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PJF nega desabastecimento de carne no Restaurante Popular

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A refeição a R$ 3,50 oferecida pelo Restaurante Popular ajuda no orçamento, mas o aumento da demanda constatado na segunda quinzena de cada mês levou a uma denúncia de desabastecimento de carne, na última quarta-feira (21), em redes sociais. A falta da proteína, no entanto, foi negada pelo gerente de abastecimento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agropecuária (Sedeta), Victor de Castro Mattos. Em entrevista à Rádio CBN, ele confirmou a necessidade de reposição do alimento na unidade central devido ao movimento daquele dia, entretanto, afirmou que a espera foi momentânea.

Segundo o gerente, são servidos, diariamente, de mil a 1.500 almoços no restaurante da Rua Halfeld, no Centro, inaugurado há sete anos. Em dias de pico, o número pode chegar a 1.600. Já no estabelecimento da Zona Norte, que começou a funcionar a partir de 2016 em Benfica, são consumidos de 300 a 500 pratos. Ele observa que o fluxo de usuários nas unidades é bem variado. “No começo do mês pode ser um pouco menos movimentado, porque as pessoas ainda estão com o salário no bolso. No fim do mês, por estarem um pouco mais apertadas, procuram mais o serviço do Restaurante Popular.”

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Unidade chega a servir até 1.600 refeições em dias de pico e disponibiliza alimentação para qualquer pessoa (Foto: Olavo Prazeres)

Sobre a reclamação de carência de carne no cardápio, Victor explicou ter ocorrido demanda significativa. “Por ter tido um fluxo maior, aconteceu de não ter a carne na hora. Mas a empresa está sempre preparada para atender, com quantitativo de alimentação reserva. Então não faltou a carne e não vai faltar. Estamos sempre preparados para atender a toda população que quiser almoçar”, garantiu.

Em entrevista à Tribuna, a nutricionista responsável, Joice Almeida, corroborou a necessidade de reposição. “Acabou a carne do dia, mas já estávamos passando os filés de frango que sempre temos no estoque. A fila nem estava tão extensa, como costuma acontecer, mas realmente tiveram que esperar uns cinco minutos para podermos suprir a falta.”

O pedreiro, eletricista e bombeiro Rosenrique de Assis Mattos, 28, frequenta a unidade central há cerca de dois anos e diz não ter reclamações. “A comida é muito boa. Antes eu levava marmita para o serviço, mas prefiro comer aqui, sai mais em conta”, disse, ressaltando a impossibilidade de pagar de R$ 12 a R$ 15, como é cobrado em muitos lugares pela refeição. Ele mesmo percebe um aumento da clientela na segunda metade do mês. “Tem dia que nem cabe, de tanta gente. Quando aperta, o povo vem mais. Às vezes atrasam para repor a comida, mas isso acontece em qualquer restaurante”, defendeu.

Segundo a nutricionista, é feito o cálculo da média de consumo diário e sempre há reserva para ocasiões extremas. “No final do mês dá mais movimento e também no quinto dia útil, porque temos um bom público de idosos e aposentados. Quando o restaurante foi inaugurado, havia mais procura, porque era novidade. Agora mantemos a média de 1.300 a 1.500 refeições diárias.”

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E não são só adultos que desfrutam dos sabores do estabelecimento. A cabeleireira desempregada Maria de Jesus, 40, contou que sua filha, 4, almoça bem no local. “Somos de Rio das Ostras e mudamos para cá há uns meses para ela fazer um tratamento no HU (Hospital Universitário). Como estamos morando aqui perto, viemos umas duas vezes por semana. O valor ajuda muito. Tem dia que fica mais lotado do que outros, mas não falta comida.”
A alimentação é oferecida das 10h às 14h, de segunda a sexta-feira. Como nesta segunda (26) várias lojas permaneceram fechadas em comemoração ao Dia do Comerciário, a equipe se organizou para receber demanda menor.

Qualidade, saúde e nutrição

Para o gerente de abastecimento da Sedeta, Victor Mattos, o Restaurante Popular é importante não apenas por servir refeição a preço módico, mas também por oferecer alimentação de qualidade e balanceada para quem não tem condição de se nutrir bem de outra forma. “O perfil (do consumidor) é variado. Temos pessoas atendidas pelo Centro Pop, que são os moradores em situação de rua e de vulnerabilidade social, e também trabalhadores de empresas. Todo público é recebido”, ressaltou.

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Sem emprego formal há cinco anos, Cleonice Larcher, 54, frequenta o espaço do Centro há três. “Fiquei viúva, e fazer comida só para mim não dá. O preço aqui é bom, e a comida é boa, sem muito sal e gordura”, avaliou, depois de degustar o menu do dia, composto por arroz, feijão, bife de frango, farofa, almeirão e beterraba.

A impressão positiva não é causada em Cleonice à toa. “Temos um setor de planejamento, na matriz da Servir, que monta o cardápio semanal. Toda segunda-feira me enviam para analisar e ver se está de acordo com a nossa mão de obra e consumo. Sempre temos o arroz e o feijão, um tipo de guarnição, uma opção de carne e duas de salada.

Também servimos o suco e a sobremesa, que é fruta uma vez na semana, contribuindo para o valor nutricional. Nos preocupamos para que seja um cardápio bem completo, no sentido de ter proteína, carboidrato, vitaminas e minerais, porque sabemos que para muitos é a única refeição do dia”, explicou a nutricionista Joice Almeida.

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As escolhas das iguarias também têm sido certeiras na visão da auxiliar de serviços gerais Maria das Graças de Oliveira, 68. “Vim no dia em que abriu e estou aqui até hoje. Faz sete anos. A comida é balanceada, e fiquei mais saudável. Antes, engordava e emagrecia.” Moradora do Bairro Industrial, Zona Norte, ela revelou ter deixado a marmita para trás. “Eu trazia a comida, porque trabalho no Centro, mas sacudia toda e ficava sem sabor. Tem muita gente com preconceito que não quer nem provar, mas aqui não preciso pagar R$ 12 e também faço amizades.”

Mostra da boa convivência é a colega Maria de Lourdes de Oliveira, 75, sentada a seu lado. Quando a aposentada sai do Santa Paula, Zona Leste, para ir ao Centro, não tem dúvida de onde comer. “Venho três vezes por semana. Às vezes acaba o abastecimento e demoram um pouquinho para repor, porque está sempre cheio.”

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