Foi sepultado no Cemitério Municipal, na manhã desta terça-feira (27), o jovem Marcelo Rodrigues, 18 anos, morto na madrugada de segunda-feira, no Hospital de Pronto Socorro (HPS), depois de ser espancado por populares após o assalto a um casal de idosos, na tarde de domingo, no Bairro Cascatinha, Zona Sul. A família acompanhou o cortejo e deu o último adeus ao rapaz, que teria problemas psiquiátricos e teria ficado internado para tratar, também, a dependência química. "Ele usava medicamentos, mas, nesse dia, não havia tomado os remédios, ficando mais agressivo. Mesmo que tenha feito alguma coisa errada, foi muita covardia o que fizeram com meu irmão. O certo é que ele fosse detido e entregue à polícia", desabafou a irmã de 30 anos.
> Linchamento no Cascatinha suscita debate sobre violência
Segundo ela, Marcelo era o segundo mais novo da família de cinco irmãos. Ele teria sido perseguido por um grupo e imobilizado na Avenida Doutor Paulo Japiassu Coelho após o assalto. Quando os policiais militares chegaram, os suspeitos de promoverem o espancamento já haviam devolvido a bolsa roubada à vítima e deixado o local. Em poder do rapaz ferido e desacordado, os policiais encontraram uma faca que, supostamente, teria sido utilizada no roubo. "Nada justifica o fato de várias pessoas terem se juntado para matá-lo", completou a irmã.
"A informação que nos deram é de que umas 15 pessoas derrubaram meu filho no chão e só deram chutes na cabeça dele. Que esses agressores sejam identificados, julgados e punidos, porque o que aconteceu com ele pode ocorrer com os filhos de qualquer pessoa. Queremos nada mais, nada menos, que justiça", disse a mãe do rapaz de 47 anos. Ela contou que o filho morava com ela, no Bairro Dom Bosco, Cidade Alta.
De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, a autoria do caso será apurada pela Delegacia Distrital responsável pelo Bairro Cascatinha tão logo o auto de prisão em flagrante retorne da Justiça.
Segundo caso
A morte de Marcelo foi o segundo caso de homicídio causado por espancamento na cidade em pouco mais de uma semana. As ocorrências chamam atenção pela brutalidade e pela proximidade entre as datas, já que o município não possui histórico deste tipo de crime, no qual a população pretende "fazer justiça com as próprias mãos", contrariando as leis e os direitos humanos. No último dia 17, um grupo, formado por pelo menos seis pessoas, cercou um suposto atirador, 22, e o agrediu com pedradas e pauladas em retaliação ao homicídio de Ivo Bruno Machado de Brito, 21, assassinado a tiros no Bairro Nossa Senhora Aparecida, Zona Leste. Lucas de Oliveira Sodré, que teve o flagrante confirmado pelo homicídio na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, foi internado em estado grave e com escolta no HPS. Ele não resistiu aos ferimentos na cabeça e pescoço e faleceu no dia 21. Nenhum suspeito de promover a violência foi preso.
A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que, depois que Lucas teve a prisão confirmada pelo delegado Saed Divan, responsável pelo recebimento de flagrantes na 1ª Delegacia Regional, o caso foi encaminhado à Justiça. Entretanto, com a sua morte, o processo que ele respondia pelo óbito de Bruno será arquivado. Ainda conforme a assessoria, um novo inquérito vai ser aberto a fim de investigar a autoria do assassinato de Lucas. Serão realizados novos depoimentos de pessoas citadas no processo que investigava o homicídio de Bruno e ouvidas testemunhas que, possivelmente, presenciaram a agressão contra o outro jovem.
