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Moradores do Ponte Preta alegam abandono em meio aos impactos da chuva em Juiz de Fora

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“Estamos ilhados, porque o Bairro só tem uma saída. Não temos abrigo. A Defesa Civil não veio e as pessoas estão saindo por conta própria. Estão tendo vários deslizamentos e as pessoas estão com medo das casas caírem”, relata a moradora do Bairro Ponte Preta, Yasminn Moreira, de 25 anos. Fundadora e coordenadora do projeto Sou Mais JF, Yasminn afirma que o Poder Público não vem olhando para o bairro, que fica na Zona Norte de Juiz de Fora. Localizado próximo ao leito do Rio Paraibuna, o Ponte Preta sofreu com alagamentos após o aumento do nível do Rio, além de ser impactado pelos deslizamentos que vêm ocorrendo em toda a cidade desde as fortes chuvas registradas na última segunda-feira (23).

“Achei que o Ponte Preta estivesse mais tranquilo, mas não está nada. O nível do rio está aumentando cada vez mais”, desabafa. O Bairro fica próximo a algumas represas, como a João Penido e Chapéu D’uvas, o que aumenta o fluxo de águas na região, contribuindo para alagamentos e extravasamento do Paraibuna.

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A Tribuna questionou a Defesa Civil da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) sobre a possibilidade de realizar ações no Ponte Preta, que informou que está com alto volume de demandas, diminuindo o alcance do Poder Público na cidade. Além disso, a subsecretaria orienta para que as pessoas persistam na tentativa de contato com a Defesa Civil pelo número 199, uma vez que as ligações entram em uma fila de espera. “Em caso de insegurança, mesmo em vias onde não houve indicação formal de evacuação, a recomendação é sair de casa. Quem não tiver para onde ir deve se dirigir aos abrigos disponibilizados pela Prefeitura”, reforçou.

Em meio ao cenário caótico vivido na cidade, Yasminn se transformou em um pilar para a comunidade do Ponte Preta e também para outros bairros da Zona Norte de Juiz de Fora. O projeto Sou Mais JF presta apoio à pessoas vulnerabilizadas desde 2018 e, atualmente, está funcionando como ponto de coleta de doações e de distribuição para outros locais no município: “Estamos precisando de voluntários para fazer a separação das roupas que estão chegando. Precisamos de materiais de limpeza, como vassoura, rodo, kits de higiene pessoal, pastas de dente, escovas, absorventes e fraldas. A água também é extremamente importante, porque está acabando muito rápido.” A iniciativa também está aceitando doações pelo número (32) 98808-3353 ou, então, através de doações presenciais na Rua Ursulino Marcelino da Hora, n° 80. Para entrar em contato com o Sou Mais JF, ligue para o número (32) 98801-8187.

Mesmo com apenas 22 anos, a líder do Sou Mais JF cumpre papel importante no bairro. Ela vem recebendo diversas mensagens de moradores que não conseguiram contato com a Prefeitura e que agora recorrem à Yasminn para encontrar esperança. Durante a conversa com a reportagem, ela relatou que havia acabado de receber uma mensagem de um morador que pedia ajuda para conseguir algum auxílio da Defesa Civil: “Um morador aqui do bairro mora em um barranco e precisou sair da casa. Ele tem duas crianças. A esposa e os filhos foram para a casa da sogra e ele está ficando na casa do irmão, e assim a gente vai tentando se ajeitar.”

*Estagiário sob supervisão da editora Mariana Floriano

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