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Família recebe restos mortais trocados

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Chuva provoca erosões e levam marcadores de túmulos
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Chuva provoca erosões e levam marcadores de túmulos

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O desaparecimento dos restos mortais de uma idosa que havia sido enterrada no Cemitério Municipal de Juiz de Fora provocou revolta na família. O caso aconteceu quando os familiares de uma senhora de 90 anos resolveram pedir a exumação do corpo, para levá-lo ao túmulo da família em um cemitério de Ipatinga. No entanto, quando os ossos chegaram na cidade do Vale do Aço, a troca foi percebida. "Já chorei muito, agora só quero que venham buscar o corpo de um estranho que acabou ficando no túmulo da minha família," diz a nora da idosa, uma aposentada de 73 anos. Moradora de Ipatinga, ela conta que, desde dezembro do ano passado, a família tenta devolver os ossos da outra pessoa e chegou até a registrar um boletim de ocorrência na Polícia Militar (fac-símile 1). "Depois de todas as exigências burocráticas, meu filho foi até Juiz de Fora buscar os restos mortais, que foram entregues em um saco plástico, dentro de uma caixa. Quando chegou aqui em Ipatinga, percebemos que o crânio tinha dentes e os cabelos eram pretos. O que não condizia com as características da minha sogra. Ela usava dentadura e tinha os fios muito brancos", contou.

Conforme consta nos documentos apresentados, a idosa de 90 anos foi enterrada na área de covas rasas, em maio de 2008. De acordo com a legislação do cemitério, para fazer a exumação e transferir o corpo para outro local, seria necessário esperar cinco anos. O prazo foi obedecido pela família e, após vencido, foi solicitada a transferência para o mausoléu na cidade de Ipatinga. Para isso, foi paga a taxa de remoção (fac-símile 2). Depois de constatarem o erro, pediram uma explicação."Fomos informados que seria muito difícil encontrar os restos mortais verdadeiros, pois devido à localização de onde ela foi enterrada é comum os coveiros misturarem as marcações que são carregadas juntos com a terra que desce com a erosão e as águas da chuvas", relata a advogada da família Mari Cabral.

 

Sem resposta

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Ciente da dificuldade, a família conforma-se apenas em devolver para o cemitério de Juiz de Fora os ossos que não são de quem deveria ser. "Caso a gente precise sepultar outra pessoa, não podemos, porque o túmulo está ocupado. Conforme está nos documentos, pagamos as taxas de exumação e fizemos o translado. Já que o que foi entregue está errado, nada mais justo que a Prefeitura execute esse retorno", desabafa a aposentada. "O problema é que três meses se passaram e, até hoje, não temos uma resposta e ainda estamos tendo dificuldades para falar com os responsáveis que não atendem mais meus telefonemas. Na administração, também não consigo falar com ninguém. Gostaria de resolver tudo de forma simples, sem confusão, mas não tenho retorno, estamos nos sentindo desamparados", completa.

De acordo com o administrador do Cemitério Municipal, Anderson Stehling, esta é a primeira vez que uma situação dessa acontece e por isso é preciso avaliá-la com muito cuidado. "Consta em nossa documentação que os restos mortais que saíram daqui são da idosa. Se em Ipatinga eles constataram ser de outra pessoa, o caso tem que ser muito bem estudado para que possamos dar um retorno e vamos dar." A advogada da família reforça que está à disposição para quaisquer outros esclarecimentos ou envio de documentos: "Mas antes é preciso que sejamos atendidos", encerra.

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Chuva agrava situação no setor de covas rasas

A situação do Cemitério Municipal causa preocupação em quem mora próximo à área. No dia 13 de março, moradores encontraram um pedaço de osso na Rua Professora Carolina Coelho, onde fica o Instituto Médico Legal (IML). Apesar de apenas um exame pericial poder revelar se o objeto pertenceu a uma pessoa ou animal, as reclamações crescem e chamam a atenção para os 120 mil metros quadrados que compõem o cemitério. No local existem 20.762 túmulos, distribuídos entre nove mil lápides, 4.500 gavetas, 15 mil covas rasas, 500 mausoléus e uma história que começou em 1850, quando foi fundado.

A grande extensão e o tempo de existência trazem também os muitos problemas de estrutura e desorganização. A área destinada às covas rasas é alvo de constantes reclamações. Em tempos de seca, é a falta de capina; em períodos de chuva, a erosão do local, agravada pelas enxurradas que carregam terra, materiais diversos e os marcadores de túmulos, tornando impossível, em alguns casos, distingui-los. Outros setores, como o das gavetas, também não escapam. Uma dona de casa de 29 anos, há meses tenta encontrar o local onde seu irmão foi enterrado. Apesar de ter as informações que indicam a posição do túmulo, a numeração não é encontrada, o que torna a busca impossível. "Na administração, eles acham o nome e a posição direitinho, mas de que adianta se, na prática, não o encontro. Acabei desistindo", conta.

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O geógrafo Carlos Wilson Pereira acredita que há solução para o Municipal, desde que seja feito um plano de manejo para contenção da encosta. "Além disso é preciso colocar uma vegetação adequada e dar um bom treinamento para os funcionários", explica. O diretor do cemitério, Anderson Stehling, informou que a principal dificuldade está em reorganizar um lugar tão antigo. Por isso estão investindo em treinamento e estruturação. Quanto ao caso das gavetas não encontradas, disse não ter recebido a solicitação, mas, caso tenha ocorrido, irá averiguar.

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