Apesar dos benefícios relacionados à doação de sangue, os bancos estaduais ainda enfrentam desafios para manter seus estoques. Dados da Fundação Hemominas, que atende todo o estado de Minas Gerais, apontam que, no último dia 24, os estoques dos tipos sanguíneos O negativo e positivo e A positivo estavam em nível crítico; A e B negativo, em alerta; e B positivo e AB negativo, em níveis adequados. Apenas o tipo sanguíneo AB positivo estava estável.
Sobre os estoques em Juiz de Fora, a Fundação explica que os bancos estaduais funcionam em rede: quando uma cidade precisa, outro município envia bolsas de sangue para suprir a necessidade. Por isso, não existem dados individuais de cada localidade.
Mas as estatísticas e os termos técnicos, por vezes, escondem uma realidade potente: uma doação, que demora entre 40 minutos e uma hora, é a possibilidade de levar vida e esperança até quatro pessoas, de acordo com informações do Ministério da Saúde. Por isso, com o objetivo de conscientizar sobre a prática, a campanha mundial Junho Vermelho convida os cidadãos aptos para agendarem sua doação.
Solidariedade em rede
A empregada doméstica Shirley dos Santos, de 44 anos, sabe disso. Enquanto acompanhava a filha Emilly Araújo, de 18 anos, em uma transfusão de sangue para o tratamento de anemia falciforme, a mãe presenciou uma campanha do Hemominas de Juiz de Fora para captar doadores. E apesar do receio da agulha, ela não hesitou: fez os exames necessários e se tornou doadora. Desde então, ela já soma mais de dez doações – e aguarda o momento em que possa fazer a próxima.
Shirley não pode doar diretamente para Emilly, já que também possui traços da doença da filha, mas reconhece que a solidariedade se faz em rede: “depois que ela começou a fazer essa transfusão, ela melhorou, não tem muita dor de cabeça mais. Ela sentia muita dor, muita fraqueza, e melhorou muito”, relata.
“E eu me sinto feliz por poder doar, poder ajudar quem precisa, e quem dera se todo mundo tivesse o mesmo pensamento. Porque foi de uma grande importância esse tratamento ‘pra’ ela. Não só ‘pra’ ela, mas ‘pra’ vários pacientes que fazem tratamento no Hemominas”, acrescenta.
A doadora percebe que muitas pessoas deixam de doar por receio do que os exames possam mostrar. “Tem muitas pessoas que podem doar, mas ficam com medo de fazer o exame e ter um resultado que não estão esperando. Mas eu acho que ninguém podia pensar assim. Porque se faz o exame hoje e dá um problema de saúde, é a oportunidade de começar o tratamento”, reflete. Para ela, cuidar do outro é também uma forma de cuidar de si mesma.
Shirley deixa um conselho para quem nunca doou: “eu diria que a pessoa não vai correr risco nenhum de estar ali doando sangue, é um lugar seguro. A área da doação em Juiz de Fora, as pessoas, os médicos, os enfermeiros são excelentes, são muito educados. O paciente não corre risco, e ele vai estar contribuindo ‘pra’ uma vida, né? Vai estar contribuindo ‘pra’ ajudar uma vida, uma pessoa que precisa. Então, assim, é uma coragem”.
Ela ressalta que seria uma honra conhecer alguém que já doou sangue para sua filha. “Eu, como mãe, sou grata a cada pessoa que doa, não só ‘pra’ minha filha, mas ‘pra’ todos. Será um prazer saber que mais alguns, que ainda nunca doaram, vão poder contribuir com a gente. Será um prazer receber todos ali, mesmo não conhecendo, mas sabendo que criaram coragem e foram lá doar para aqueles que precisam, porque são vidas que a gente salva, né? Vidas que, talvez, a gente nunca vai conhecer, mas a gente vai estar tendo o prazer de salvar aquelas vidas.”
Quem pode doar sangue?
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelecem critérios para a doação de sangue. Entre os principais, estão: ter entre 16 e 69 anos de idade – jovens de 16 e 17 anos podem doar, acompanhados pelo responsável legal ou portando autorização – ou, a partir de 61 anos, o candidato à doação precisa comprovar a realização de, pelo menos, uma doação anterior; pesar mais de 50 quilos; estar bem descansado, alimentado e hidratado no momento da doação; apresentar documento de identificação oficial e original, com foto, filiação e assinatura, além do CPF. Outros critérios podem ser consultados no site do Hemominas.
Algumas vacinas, a realização de exames endoscópicos, tatuagens e uso de drogas ilícitas podem exigir um período de espera para que o candidato se torne apto à doação. Em Juiz de Fora, os interessados em doar podem agendar um horário pelo telefone (31) 4042-7157, pelo aplicativo MGApp – Cidadão ou pelo site. A unidade está localizada na rua Barão de Cataguases, s/n, Bairro Santa Helena, na região Leste da cidade, e o horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, de 7h às 18h, e no sábado entre 7h e 12h.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

