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Projeto da Escola Municipal União da Betânia é finalista do ‘Prêmio Arte na Escola Cidadã’

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Foto: Divulgação
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O projeto “Por um fio”, que teve a direção do professor de dança Herbert Hischter e a participação dos alunos do 4º até o 9º ano da Escola Municipal União da Betânia, foi finalista do “Prêmio Arte na Escola Cidadã” e recebeu uma menção honrosa. Este é considerado o prêmio mais importante de arte dedicação às escolas, e, por isso, toda a comunidade recebeu a honraria com alegria.

Com poucos recursos para o projeto, limitações devido ao isolamento social e desvalorização da área da arte em âmbito nacional, o professor Herbert Hischter afirma que esse prêmio é a “prova viva” do trabalho dos professores da área ao longo dos últimos dois anos. Para ele, possibilitar que os alunos se expressassem dessa forma e trazer tantas discussões à tona foi uma grande conquista. 

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A pandemia do Covid-19 acabou afastando muitos alunos da sala de aula – de acordo com levantamento da organização Todos Pela Educação, foram mais de 244 mil alunos de 6 a 14 anos que passaram pela evasão escolar. As dificuldades tecnológicas, econômicas e sociais do momento também impossibilitaram que muitos deles mantivessem o vínculo com a arte. Até mesmo as atividades que aconteciam no dia a dia e mobilizavam os alunos foram mais difíceis de realizar, e, por isso, os professores trouxeram alternativas para que fosse possível continuar o processo de aprendizado.

A ideia do espetáculo “Por um fio” começou a ser desenvolvida com base neste cenário, e a partir de provocações e conversas que eram feitas junto com o professor, ainda de forma remota. “Eu mandava músicas para analisarmos, textos e reportagens de jornais. Fazíamos discussões e depois transformamos em arte”, conta Herbert.

Conforme o projeto foi avançando, ex-alunos, irmãos de alunos e as famílias também foram se envolvendo nessas atividades. Para o professor, foi muito importante que as questões também fossem trazidas pelos próprios estudantes, com base em suas vivências. “Falamos da fome, por exemplo, porque era parte do que estava acontecendo com muitos deles e em todo o país”, explica. A partir disso, o professor conta que trabalhou com os alunos a música “Comida”, do Titãs, uma exposição fotográfica do pernambucano Flávio Costa chamada “Mercado da Fome” e uma reportagem sobre as pessoas comprando ossos nos açougues durante a pandemia.

As respostas chegavam até ele através do WhatsApp, com vídeos ou áudios, aproveitando, na maioria das vezes, os celulares dos pais dos estudantes. Com a volta das aulas presenciais na escola, foi possível desenvolver ainda mais as atividades realizadas até então, e criar um espetáculo que conta com fragmentos de dança, paródia e literatura. “As filmagens foram feitas por eles, por mim e pelos pais, nas ruas do bairro, nas casas dos alunos, na escola e no Morro do Cristo”, conta. Ao todo, o espetáculo teve mais de uma hora e duração, e abordou temas como pandemia, fome, racismo, retorno ao presencial, redes sociais e fake news, relação com o ambiente em que moram e um olhar crítico para o Brasil e para o mundo

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‘Arte é indissociável da educação’

Para o professor, esse projeto é mais um dos que mostram como a arte é indissociável da educação. Apesar do decreto municipal de 2019 que institui o Programa Arte/Educação nas redes municipais explicitar isso, ele revela que esse departamento lida com muitas dificuldades, e não só econômicas, que envolvem a falta de valorização dos profissionais e das práticas artísticas. “Dá um desespero quando ouvimos que professor não faz nada”, diz.

Herbert Hischter fez a edição do projeto por conta própria, juntando todos os materiais dos alunos e trabalhando com ferramentas de edição de vídeo amadoras. Para ele, o projeto foi uma forma de conseguir trabalhar com “a perspectiva das artes de forma interligada”, tentando unir os alunos em um momento em que todos pareciam distantes. O projeto acabou englobando toda a escola, não só os alunos que participaram do vídeo, contando com a ajuda de todos os professores e diversas reuniões pedagógicas para a realização.

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O professor explica ainda que a própria rede municipal mandou um currículo mínimo do que indicava o que se pretendia que fosse trabalhado durante a pandemia, algo que não fosse tão conteudista e seguisse por outro viés, já que manter as aulas durante a pandemia era um desafio a mais. Na visão do professor, o resultado acabou conseguindo unir diversas habilidades e estimular o pensamento crítico dentro da escola. “Trouxemos mais conhecimento, trabalhamos habilidades digitais, ampliamos o repertório cultural e até conseguimos melhorar a comunicação dos alunos”, diz.

O próprio nome do projeto, “Por um fio”, se deu pela dificuldade que estava sobreposta pela situação, mas também pela forma com que os alunos e professores se conectaram. “Estávamos interligados, precisávamos ter essa conexão, que era bem difícil. Muitos dependiam do celular dos pais, alguns não puderam participar por não terem. Mas precisávamos tentar”, diz.

Valorização da escola e da comunidade

Com base em sua vivência na escola municipal, o professor acredita que projetos como esse também são importantes para a valorização da escola e da comunidade – e o reconhecimento, vindo com o prêmio, é mais uma prova de que valeu a pena. “Dá um gás pra gente. Estamos comemorando dez anos de produção artística na escola, todos os anos acontecem espetáculos lá. São eles produzindo para eles”, diz. Na realidade do bairro, nem sempre é possível ter esse contato de outra forma, lamenta o professor.

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Para Herbert, também é uma forma de que os alunos da escola consigam se colocar da maneira que desejam em relação ao bairro, se posicionando de forma a valorizar o local em que moram. “Muitos deles só veem o bairro sendo falado quando é uma notícia negativa. Queremos trazer outra visão”, diz. O professor completa, ainda, dizendo que muitos alunos já passaram a se considerar verdadeiros artistas com essas práticas, e que muitos ex-alunos retornam para continuar participando do projeto. 

Foi a primeira vez que uma escola de Juiz de Fora conseguiu chegar tão longe na premiação, e ele diz que “traz ainda mais orgulho” de ter sido algo feito em meio a todas as dificuldades da pandemia. A escola municipal já foi semifinalista três outras vezes, com  os projetos “Eukinética do Educare”, “Infinito Particular” e “Déjà Vu- um despertar para o entorno”. A trajetória de incentivo dessas práticas na escola, como ele conta, “conseguiu fazer com que as famílias também enxergassem a potência da arte e acreditassem nos benefícios de levar seus filhos para essas atividades”. 

Como professor, ele ressalta que é muito gratificante e prazeroso ver o que eles conquistaram mesmo com poucos recursos e ferramentas precárias. “Mas imagina se tivéssemos programas de edição adequados, equipamentos de filmagem, se as crianças também fossem ensinadas a mexer nesses aparelhos, com salas dedicadas a esse desenvolvimento? As pessoas que têm condição de investir nisso deveriam investir cada vez mais, faz toda a diferença”, diz.

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