
Após registros de crimes, PM vai intensificar atuação, entre 11h e 14h, no entorno de colégios
Os furtos e roubos nas imediações de escolas na região central de Juiz de Fora vêm causando preocupação aos pais quanto à segurança de seus filhos. Os episódios são frequentes, e, em alguns casos, há registro de violência. Apenas nesta semana, já foram, pelo menos, três. O crescimento da incidência destes crimes, nos quais os estudantes são vítimas, fez com que a 4ª Companhia da Missões Especiais (CME) da PM desse início ontem a uma operação utilizando a Cavalaria. Diariamente, entre 11h e 14h, os policiais vão atuar na área entre a Rua Santo Antônio e a Avenida Olegário Maciel, onde há uma concentração de instituições de ensino.
Na tarde da última quarta-feira, a Polícia Militar capturou dois rapazes que teriam roubado o celular de um adolescente, 14 anos, na Avenida Olegário Maciel. O caso aconteceu quando a vítima saía da escola. O garoto ainda sofreu ameaças de ser esfaqueado caso gritasse. Segundo a PM, após o adolescente repassar as características físicas dos criminosos, um intenso rastreamento, articulado com as imagens do “Olho vivo”, levou à prisão dos suspeitos, cujas idades não foram informadas, no cruzamento das ruas Santa Rita e Batista de Oliveira. Um deles teria praticado o roubo e o outro auxiliado na fuga, fazendo a troca de bonés. O celular foi recuperado. Na tarde de segunda-feira, dois alunos tiveram celulares roubados. Em um dos casos, por volta das 13h, o adolescente, 16, estava nas imediações do Parque Halfeld. No outro episódio, um aluno foi assaltado pouco antes das 13h na esquina das ruas Tiradentes com Pasteur. Ele teve seus pertences recuperados com a ajuda de populares e não se feriu.
Em depoimento à reportagem, a mãe de uma estudante, que preferiu não ser identificada, disse que, apenas no prédio em que reside, três adolescentes foram assaltados a caminho do colégio. Segundo ela, em todas as ocorrências, os criminosos utilizaram de arma branca e violência. “Devemos ter a consciência de que a segurança deve ser feita pela polícia, mas as escolas podem melhorar, agindo em conjunto, exigindo patrulhas permanentes, mantendo contato com a PM de forma constante, informando as ocorrências que, muitas vezes, não são registradas. Não podemos esperar que o Poder Público faça tudo sozinho. A segurança é um problema de todos”, ressalta.
Ela pontua que, felizmente, sua filha de 13 anos ainda não foi assaltada, porém, para protegê-la, a rotina em casa sofreu mudanças. A mãe tem procurado levá-la e buscá-la na escola todos os dias. “Crianças e adolescentes, que estão começando a se locomover sozinhos, se sentem inseguros. Com o aumento da violência, eles se tornam visados. É assustador.”
Outra mãe não teve a mesma sorte. Em julho do ano passado, sua filha, na época com 15 anos, teve o celular roubado enquanto ia para a escola, por volta de meio-dia, na esquina das ruas Silva Jardim e Santo Antônio. “Depois desse episódio, muita coisa mudou. Eu e ela deixamos de andar seguras pelas ruas.” Segundo a mulher, a filha foi abordada por dois garotos, sendo que um deles encostou um objeto semelhante a uma faca em sua barriga. “Ela entregou o aparelho e não reagiu. Assustada, saiu correndo e quase foi atropelada por uma moto. A Santo Antônio merece mais atenção, pois é uma via em que circulam muitos adolescentes”, enfatiza.
Operação visa a coibir novos casos
Conforme o chefe da seção de planejamento estratégico da 4ª CME, tenente Carlos Vilaça, o lançamento dos policiais da Cavalaria está sendo feito seguindo as estatísticas criminais da região e denúncias da comunidade. “Percebemos que estava ocorrendo um crescimento de crimes contra o patrimônio não violentos. As vítimas eram, principalmente, estudantes, que eram abordados no horário que compreende a saída do turno da manhã e entrada do turno da tarde”, comentou o oficial. Segundo ele, a manobra preventiva não tem data para terminar. “Nossa atenção está voltada para esta área onde há vários colégios, mas pode ser que mude conforme a demanda.”
Além da ação da Cavalaria, a 30ª Companhia, responsável pelo policiamento na área central, já tinha observado aumento destes crimes e vinha aumentando o policiamento na região, principalmente nos horários de entrada e saída das escolas, nos períodos diurnos e vespertinos. “Atuamos em conjunto com os colégios, buscando informações para delinear nossas ações. Não aumentamos o número do efetivo, porém, realocamos o já existente, a partir do deslocamento de policiais em bicicletas, motos e viaturas”, disse a tenente Evelyn Souza, acrescentando que o trabalho preventivo reduziu o número de ocorrências.
A tenente ressaltou ainda a distribuição de panfletos informativos com dicas de segurança. “É importante que os estudantes tenham mais atenção ao caminharem até as escolas. Não ficar expondo seus pertences e andarem sempre em grupo”, orienta.
Colégios investem em conscientização
Embora fuja da alçada das instituições manter a segurança de seus alunos além das dependências físicas, muitas procuram investir em campanhas de conscientização e na proibição do uso de aparelhos celulares em sala de aula. Segundo o diretor do Colégio Machado Sobrinho, Miguel Luiz Detsi Neto, todos os anos, a escola recebe relatos de estudantes que tiveram seus pertences levados nas imediações da instituição. “Orientamos aos alunos a não trazerem este tipo de objeto, muito para evitar essas situações. No ato da matrícula, informamos às famílias que os celulares são proibidos. Já buscamos apoio na Polícia Militar, que até reforçou a segurança e reduziu o número de casos, mas não solucionou o problema.”
O coordenador pedagógico do Colégio Apogeu, Rodrigo Cruz, reconhece que é difícil impedir que os jovens deixem os aparelhos em casa. Diante disso, a escola tem apostado em ações periódicas voltadas para a segurança, como a não exposição dos aparelhos em via pública. “Se forem vítimas de assalto, pedimos que procurem registrar o boletim de ocorrência, pois é por meio dele que a PM realiza o mapeamento de suas ações.”
No Colégio Academia, a proibição dos celulares também está em vigência. Segundo a direção, no começo do ano, coordenadores conversam com estudantes e expõem as normas internas, orientando-os a não levarem aparelhos eletrônicos. “Caso necessitem fazer chamada telefônica urgente, eles podem contar com auxílio do Serviço de Orientação Educacional”, disse a nota enviada pela assessoria do colégio.
*colaborou Michele Meireles

