As chuvas em Juiz de Fora 2026 já são consideradas as mais severas das últimas décadas. Com acumulados que ultrapassam os padrões históricos de 50 anos, o município enfrenta um cenário classificado como excepcional por especialistas.
Em entrevista ao Tribuna no Ar, o geógrafo e conselheiro do Comdema, Mateus Cremonese, analisou a gravidade do momento e defendeu uma revisão profunda das métricas de planejamento urbano e prevenção de desastres.
Segundo Cremonese, a combinação de altas temperaturas, evaporação intensa e correntes de ar favoreceu a formação de sistemas de chuva extremamente concentrados. O resultado foi um acumulado próximo de 800 milímetros em um único mês, equivalente a colunas de água que chegam a 60 centímetros.
Na prática, isso significa:
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solo completamente saturado;
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drenagem urbana sobrecarregada;
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risco elevado de deslizamentos;
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transbordamento de cursos d’água.
Mais de 3.500 pessoas ficaram desabrigadas, além de registros de vítimas fatais.
A cidade, marcada por relevo acidentado, viu cicatrizes se abrirem em áreas emblemáticas como o Morro do Imperador. A ausência de cobertura vegetal adequada e a impermeabilização do solo agravam o impacto das chuvas intensas.
O especialista explica que, sem vegetação suficiente, o solo perde capacidade de absorção e amortecimento da água, acelerando deslizamentos e enxurradas.
Chuvas em Juiz de Fora 2026: Calamidade pública e mudança de paradigma
Com o decreto de calamidade pública, abre-se espaço para medidas emergenciais e investimentos estruturais. Para Cremonese, o episódio de 2026 exige uma “virada de chave” na gestão municipal. Isso inclui:
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revisão das métricas de planejamento urbano;
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remapeamento atualizado das áreas de risco;
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integração entre academia, órgãos técnicos e poder público;
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remanejamento seguro de famílias em áreas de vulnerabilidade extrema.
