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Campanha substitui festa no Centro por peregrinação em bairros

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Foram apenas sete comícios e todos da mesma candidata. À exceção de ontem, último dia de campanha, o Calçadão da Rua Halfeld tampouco manteve o posto de passarela

preferida dos concorrentes à Prefeitura na reta final – pelo menos entre aqueles pertencentes aos maiores partidos. Ao contrário, pelo principal corredor de pedestres – e, portanto, de eleitores – da região Central, os três primeiros colocados nas pesquisas só caminharam uma, no máximo duas vezes – ainda que tenham se transformado em verdadeiros andarilhos, a tomar por base suas agendas, percorrendo os mais diversos bairros do município. Caciques nacionais também quase não desembarcaram na cidade e, quando o fizeram, como no caso do senador Aécio Neves (PSDB) e do governador Antonio Anastasia (PSDB), participaram de eventos fechados, festejados por cabos eleitorais, mas distante de cidadãos que precisassem de fato ser conquistados e convencidos.

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Embora a propaganda estivesse autorizada desde o dia 6 de julho, a campanha em Juiz de Fora foi quase completamente comprimida no período de cerca de um mês e meio de exibição do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. E mesmo nesse processo, nada ocorreu de muito impressionante que suplantasse aquilo a que cidade que assistiu a, no mínimo, dois meses de pré-campanha repletos de altos e baixos: surpresas e reviravoltas que provocaram desde ranhuras até feridas profundas nas três maiores siglas não só do cenário juiz-forano, mas do âmbito nacional. Só em maio, tanto o PMDB quanto o PSDB e o PT passaram por momentos difíceis. No ninho tucano, o inesperado anúncio de pré-candidatura feito pelo deputado Lafayette Andrada expôs uma certa fragilidade na Administração do prefeito Custódio Mattos e seu projeto de reeleição.
 
Mais doloroso para os envolvidos  foi o processo de ruptura dentro no PMDB, que começou com a tentativa frustrada do ex-prefeito Tarcísio Delgado e seu grupo de convencer os demais correligionários a uma aliança com PT, pondo para escanteio a pré-candidatura do deputado Bruno Siqueira (PMDB). Bruno foi proclamado candidato no mês seguinte e, em agosto, a maior liderança peemedebista na cidade deixou as fileiras da legenda depois de 46 anos de filiação. Como se não bastasse o descontentamento interno, ainda foi preciso enfrentar o constrangimento de ver um grupo de petistas assinar manifesto repudiando o apoio de Tarcísio e de seu filho, o deputado Júlio Delgado (PSB) – uma aliança costurada a duras penas em prol do nome de Margarida Salomão (PT).
 
Talvez por terem enfrentado estradas tortuosas antes mesmo da largada é que os concorrentes tenham se deixado levar por caminhos tão diversos daqueles representados metaforicamente pelo Calçadão. De uma pré-campanha marcada por conflitos tão genuinamente juiz-foranos, a campanha em si se nacionalizou, desde a coligação construída pelo PT – e que tentou, ainda que sem o PMDB, reproduzir a base de sustentação dos governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma – até a presença óbvia, na disputa local, de interesses que têm mais a ver com os projetos  para as eleições de 2014 do que com o pleito municipal de agora.

Por outro lado, à espera de uma atenção especial de seus cabos eleitorais mais robustos que não veio a contento – porque foi desviada para as batalhas enfrentadas, sobretudo, em São Paulo e Belo Horizonte -, os postulantes à PJF tiveram que voltar a caminhar sozinhos e afiançar por si mesmos suas propostas, a despeito de continuarem contando com parcerias com os governos estadual e federal. E é essa campanha mais propositiva, que só entrou em cena na reta final – ainda que acompanhada de um endurecimento dos discursos – que o eleitor juiz-forano vai avaliar hoje nas urnas. Uma campanha de propostas mais afeitas à Rua Halfeld – e a todas as ruas e bairros percorridos ao longo dos últimos três meses – que a endereços imponentes na capital mineira e no Planalto Central.

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