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Série de deslizamentos no Bairro Santa Cecília atinge, pelo menos, cinco imóveis

Chuvas provocam série de deslizamentos no Santa Cecília; moradora perde casa e vizinhos pagam máquina para retirar barro

(Foto: Felipe Couri)

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Escorregamento de terra interditou a Rua Mello Reis (Foto: Felipe Couri)
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O Bairro Santa Cecília, região Sul de Juiz de Fora, foi um dos mais afetados durante as fortes chuvas que atingiram a cidade na noite de quarta-feira (25). Deslizamentos deixaram ruas interditadas, interrompendo o trânsito em alguns trechos. A Tribuna esteve no local nesta quinta-feira (26) e conversou com moradores que relataram momentos de angústia e apreensão, além de dificuldades estruturais.

Já na entrada do bairro, na Rua Mello Franco, o desmoronamento de um barranco deixou a rua interditada e o trânsito interrompido na rotatória. A equipe de reportagem teve que fazer outro caminho para chegar ao Santa Cecília.

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Na Rua Dr. Luiz Antônio Vieira Pena, a queda de um barranco em um terreno baldio também fechou parcialmente a via, que foi interditada com sacos de terra colocados por moradores. Mais acima, na Rua Almir Monteiro, outro ponto de deslizamento de terra deixou o trânsito em meia pista.

Paula Cristina, 29 anos, morava na Rua Almir Monteiro. Há cerca de três meses, ela e a filha de 14 anos desocuparam a casa, após orientação da Defesa Civil. Herança deixada pela mãe, que faleceu há dois anos, ela tinha o desejo de fazer reformas estruturais, mas na quarta-feira, quando o barranco deslizou, o imóvel foi destruído. “Eu achei que ainda ia dar tempo de fazer uma coluna para segurar a casa, como ela é de tijolinho, antiga, achei que ia aguentar até eu fazer a obra”, desabafa.

Casa de Paula Cristina foi destruída após queda de barranco(Foto: Felipe Couri)

Ela relata que por volta das 23h20, a casa despencou. “Os vizinhos começaram todos a gritar, porque afetou a casa do vizinho debaixo e do vizinho do lado”, relembra. Paula havia conseguido tirar seus pertences, mas alertou para o perigo de quem tenta fazer o mesmo.

“Graças a Deus, eu consegui tirar as minhas coisas todas antes. Eu vim aqui de dia, ontem, pra poder pegar”, diz. “Por isso que, quando eles falam pra não vir, é melhor não vir, porque como a chuva estava muito forte eu fiquei com medo dela cair, pra mim, ia dar tempo, mas não deu tempo, aí quando começou a chuva, ela veio abaixo.”

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Paula contou, com lágrimas, que a casa tinha uma importância maior do que apenas moradia. “Eu vivi muita coisa aqui. Ver a casa, a sua moradia no chão é muito triste. Minha mãe que me deu essa casa, a gente morou aqui junto, era a memória dela.”

Na Rua João Francisco Monteiro, outro desabamento. O pai, a sobrinha e a prima de Renata Vidal, 36 anos, moram ali. Ela conta que ao menos cinco casas foram atingidas pelo deslizamento que aconteceu na via. “A Defesa Civil veio aqui, ofereceu a máquina, mas era muito grande e, segundo eles, teria que ser uma pequena”, conta.

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Segundo ela, os vizinhos se uniram para pagar uma máquina do próprio bolso. Durante terça e quarta-feira, a máquina foi usada para retirar a terra. “Mas quando foi ontem, de madrugada, caiu mais terra. Tivemos que pagar uma máquina para fazer essa retirada também.”

Casa ocupada por uma mãe e a filha de apenas quatro anos. Um carro impediu a entrada da terra no imóvel (Foto: Felipe Couri)

José Carlos, 57 anos, que também mora na mesma rua, diz que foi o carro do seu genro que salvou duas vidas. O veículo estava na rua quando o deslizamento aconteceu. Com a força do barro, foi arrastado até a frente de uma casa ocupada por uma mãe e a filha de apenas 4 anos. O carro impediu a entrada da terra no imóvel. “O carro ficou imprensado ali e impediu que o barro entrasse pra lá.”

Maurício Ferreira Sebastião,  61 anos, também é morador da rua e relata que gastou mais de R$ 700 para recuperar e arrumar a rede de esgoto. “Não teve condições, estava vazando atrás das casa. Tive que comprar material.” 

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Maurício Ferreira Sebastião, 61 anos, relata que teve gastos do próprio bolso para melhorar a infraestrutura da Rua João Francisco Monteiro (Foto: Felipe Couri)

 

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