Começa neste sábado (26), às 13h, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com a aplicação das provas de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias. Somente em Juiz de Fora serão quase 28 mil candidatos, a maioria buscando a tão sonhada vaga em uma universidade pública. Um número recorde para concursos e vestibulares realizados na cidade. Com tantas pessoas no município, é grande a preocupação por conseguir chegar na hora para realizar os exames. Na tarde desta sexta, o trânsito já estava intensificado na área central, com alguns pontos de lentidão, com a chegada de estudantes da região para a prova. Ao todo, os concorrentes vão enfrentar dez horas de prova, sendo quatro horas e meia neste sábado e mais cinco horas e meia domingo, também a partir das 13h.
Para facilitar o fluxo dos veículos, a Settra realizará alterações nas vias no entorno da Campus da UFJF. As ruas Adolpho Kirchmaier, Virgulino João da Silva, Joaquim Caetano, Pedro Gerheim e José Almério Oliveira, todas no Bairro São Pedro, serão interditadas para servirem de estacionamento. Na Rua José Lourenço Kelmer, entre o portão Norte da universidade e o trevo do Jardim Casablanca, nesse sentido, o tráfego será em mão única. A Rua Lauro Teles de Mesquita sofrerá inversão de sentido. E os veículos provenientes do Centro com destino à UFJF deverão realizar o seguinte trajeto: Avenida Pedro Henrique Krambeck, Rua Lauro Teles de Mesquita e Rua José Lourenço Kelmer.
Candidatos
Mas se engana quem pensa que o exame é feito apenas por alunos do terceiro ano. Pelo contrário, 64% das inscrições foram feitas por pessoas que já concluíram essa etapa ou que não estão cursando o ensino médio. Dentro dessas estatísticas também estão os 15% maiores de 30 anos, que decidiram aderir ao concurso como porta de entrada aos cursos superiores do país. A razão apontada pelos especialistas para esse crescimento é de que o Enem deixou de ser apenas uma prova de avaliação de ensino e passou a ser útil para outros objetivos, como acesso a bolsas em faculdades particulares, diploma de ensino médio e intercâmbios pelo "Ciência sem fronteiras". O jornalista João Paulo Mauler, 31 anos, deixou a universidade há seis anos e agora pretende disputar vaga na medicina. "Há uns dois anos, comecei a pensar nisso, mas só este ano pintou a coragem. Fiz a matrícula no cursinho em fevereiro e estudei bastante o ano todo."
Erros e chances
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reforça que manter a concentração pode fazer diferença, já que eventuais rasuras e a marcação de mais de um item por questão no cartão de respostas não serão admitidas. O ideal é que os últimos 30 minutos sejam reservados para o preenchimento do mesmo.
Nesta sexta, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que a pasta fará um monitoramento nas redes sociais para acompanhar o comportamento de estudantes que eventualmente postarem fotos da própria prova durante a aplicação.
Entender a correção auxilia concorrentes
Estar tecnicamente bem preparado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é fundamental. Mas conhecer os processos de correção pode ser um diferencial na hora de conseguir alguns pontos a mais. Afinal, são 1,7 milhão de concorrentes.
A metodologia de correção adotada pelo Enem desde 2009 é a chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI). A mesma utilizada em grandes exames, como o SAT (espécie de vestibular para algumas universidades norte-americanas) e o Toefl (que avalia proficiência em inglês). A TRI leva em consideração não apenas a simples soma de acertos das questões, mas também o grau de dificuldade de cada item e o perfil do estudante em relação aos demais.
A correção ainda confunde muitos candidatos, mas é considerada, por especialistas, como a avaliação mais eficaz e precisa. O diretor da empresa especializada em avaliações e métricas educacionais Primeira Escolha, Tadeu da Ponte, explica que o número de acertos não é o que importa e sim a proficiência dos alunos.
Para a correção, é utilizado um complexo sistema de cálculo. "Por exemplo, se em uma disputa de força, um candidato aguenta, no máximo, levantar 40kg, ele não vai conseguir, naquela competição, levantar 80kg. É isso que o sistema faz. Se o candidato tem conhecimento até certo nível, ele pode acertar questões de níveis acima. Mas o sistema irá desvalorizar esse acerto, considerado como sorte", exemplifica Ponte. Ele ressalta que, mesmo sendo desvalorizados, os acertos são contabilizados e orienta os alunos a não deixarem questões em branco.
Dicas
Ponte aconselha os concorrentes a "administrarem o tempo", não ficando presos a uma questão. Ele também recomenda que o aluno divida bem o tempo de prova nas duas áreas. "Uma estratégia pode ser resolver dez ou 15 questões de cada área do dia por vez, alternadamente."
O diretor orienta os candidatos a não tentarem adivinhar o nível de dificuldade das questões. "Não é possível dizer simplesmente que questões mais difíceis valem mais, porque o valor de cada questão depende do perfil de cada aluno."
