O Bairro Santa Cecília, região Sul de Juiz de Fora, foi um dos mais afetados durante as fortes chuvas que atingiram a cidade na noite de quarta-feira (25). Deslizamentos deixaram ruas interditadas, interrompendo o trânsito em alguns trechos. A Tribuna esteve no local nesta quinta-feira (26) e conversou com moradores que relataram momentos de angústia e apreensão, além de dificuldades estruturais.
Já na entrada do bairro, na Rua Mello Franco, o desmoronamento de um barranco deixou a rua interditada e o trânsito interrompido na rotatória. A equipe de reportagem teve que fazer outro caminho para chegar ao Santa Cecília.
Na Rua Dr. Luiz Antônio Vieira Pena, a queda de um barranco em um terreno baldio também fechou parcialmente a via, que foi interditada com sacos de terra colocados por moradores. Mais acima, na Rua Almir Monteiro, outro ponto de deslizamento de terra deixou o trânsito em meia pista.
Paula Cristina, 29 anos, morava na Rua Almir Monteiro. Há cerca de três meses, ela e a filha de 14 anos desocuparam a casa, após orientação da Defesa Civil. Herança deixada pela mãe, que faleceu há dois anos, ela tinha o desejo de fazer reformas estruturais, mas na quarta-feira, quando o barranco deslizou, o imóvel foi destruído. “Eu achei que ainda ia dar tempo de fazer uma coluna para segurar a casa, como ela é de tijolinho, antiga, achei que ia aguentar até eu fazer a obra”, desabafa.
Ela relata que por volta das 23h20, a casa despencou. “Os vizinhos começaram todos a gritar, porque afetou a casa do vizinho debaixo e do vizinho do lado”, relembra. Paula havia conseguido tirar seus pertences, mas alertou para o perigo de quem tenta fazer o mesmo.
“Graças a Deus, eu consegui tirar as minhas coisas todas antes. Eu vim aqui de dia, ontem, pra poder pegar”, diz. “Por isso que, quando eles falam pra não vir, é melhor não vir, porque como a chuva estava muito forte eu fiquei com medo dela cair, pra mim, ia dar tempo, mas não deu tempo, aí quando começou a chuva, ela veio abaixo.”
Paula contou, com lágrimas, que a casa tinha uma importância maior do que apenas moradia. “Eu vivi muita coisa aqui. Ver a casa, a sua moradia no chão é muito triste. Minha mãe que me deu essa casa, a gente morou aqui junto, era a memória dela.”
Na Rua João Francisco Monteiro, outro desabamento. O pai, a sobrinha e a prima de Renata Vidal, 36 anos, moram ali. Ela conta que ao menos cinco casas foram atingidas pelo deslizamento que aconteceu na via. “A Defesa Civil veio aqui, ofereceu a máquina, mas era muito grande e, segundo eles, teria que ser uma pequena”, conta.
Segundo ela, os vizinhos se uniram para pagar uma máquina do próprio bolso. Durante terça e quarta-feira, a máquina foi usada para retirar a terra. “Mas quando foi ontem, de madrugada, caiu mais terra. Tivemos que pagar uma máquina para fazer essa retirada também.”
José Carlos, 57 anos, que também mora na mesma rua, diz que foi o carro do seu genro que salvou duas vidas. O veículo estava na rua quando o deslizamento aconteceu. Com a força do barro, foi arrastado até a frente de uma casa ocupada por uma mãe e a filha de apenas 4 anos. O carro impediu a entrada da terra no imóvel. “O carro ficou imprensado ali e impediu que o barro entrasse pra lá.”
Maurício Ferreira Sebastião, 61 anos, também é morador da rua e relata que gastou mais de R$ 700 para recuperar e arrumar a rede de esgoto. “Não teve condições, estava vazando atrás das casa. Tive que comprar material.”


