
Além de ações preventivas, Bruno Siqueira, ao lado de outras autoridades, anunciou a criação de dois centros de hidratação que entram em operação até o fim de fevereiro (Olavo Prazeres/25-01-16)
Atualizada às 11h11*
O número de casos confirmados de dengue em Juiz de Fora cresceu 50% nos últimos sete dias (entre 18 e 25 de janeiro), passando de 399 para 600. A situação é ainda mais alarmante quando comparada ao panorama visto em janeiro de 2015. Nos primeiros 31 dias daquele ano, a cidade tinha apenas 29 casos confirmados da doença. Portanto o número atual é mais de 20 vezes maior do que o computado há um ano. Diante deste cenário, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) vai publicar, nesta quarta-feira, um decreto de emergência de dengue, o qual vai propiciar a contratação de 50 novos agentes de endemias para auxiliar nas ações de combate ao Aedes aegypti. Também foi reduzido para uma semana o prazo para que o proprietário com terreno abandonado faça a manutenção. Além disso, dois centros de hidratação específicos para atendimento a pacientes com dengue serão instalados até o fim de fevereiro.
A convocação dos agentes de endemias será baseada no último concurso público realizado para o setor, e os servidores ficarão no cargo por seis meses. Eles virão para reforçar o serviço de outros 150 profissionais concursados já em atuação, somando ainda aos 70 militares do Exército – já em atividade há uma semana -, e 48 funcionários do Demlurb e da Secretaria de Obras que iniciarão uma nova frente de trabalho que abrangerá, além da Zona Norte, a região central. A força-tarefa contará com sete caminhões e duas máquinas para a realização da limpeza e recolhimento de materiais inservíveis. No Centro, o foco será a limpeza de canaletas, bocas de lobo, marquises e praças.
“Temos um número elevado de casos no estado e também no município. Por isso, pedimos a compreensão de toda a população para que realize ações preventivas em casa, reservando de dez a 15 minutos por semana para enfrentarmos a batalha juntos, que, neste ano, está ainda mais difícil. Tivemos um mês chuvoso, que foi ótimo para os nossos reservatórios, mas que contribuiu para a transmissão do Aedes”, disse o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) durante entrevista coletiva concedida à imprensa na manhã de ontem.
Centros de hidratação
Além das ações preventivas, Bruno Siqueira anunciou a criação de dois centros de hidratação que entram em operação até o fim de fevereiro. Os locais escolhidos foram o PAM-Andradas, na região central, e a Policlínica de Benfica, na Zona Norte. Em ambas as unidades serão disponibilizados aos pacientes com sintomas de dengue 20 leitos e 40 cadeiras para hidratação venosa. “A ideia é evitar uma sobrecarga na rede de urgência e emergência em função das doenças, como dengue, chikungunya e zika vírus”, destacou o prefeito. Os serviços irão funcionar 24 horas por dia. Serão dois médicos, dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem e dois agentes de atendimento ao público por turno. A primeira unidade, ainda a ser divulgada pela PJF, está prevista para iniciar o funcionamento no próximo dia 15.
*Inicialmente prevista para esta terça, a publicação do decreto de emergência foi adiada para amanhã. Segundo a PJF, a alteração ocorreu por atrasos internos e não vai atrasar o cronograma previsto.
Sujeira em terrenos revolta vizinhanças
Acúmulo de água em terreno da Rua Barão de Cataguases (Heider Marsicano)
Dono de terreno no Bom Pastor já teria sido notificado (Lucas Assad Martins)
Na Rua Sebastião Nunes Costa, no Jardim de Alá, há lixo, entulho e móveis espalhados (Olavo Prazeres/20-01-16)
Depósito irregular também na Rua Agulhas Negras, no acesso entre Monte Castelo e Caiçaras (Olavo Prazeres/25-01-16
Diariamente, chegam ao WhatsApp da Tribuna denúncias de terrenos abandonados, com mato alto e acúmulo de lixo e, consequentemente, focos do mosquito da dengue. Em alguns casos, como em um lote ao lado do número 620, na Rua José Nunes Leal, no Bairro Santa Luzia, Zona Sul, um vizinho chegou a realizar capina superficial em um terreno abandonado por não ver ações do proprietário e nem da Prefeitura. “O dono do lote está ciente sobre o que está ocorrendo e não tomou providência. Tem lixo, como sacolas, garrafas e copos. Por caridade, um vizinho roçou por cima, mas o lixo continua lá”, revolta-se uma moradora da rua que preferiu ter a identidade preservada.
No Bom Pastor, Zona Sul, um terreno baldio na Avenida Doutor José Procópio Teixeira, entre 77 e 97, também se encontra com excesso de lixo. “A PJF já notificou o proprietário, mas ele prefere pagar a multa do que cuidar do lote, porque fica mais barato”, conta Lucas Assad Martins, morador do bairro.
Já na Rua Barão de Cataguases, no Bairro Santa Helena, região central, um terreno entre os números 606 e 650, além do mato alto e do lixo, tem telhas deixadas no chão que estão acumulando água, conforme afirma Heider Marsicano. “Nossa maior preocupação é com a dengue.”
Mudança de regras
Diante dessas situações, a nova frente de trabalho anunciada pela Prefeitura para contingenciar a dengue na cidade vai intensificar as ações em terrenos abandonados e privados, nos quais os proprietários não vêm realizando a manutenção devida. A mudança começa com o encurtamento do prazo para a limpeza, a partir da notificação do proprietário. Antes o proprietário tinha de 15 a 30 dias para retirar a sujeira, agora terá uma semana. Se não forem tomadas as providências necessárias, a PJF fará a limpeza do local, e o proprietário deverá pagar pelo serviço, por meio de um Documento de Arrecadação Municipal (DAM), além de multa no valor de R$ 683,89. “Os trabalhos serão intensificados, principalmente, em locais privados em que haja lixo, sujeira e acúmulo de materiais que podem servir como criadouro do mosquito da dengue”, destaca o prefeito Bruno Siqueira (PMDB).
As áreas de proteção permanente (APPs) também receberão ações contra a dengue. A Guarda Municipal irá vistoriar, até a próxima quinta-feira, as áreas verdes do município localizadas nas regiões dos bairros Pedras Preciosas, Terras Altas, reserva do Poço D’Anta e Parque da Lajinha.
Bota-foras são problema em vários pontos da cidade
Quase um ano após ação conjunta desencadeada pela Prefeitura de Juiz de Fora, que autuou e multou 43 pessoas pelo descarte incorreto de entulhos e lixo, os bota-foras continuam se proliferando. Com o recente crescimento dos casos de dengue na cidade, somada às ameaças da febre chikungunya e do zika vírus, o problema ganha proporções ainda maiores, pois são nestes locais, em sua maioria privados ou esquecidos pelo Poder Público, onde há maior concentração de materiais que podem acumular água e se comportarem como criadouros do mosquito Aedes aegypti.
Em um lote que deveria dar espaço a uma praça dedicada ao lazer de crianças e adolescentes no Bairro Grama, região Nordeste, no entroncamento das ruas Minas Gerais e Amazonas, o entulho e o mato tomam conta da área, mesmo com uma placa fixada pelo Demlurb, informando que não é permitido o depósito do material no local. “Ver um terreno destes, que deveria abrigar um espaço de convivência cheio de lixo, entulho e mato é um verdadeiro absurdo! Há anos esperamos que providências sejam tomadas, mas nada”, ressalta um morador do bairro, que não quis se identificar.
Outros registros captados pela Tribuna foram na Rua Sebastião Nunes Costa, no Bairro Jardim de Alá, Zona Sul, e na Rua Doutor João Penido, no Parque das Torres, na Zona Norte. Em ambos os casos, os locais abrigam lixo, entulho e materiais inusitados, como sofás, porta, restos de madeira e de estruturas plásticas, como forro de geladeira, tampa de máquina de lavar e tubos de televisores. Com as chuvas, o material está com água acumulada, facilitando a proliferação do mosquito.
Alguns bota-foras já se tornaram problemas crônicos na cidade, como o depósito irregular de lixo e entulho na Rua Agulhas Negras, estrada de acesso entre o Monte Castelo e o Caiçaras. Outro local que tira o sono dos moradores é o bota-fora na Rua Martins Barbosa, no São Damião, também na Zona Norte. “Sempre tem lixo e entulho no local, quando não jogam animais mortos”, comenta a moradora Aparecida Queiroz.
Conforme a assessoria de comunicação da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), as duas localidades – nas ruas Agulhas Negras e Martins Barbosa – são constantemente monitoradas pela secretaria. “Quando há o flagrante de descarte, o infrator é multado. O mesmo acontece quando existe algum indício que possa identificar o autor (correspondência no meio do entulho, endereço, etc.).” A multa para quem descarta materiais em bota-foras irregulares, prevista no Código de Posturas do município, é de R$ 4.103,12. Nos demais lotes citados, a SAU informou que o proprietário deve prover a sua manutenção e sofre sanções caso não proceda dessa forma.

