha a vida como lavador de carros, mas reserva o horário de almoço para ir até o local. “É uma ajuda importante para nós que vivemos nas ruas, e a comida é gostosa. Já presenciei épocas em que a Sopa esteve para fechar. É um serviço que não pode acabar nunca na cidade.”

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Do outro lado da moeda, está Roselaine Ribeiro Assunção, 54, que atua desde 2000 como auxiliar administrativa, conta que sua relação com a Sopa dos Pobres vem desde a infância. Tudo começou com o avô que trabalhou na casa, depois passou para mãe e para a tia. Agora é ela e a irmã que atuam na instituição. “É um prazer poder servir a estas pessoas uma comida de qualidade. Apesar do nome “Sopa dos Pobres”, nada aqui é feito de qualquer jeito. Temos todo o cuidado durante a preparação e higienização dos utensílios. Independentemente do nível social, tratam-se de seres humanos.”

Por sempre ter frequentado a casa como voluntária, Rose tira lições diárias de vida, principalmente quando se depara com alguém reclamando. “As pessoas que frequentam a Sopa um dia tiveram algo, hoje elas não têm mais. Aprendi que o mundo dá muitas voltas, e isto mostra para a gente que temos que estar neste mundo com sabedoria.”

 

Como ajudar a Sopa dos Pobres

Doações financeiras podem ser feitas por meio de depósito bancário Banco do Brasil, Agência: 0024-8, Conta: 8613-4

Alimentos, roupas e outros objetos podem ser deixados na sede, que fica na Rua Santo Antônio 110. Telefone: (32) 3211-8401

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