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Condutor persegue e agride pedestre

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Um homem de 72 anos foi perseguido e agredido em via pública após uma discussão de trânsito no final da manhã de ontem. O idoso tentava atravessar a esquina da Rua Halfeld com a Rua Tiradentes, na faixa de pedestre, quando percebeu a aproximação de um veículo. Temeroso, resolveu sinalizar para ter garantida a sua preferência. No entanto, depois que o bancário aposentado cruzou a rua, o motorista do carro começou a xingá-lo. Ouviu que o direito à travessia é do pedestre, mas parece não ter gostado da resposta. Enquanto o morador do Bairro Santa Helena continuava a subir a Halfeld, em direção a sua casa, o condutor, que aparenta ter idade média de 30 anos, estacionou o carro em via próxima e desceu correndo a Halfeld, atingindo o idoso com um chute no peito. Com o impacto do golpe, o aposentado foi lançado ao chão e teve os óculos arrancados da face. Já o motorista, cuja placa do carro foi repassada por testemunhas para a polícia, fugiu e acabou embarcando novamente no veículo conduzido, desta vez, por uma mulher. Socorrido por populares, o homem precisou ser atendido numa clínica particular, onde foi medicado e liberado. O caso, considerado gravíssimo por representantes da OAB, despertou a indignação de quem passava pela rua e chocou o secretário de Transportes, Márcio Bastos. A vice-presidente da OAB em Juiz de Fora, Valquíria Valadão, anunciou que a entidade vai acompanhar o caso.

Fui pego de surpresa e apenas tentei sobreviver a essa violência. Minutos antes, eu havia pedido a passagem na via. Após me dar a passagem, o motorista começou a me xingar. Respondi que estava no meu direito, mas percebi que neste país não se tem direitos. Ele foi covarde, porque fez tudo bem pensado. Se tivesse uma arma no carro, teria me matado. O sentimento de tristeza é muito grande diante desse episódio. Cheguei à conclusão que a gente não deve reagir a nada, embora o fato de pessoas como esta ficarem impunes ser responsável pelo estrago no mundo. Não sei onde essa sociedade vai parar, desabafou o idoso, após ser atendido por um ortopedista. Apesar de ter o tórax atingido pelo golpe, ele não sofreu fraturas, mas terá que se submeter a tratamento médico por uma semana, em função das fortes dores.

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A vice-presidente da OAB em Juiz de Fora, Valquíria Valadão, foi categórica ao afirmar que o caso configura-se como lesão corporal dolosa, por motivo fútil, tendo ainda dois agravantes concretos: o fato de a vítima ser idosa e ser pedestre. As pessoas têm que aprender a controlar. o estresse. A lei existe para colocar limite na ação de quem não estão sabendo viver em sociedade. Neste caso, há ainda a premeditação do crime. O condutor vai responder pelo Código Penal, pelo Estatuto do Idoso e pela legislação de trânsito, explicou, garantindo que a OAB vai designar um advogado para acompanhar o episódio.

‘Atitude inaceitável’

Já o titular da Settra, Márcio Bastos, diz que a atitude remete não só ao desrespeito no trânsito, mas à falta de civilidade em relação ao outro, principalmente ao idoso. O trânsito é um lugar onde as pessoas extravasam sentimentos de raiva, chegando a extremos dessa natureza. Esta é uma atitude totalmente inaceitável, declarou, afirmando que a secretaria está preparando uma campanha, junto com parceiros da sociedade civil, na qual o pedestre será o foco principal. Para o especialista em trânsito José Ricardo Daibert, é preciso romper a cultura atual por meio de campanhas e de fiscalização. Independente do absurdo que já seria por si só qualquer atitude contra o idoso, o que acontece é que, enquanto a legislação protege corretamente o mais fraco, nós não temos o hábito de respeitar as normas. Ao contrário da engenharia civil, cujos projetos são voltados para as cargas mais fortes, a engenharia de tráfego tem que ser direcionada ao pedestre, ao ciclista, ao idoso, à criança e ao deficiente, considerados os mais fracos. O que devemos fazer para que episódios como esse não ocorram de novo? Mudar a nossa cultura. Antes, por exemplo, o Brasil resistia ao cinto de segurança, tornando-se, porém, recordista mundial em seu uso em função de atuação eficaz do Poder Público.

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