A Rua José Lourenço, via que liga o Bairro Borboleta ao São Pedro, na Cidade Alta, amanheceu nesta quinta com diversos pontos de desmoronamento de terra, inclusive com quedas de árvores. Com isso, alguns trechos tiveram o fluxo de carros em meia pista. Preocupação maior para a moradora Marcia Mariano, 43 anos, que vive em uma casa acima do barranco na via. Segundo ela, a falta de uma rede de captação pluvial faz com que a água ganhe força durante as chuvas, atingindo o talude de forma severa. "Durante a chuva, fiquei presa em casa, e a situação está cada vez pior."
Na Zona Sul, casas da Rua Francisco Vaz de Magalhães, no Cascatinha, ficaram inundadas. A via amanheceu nesta quinta tomada pelo barro. "Nunca pensei que isso pudesse acontecer na minha casa. Tem dez anos que moro aqui e nunca tinha ocorrido", conta a dona de casa Milena Valéria dos Santos Pereira. Ela diz que estava descansando no quarto, no segundo andar, quando a vizinha tocou o interfone desesperada, avisando que o imóvel dela já havia sido invadido pela água. "Quando desci, a garagem já estava tomada e, aos poucos, a água foi entrando na sala e em outros cômodos do primeiro andar." De acordo com ela, o líquido que invadiu a residência parecia ser esgoto. As perdas materiais ainda não foram contabilizadas, mas a dona de casa sabe que o sinteco da sala ficou comprometido, assim como uma mesa de jantar.
Tensão também era o que se via nesta quinta na Rua Belizário de Castro, no Grajaú, Zona Leste, onde parte do asfalto cedeu e atingiu uma casa. Segundo moradores, não havia ninguém no imóvel. Já na Avenida JK, na Zona Norte, diversos pontos de alagamentos foram observados durante a tempestade.
Lamaçal
Na Avenida Juiz de Fora, altura do Bairro Granjas Betânia, região Nordeste, a queda de barrancos no fim da tarde de quarta-feira impediu o fluxo de veículos, causando retenções até a MG-353, na altura do km 65, próxima à Estrada do Continente. Nesta quinta, a via já estava liberada, mas o lamaçal ainda era grande. Os condutores que chegavam a Juiz de Fora vindos da região de Ubá no final do feriado tiveram que buscar uma passagem alternativa pela estrada de chão que liga a rodovia estadual a BR-040. Eles enfrentaram dificuldade porque a passagem estava alagada, e um caminhão acabou atolando, o que causou uma nova fila de veículos. Para passar, foi necessário abrir um novo caminho por um pasto próximo.
Na Estrada Athos Branco da Rosa, na ligação entre os bairros de Lourdes e Santo Antônio, próximo ao Poço D’Anta, na Zona Sudeste, um barranco deslizou, atingindo duas residências. Os moradores foram orientados a deixar emergencialmente o local, indo para casas de parentes. Em função da queda de terra, o coordenador de Ações Sociais e Preventivas da Defesa Civil, Marcelo Enes, disse que cinco imóveis foram interditados. "O volume de terra alcançou 20 metros de comprimento e cinco metros de altura, atingindo duas residências. Não houve feridos, mas um cachorro morreu soterrado", relatou o coordenador, ressaltando que a situação é preocupante.
No Distrito de Torreões, houve queda de barranco em diversos pontos da estrada, impedindo o trânsito. O presidente da Associação Pró-Melhoramento de Torreões, Carlos Manoel Gomes de Carvalho, afirmou que os moradores ficaram ilhados. O problema, conforme ele, também afetou as populações de Jacutinga e Pirapetinga. "As pessoas não conseguiram sair para o trabalho, já que o transporte público ficou impedido de passar", relatou Carlos, acrescentando que as comunidades esperam que o problema seja resolvido, uma vez que é recorrente nesse período de chuvas.
E na União e Indústria, na altura do Granjeamento Santo Antônio, houve a queda de barreira, que impediu o acesso de ônibus urbanos. "Apesar de ser jurisdição do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), estamos retirando a barreira e colocando no acostamento, para permitir a passagem de ônibus até que o órgão tome as providências necessárias", explicou o subsecretário de Operação Urbana da Secretaria de Obras, José Walter Ávila.
