Hoje 386.662 eleitores de Juiz de Fora têm a possibilidade de contribuir para a escolha dos 19 vereadores que vão compor a Câmara Municipal e do prefeito que
| Sebastião Prudente, morador de Rosário de Minas, percorre estradas de terra para chegar á sua seção |
| Carlos Alberto Chagas escutou as propostas dos candidatos pelo rádio e torce para a vida melhorar |
irá governar a cidade nos próximos quatro anos, caso a eleição seja decidida no primeiro turno. Se, para muita gente, sair de casa e votar é um ato simples, para algumas pessoas, efetivar o exercício de cidadania é bem mais complicado. Há quem precise andar quilômetros ou então enfrentar estrada de chão e quase uma hora dentro de um ônibus para chegar à seção eleitoral. Nem assim esses cidadãos se intimidam ou deixam de se interessar pelo pleito.
Esse é o caso do trabalhador rural Sebastião Prudente Prata, 42 anos, morador de Rosário de Minas, na Zona Norte. Apesar de ter que percorrer nove quilômetros – boa parte em estrada de terra – para chegar à urna mais próxima de sua residência, ele diz que não desanima de votar. "Toda eleição eu voto e não é porque sou obrigado ou porque, nesta época, vem muita gente aqui pedir voto. É porque ainda acredito, mesmo sabendo que só vão voltar quatro anos depois."
O operador de retroescavadeira Carlos Alberto da Silva Chagas, 40, também faz uma peregrinação até chegar ao local de votação. Ele mora na região do cafezal, próxima ao núcleo urbano de Penido, na região Norte, mas não transferiu o título e prefere continuar votando em Benfica, onde vive parte da família. "Ando uns três quilômetros junto com a minha mulher. Ela fica em Penido, porque vota lá, e eu sigo mais 40 minutos de ônibus até Benfica. Faço todo esforço para votar, porque é um compromisso." Carlos Alberto diz que recebe informações sobre as eleições pelo rádio. "Fico ouvindo na retroescavadeira. A gente torce para um dia chegar uma pessoa de coração bom e melhorar as coisas para todos. Sei que é tanta coisa para fazer, para arrumar na cidade, que não dá para atender todo mundo. Mas não adianta desanimar, tem que achar que vai melhorar."
Já a secretária Rita Carvalho, 60, mora em frente à seção eleitoral na qual vota e só precisa atravessar a rua. "Da janela, fico vendo para saber o horário que vai ficar mais vazio. Aí eu desço para votar." A moradora do Bairro Granbery, na região central, acredita que o domingo de eleição é diferente, porque as ruas ficam mais movimentadas e as pessoas saem de casa com um propósito. "Gosto do movimento principalmente aqui no bairro, porque é uma oportunidade de reencontrar antigos vizinhos que não moram mais aqui, mas voltam para votar porque não trocaram o título. E também tem aquelas pessoas que a gente nem conhece, mas sempre vê no dia da eleição."
Segundo informações dos chefes de cartório, a maioria da população vota perto de casa, com exceção das pessoas que mudaram de endereço e não alteraram o título. No entanto, eles ressaltam que, em algumas áreas mais afastadas, como na Zona Rural e nos distritos, apesar de haver seções de votação em pontos estratégicos, os eleitores ainda percorrem trechos significativos. Isso ocorre, por exemplo, nas regiões de Dias Tavares, Chapéu D’Uvas, Náutico, Penido, Rosário de Minas, Toledo e Valadares.
