Foi sepultado ontem, no Parque da Saudade, o corpo do repórter fotográfico da Tribuna Antonio Olavo Matos, o Cerezo. O premiado fotógrafo faleceu no domingo, aos 50 anos, em decorrência de um aneurisma na aorta. Testemunha ocular da história de Juiz de Fora, estampou seu trabalho nas páginas da Tribuna por quase 22 anos. Neste período, não só participou de coberturas de destaque – como o sequestro de quatro policiais, na Rua das Margaridas, em 1990, e o último jogo do ídolo Zico pelo Flamengo, time do coração, no Estádio Municipal Mário Helênio, em 1989 -, como emprestou seu olhar sensível e singular para a população juiz-forana, contribuindo para que a cidade conhecesse, através de suas lentes, seus fatos e particularidades.
"Cerezo fez parte de uma geração de repórteres fotográficos que se fez por si mesma, com talento natural para a fotografia. Esteve conosco durante muitos anos, provando não só sua capacidade, mas seu engajamento à causa do jornal de ajudar a escrever a história de Juiz de Fora", comentou o diretor-presidente da Tribuna, Juracy Neves. O editor geral do jornal, Paulo César Magella, lembrou a última pauta feita pelo colega: a entrega da Medalha da Inconfidência à Tribuna, na quinta-feira, dia 21, em Ouro Preto. "Além de ser um amigo de longa data, viajamos juntos na quinta. Em sua última foto para o jornal, fui personagem. Agora o que nos resta é rezar por sua alma e dar força à família, que é quem vai dar continuidade a sua história."
O editor de fotografia da Tribuna, Roberto Fulgêncio, lamentou a perda do amigo e profissional. "A fotografia perdeu um artista da imagem, que dedicou uma vida a essa paixão. Até nos dias de folga, saíamos juntos para fotografar. Vai ficar um buraco na fotografia da cidade, pois ele ajudou a registrar a história de Juiz de Fora." Para os colegas de redação, fica a lembrança da alegria constante e da sensibilidade exposta, principalmente, nas pautas mais delicadas, como a cobertura da tragédia na Região Serrana do Rio, em janeiro, lembrada pela repórter Renata Brum. "O olhar dele transmitia perplexidade e transbordava compaixão." Para o amigo pessoal e parceiro de editoria Fernando Priamo, "Juiz de Fora perdeu um documentarista nato, que tinha o dom de registrar o cotidiano da cidade de forma singular".
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura expressou "seu profundo pesar pela perda irreparável. O jornalismo de Juiz de Fora deixa de contar com um profissional talentoso, ético e dinâmico." A Câmara Municipal homenageou o repórter fotográfico com um minuto de silêncio ontem. Os vereadores Flávio Cheker (PT), Júlio Gasparette (PMDB) e Wanderson Castelar (PT) apresentaram moções de pesar em solidariedade ao momento de luto. Assim como outros parlamentares, o presidente do Legislativo, Carlos Bonifácio (PRB), falou, em plenário, sobre o profissional: "Olavo Cerezo exercia seu ofício com paixão, talento e responsabilidade. É uma perda inestimável para a imprensa e para a cidade que ele tão bem retratava." O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora lamentou, em nota, o falecimento de Cerezo, "figura expressiva do fotojornalismo juiz-forano durante quase três décadas". "É com respeito que reverenciamos o seu caráter, a coerência na defesa de suas ideias e o idealismo com que exerceu a profissão. Ele deixa o exemplo de cidadão, de chefe de família, de profissional."
Antonio Olavo Cerezo deixa mulher e dois filhos.
