
Funcionário reabre as portas da UPA Norte, localizada em Benfica, por volta das 17h (Felipe Couri/25-04-15)
Foi uma sensação de pânico.” Assim a dona de casa Maria Helena da Silva Brito, 57 anos, resumiu os momentos de apreensão e angústia, ao ficar cerca de cinco horas dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, no Bairro Benfica. Como ela, dezenas de acompanhantes, pacientes e funcionários permaneceram na unidade sem poder ir embora. O local foi interditado no final da manhã de sábado, após um homem ter sido atendido com suspeita de ebola. Essa possibilidade só foi descartada à tarde, quando o secretario de Saúde, Adilson Stolet, reuniu a imprensa para afirmar que o paciente não tinha o vírus do ebola. Durante esse período, as portas de vidro da UPA Norte ficaram fechadas, impedindo a entrada e a saída das pessoas. Nelas, foram afixados vários avisos, informando: “Atendimento suspenso por tempo indeterminado até a chegada e avaliação da Vigilância Sanitária”.
No fim da tarde, secretário Adilson Stolet tranquiliza população (Fernando Priamo/25-04-15)
Quem foi até a UPA em busca de serviços médicos precisou se deslocar para outra unidade. A dona de casa Tânia Amaro, 49, chegou acompanhada da irmã de 56 anos, que veio de Bicas com suspeita de fratura na perna. “Preciso que ela seja consultada por um traumatologista. Lá em Bicas não tem e, no HPS, já falaram que não estão atendendo”, disse Tânia, sem saber o que fazer. Também desorientados estavam os acompanhantes que não puderam retornar à unidade. “Meu marido está internado aqui há dez dias. Fui em casa para pegar roupa e comida para ele e agora não posso vê-lo”, lamentou a aposentada Elisabeth Bernardo Nascimento, 60. “Eu fico preocupada com o doente que está lá dentro, a gente aqui fora se vira”, acrescentou.
Segundo um médico da UPA Norte, o paciente teria apresentado os primeiros sintomas há cerca de 15 dias em Angola. No país africano, ele teria feito exames que descartaram a malária e teria viajado sem avisar as autoridades sanitárias daquele país. Há dois dias no Brasil, ele chegou à UPA Norte com dores abdominais, febre alta e cefaleia.
O paciente foi encaminhado a uma sala de isolamento e, ao começar a ser medicado, teria se negado a permanecer na unidade, retirando-se do local, antes de ser liberado. Diante da suspeita de um caso de ebola, a UPA Norte foi fechada, e funcionários distribuíram máscaras para pacientes e acompanhantes. Sem informações oficiais, algumas pessoas chegaram a exibir, de dentro da unidade, bilhetes manuscritos, pedindo ajuda.
Por volta das 15h30, a PM recebeu uma informação de que o homem com suspeita de ebola estaria na Praça Jeremias Garcia, em Benfica. O local foi isolado pelo Corpo de Bombeiros. Os militares usaram roupas especiais para capturá-lo. Porém, constataram, depois, que o rapaz localizado não era o paciente procurado.
Segundo o superintendente regional de Saúde, Oleg Abramov, o Município entrou em contato com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs Minas) e, seguindo o protocolo de prevenção ao ebola, a hipótese da doença está descartada, já que o paciente não teria vindo de uma área de risco no continente africano (ver quadro).
Paciente fará exames no João Penido
Em coletiva de imprensa, realizada no final da tarde de ontem, o secretário de Saúde, Adilson Stolet, também descartou a possibilidade de o paciente ter o vírus do ebola. Segundo ele, o homem foi atendido na manhã de ontem na UPA Norte, quando um médico alertou sobre a hipótese da doença. “Foi um procedimento correto do profissional, feito por excesso de cautela. Após isto, disparou-se o processo de vigilância sanitária, e iniciamos as providências. A UPA foi isolada, porém, quando o médico tentou isolar o paciente, ele, assustado, acabou fugindo, causando ainda mais confusão”, disse.
Conforme o secretário de Saúde, horas depois, o homem foi encontrado e seria levado para o Hospital Doutor João Penido, no Bairro Grama. Na unidade de saúde, ele passará por exames para detectar uma possível doença infecciosa. Adilson Stolet esclareceu que, em 10 de abril, o homem havia feito um exame em Angola para detectar malária, e o mesmo deu negativo.”Não há nenhum risco para ebola. Angola não é um país que tem epidemia da doença, e, caso ele tivesse o vírus, desde a data do exame até agora, já estaria abatido e com outros sintomas”, destacou o secretário, complementando que o Ministério de Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde foram contatados e acompanharam o desenrolar do episódio.
Em nota oficial, a Secretaria de Saúde repassou as informações fornecidas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais (Cievs Minas). Nela, o órgão afirma que o paciente não se enquadra à definição de caso suspeito de ebola estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério de Saúde (MS).

