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Em audiência na Câmara, a contaminação alimentar é apontada como principal hipótese para aumento de casos de hepatite A em Juiz de Fora

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Louise Cândido representou o Departamento de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Juiz de Fora na audiência pública desta terça (Imagem: Reprodução JFTV)
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Em audiência pública na Câmara Municipal, realizada nesta terça-feira (26), o Departamento de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria de Saúde (SS), declarou que a contaminação alimentar é a principal hipótese para o aumento de casos de hepatite A em Juiz de Fora. Conforme último levantamento da pasta, já foram confirmados mais de mil casos da doença desde o último mês de dezembro, principalmente nos bairros Centro, São Mateus e Cascatinha, região Central e Sul.

Segundo a chefe do Departamento, Louise Cândido, após análises laboratoriais, os pontos de distribuição de água no município tiveram resultados negativos quanto a possível contaminação. Além do cenário epidemiológico, também foram apresentadas ações para enfrentamento da doença, como aumento da vacinação de pessoas acima de 18 anos, crescimento da cobertura vacinal de crianças e reforço de inspeções sanitárias.

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Não estamos trabalhando com a vacinação ampliada, porque precisamos de critérios técnicos, mas também da disponibilidade do imunizante”, afirmou Louise ao ser perguntada quanto a possibilidade de imunização por parte da vereadora Cida Oliveira (PT). Segundo explicação feita pela gestora do Departamento, há uma discussão em andamento sobre a possibilidade de oferecimento de uma segunda dose para crianças para corrigir falhas vacinais. Louise também declarou que os dados do município estão sendo apresentados ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para avaliação da necessidade de alteração nos critérios de imunização.

Baixa representação de profissionais de saúde

Requerida pelo vereador Sargento Mello Casal (PL), a plenária foi iniciada às 15h20 com um questionamento do parlamentar sobre a ausência de representantes da saúde – principalmente das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e de hospitais – e do secretário de Recursos Humanos, Matheus Jacometti, na Casa Legislativa. Segundo o parlamentar, também houve um esvaziamento do Conselho Municipal de Saúde, o que agrava os debates sobre a saúde no município.

A sessão presidida por Zé Márcio Garotinho (PDT) contou com a presença do diretor-presidente da Cesama, Lincoln Santos Lima, da subsecretária de Atenção à Saúde (SSAS), Marcilene Chaves Costa, da gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental (DVEA), Amanda Barros Hungria, e da chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, Louise Cândido Souza.

Audiência contou com baixa participação de profissionais da saúde (Imagem: Reprodução JFTV)

Participação da comunidade

“Estou aqui para representar o meu marido que morreu, saiu hoje o resultado… pela hepatite. Eu não tenho muito o que falar”, disse Amanda Florita, moradora do Bairro Santa Terezinha, esposa de Carlos Eduardo Silva Reis, segunda vítima que morreu em decorrência doença neste ano. A confirmação da causa da morte de Carlos Eduardo veio nesta terça-feira.

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Representante do Linhares, José Walter Guimarães reivindicou à Casa Legislativa atenção à situação do bairro que enfrenta vazamento de esgoto, córregos a céu aberto e ruas sujas. O morador demonstrou preocupação com a saúde da população em meio ao cenário de alta contaminação e crescimento de casos da doença.

PJF diz em desaceleração

De acordo com a PJF, o cenário epidemiológico no município aponta desaceleração da transmissão. Na comparação entre a semana epidemiológica 11, quando foi registrado o pico de 132 casos, e a semana epidemiológica 18, com 15 casos confirmados, houve redução de 88,6% nos registros. Os dados ainda estão sujeitos a atualização.

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A Hepatite A se transmite principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados e pelo contato próximo com pessoas infectadas. Os sintomas mais comuns incluem fadiga, febre, enjoo, dor abdominal e icterícia – a coloração amarelada da pele e dos olhos – e costumam surgir entre 15 e 50 dias após a infecção. Em caso de suspeita, a orientação é procurar uma unidade de saúde.

O município contabiliza 808 casos de Hepatite A entre janeiro e abril de 2026, sendo 223 somente em abril. Os números diferem dos dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que registrou 685 confirmações no mesmo período. Ainda segundo a SES, Juiz de Fora concentrou 176 dos 197 casos mineiros registrados em abril – o equivalente a quase 90% do total estadual.

Quem pode se vacinar

Em Juiz de Fora, a vacina contra Hepatite A está disponível gratuitamente pelo SUS para grupos específicos. Têm direito ao imunizante crianças de 15 meses a menores de 5 anos não vacinadas, gestantes, pessoas com doenças hepáticas, imunossuprimidos, pessoas em uso de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), pessoas não vacinadas entre 11 e 39 anos que sejam contatos domiciliares de casos confirmados, e contatos sexuais de casos confirmados, independentemente da idade.

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Também recebem a vacina pessoas acima de 1 ano com condições clínicas especiais, como hepatopatias crônicas, hepatite B e C, fibrose cística, trissomias, hemoglobinopatias e pacientes transplantados ou candidatos a transplante, entre outras condições previstas pelo Ministério da Saúde.

O imunizante está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de segunda a sexta-feira, a partir das 9h, e aos sábados, das 8h às 11h. Também é ofertado no Serviço de Assistência Especializada (SAE), no Centro de Vigilância em Saúde, na Avenida dos Andradas, nº 523, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

* Estagiária sob supervisão do editor Arthur Raposo Gomes.

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