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Juiz-foranos se mobilizam para ajudar quem precisa

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Em um ano de tensão política, em que discursos de ódio ganharam as redes sociais e não faltaram notícias que nos fizeram perder, por instantes, a fé na humanidade, exemplos de ações positivas trouxeram momentos de otimismo aos juiz-foranos. Entre páginas e mais páginas de noticiário de violência, corrupção e intolerância, a Tribuna conseguiu contar histórias de mobilizações populares, seja para localizar desaparecidos, arrecadar doações para vítimas de tragédias, como a de Mariana, ou ajudar a custear tratamentos de saúde e a melhorar a qualidade de vida de enfermos. Ações vindas da própria população, de forma alheia às vontades de governantes e legisladores.

Uma dessas campanhas fez com que o garoto Victor, de 16 anos, saísse do Jóquei Clube, na Zona Norte, onde mora com a família, e atravessasse os oceanos Atlântico e Índico para se submeter a um tratamento com células-tronco na Tailândia, país da Ásia onde esse tipo de procedimento já é liberado no sistema de saúde. Victor é portador da distrofia muscular de Duchenne, uma doença degenerativa que provoca a perda progressiva da força muscular. A enfermidade começa a afetar a mobilidade das pernas, região pélvica, chegando aos braços, até comprometer os músculos cardíacos e respiratórios.

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A viagem só foi possível graças à mobilização de juiz-foranos, muitos deles que até então nunca tinham ouvido falar na doença e que não conheciam a família do garoto. Mesmo sabendo que a distrofia não tem cura e que o tratamento é uma tentativa de retardar os efeitos e melhorar a qualidade de vida do paciente, os colaboradores doaram um total de R$ 125 mil em dinheiro, além das passagens aéreas. “Estou sensibilizada com o povo. Depois de uma campanha dessa, não duvido que existe muita gente boa disposta a arregaçar as mangas e ajudar o próximo”, agradece a mãe de Victor, Vanilda Araújo Lage de Siqueira.

Enquanto aguarda os efeitos das aplicações de células-tronco, o que pode acontecer entre 3 e 6 meses, a família agora busca seguir, em Juiz de Fora, com a hidroterapia e a acupuntura que fizeram parte do tratamento na Tailândia.

Campanha ampliou em 70% doações de medula

Quando se tornar adulto, o garoto Paulinho, de 5 anos, vai poder olhar para sua infância e se encher de orgulho de ter dado nome à campanha responsável por uma das maiores ondas de doação de medula óssea em Juiz de Fora. A hashtag #juntospelopaulinho mobilizou a cidade e, junto com outras campanhas, como a da pequena Isabella, 6, elevou em 70% o número de doações de medula no Hemoninas em Juiz de Fora, em meados deste ano. “Foi uma época de baixa no estoque, e as campanhas ajudaram muito, não só o hemocentro de Juiz de Fora, mas toda a rede”, avalia a responsável pelo setor de captação e cadastro de doadores do Hemominas, Lidiane Laroca.

“Com essa mobilização, entendemos o sentido da palavra gratidão”, resume a mãe de Paulinho, Paula Chagas. A família não esperava tantos desconhecidos se juntando pela causa. Com as doações, veio o apoio de pessoas que nunca tiveram contato com a família. “Em cada mensagem positiva que recebemos, renovamos nossa fé. É uma emoção e uma satisfação muito grande toda vez que recebemos palavras e atitudes de força. Isso nos ajudou a reerguer toda vez que enfrentávamos algum novo problema.”

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No final das contas, o Paulinho recebeu a medula do próprio irmão, Arthur. E a Isabella, de um doador que mora nos Estados Unidos. Mas os juiz-foranos que aderiram às campanhas agora fazem parte de uma rede mundial que pode ajudar pessoas com leucemia em vários cantos do planeta. Quando a Tribuna noticiou a “pega” da medula na garota Isabella, na semana passada, o leitor Leandro Augusto de Barros enviou para o jornal uma bela mensagem, direcionada à criança. “Quando foi publicada a matéria de que você precisava da doação, não pensei duas vezes, logo me cadastrei. Porque sou pai de duas lindas filhas, e pude ver o quanto seus pais estavam sofrendo. Agora você não sabe o quanto estou feliz com esta notícia. Nunca perca a fé, pois Jesus não morreu em vão e ele estará sempre presente ao seu lado nos momentos bons e tristes.”

Grupo leva qualidade de vida a irmãos

“Compreender as necessidades, carências e limitações do humano nos define como iguais. Todos carecemos em algum momento de nossas vidas de amor, cuidado, zelo, afeto, de um olhar, de escuta e entendimento das nossas limitações.” Foram essas premissas que levaram a psicóloga Márcia Amoedo a liderar um grupo de voluntários que presta auxílio aos irmãos Ribeiro. Paulo, 17, Lucas, 15, e Rodrigo, 12, também são portadores da distrofia muscular de Duchenne.

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Os três já não andam mais, mas as dificuldades não impedem os voluntários de proporcionarem uma vida melhor aos meninos. Desde que o grupo praticamente adotou os adolescentes, a casa vive sempre cheia de visitas, tornando o ambiente mais alegre. Só este ano, os meninos já visitaram batalhões do Exército, da Polícia Militar e dos Bombeiros. Investigadores da Polícia Civil se mobilizaram para arrecadar donativos. Anônimos contribuíram com o que puderam. Os voluntários ainda conseguiram regularizar o falho atendimento de saúde que os meninos recebiam até então na rede pública. Na semana passada, eles visitaram a casa do Papai Noel montada no CCBM.

“Os meninos precisam de amor, cuidado, abraço, proteção, alegria, saúde e prazer. Suprir, na medida do possível, essas demandas tem sido a nossa missão. Eles nos preenchem a vida com o mais belo e singular amor. Eles nos aquecem o coração e noz faz crer em um mundo melhor, de ação conjunta para o bem de todos”, avalia Márcia.

A vontade que os meninos têm de conhecer o apresentador Luciano Huck fez o grupo criar a campanha #huckcomosirmãosribeiro. Enquanto não conseguem chegar ao artista, os voluntários se mobilizam para conseguir uma nova moradia para Marlene e os três filhos. A casa em que eles moram, no alto do Bairro Santa Rita, é pequena e não tem acessibilidade. Para sair de casa com os meninos, a mãe tem que descer e subir escadas com os filhos adolescentes no colo.

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